17 de outubro de 2007, às 14h28min

As cinco novas Brasílias

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   Do ponto de vista da eficiência econômica, a cidade é um dos melhores inventos humanos. As estruturas urbanas facilitam a logística de distribuição de bens e serviços. Elas contribuem para a melhoria das condições de trabalho, educação, saúde e cultura das populações. E para completar as vantagens econômicas, as estradas que ligam umas cidades ás outras, sempre se transformam em veias pulsantes de desenvolvimento.

   Quando essas estruturas urbanas incham devido à superpopulação, todas essas vantagens econômicas desaparecem, dando lugar ao favelamento, desordem, violência, falta de saneamento, desemprego, fome e doenças. Atualmente milhões de brasileiros habitam em condições subumanas os cinturões de miséria que abraçam, e já começam a sufocar, as grandes metrópoles brasileiras. Segundo a maioria dos especialistas: São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Recife pedem socorro. Pedem com urgência uma solução de engenharia urbana que lhes permita ver o futuro. Pedem que algum dirigente visionário inicie um planejamento sério, de médio e de longo prazo.

   Diante da situação caótica dessas cinco enormes metrópoles sugiro iniciar imediatamente o planejamento para a construção cinco novos centros administrativos, de ensino, cultura e pesquisa tecnológica. Sugiro simplesmente copiar o inquestionável sucesso de Juscelino Kubistcheck na construção de Brasília. Proponho mudar as administrações estaduais para cinco novas cidades planejadas a serem construídas no interior dos estados. Elas se localizariam há uns 150 ou 200 quilômetros de distância das atuais capitais. Além das áreas da administração direta e autarquias também seriam transferidas as universidades públicas e os centros de pesquisa. Nessas novas cidades planejadas seriam criadas condições para o estabelecimento de empresas modernas, sem chaminés, de setores de alta tecnologia como, por exemplo, nanotecnologia, informática e biotecnologia. Seriam também criadas condições e estruturas para o desenvolvimento de grandes eventos como congressos, simpósios e reuniões empresariais. Nelas poderiam ser criados novos centros de excelência em moda, design e esportes olímpicos. Modernos centros de produção artística como cinema, televisão, música, artesanato, pintura e teatro. Enfim, seriam cidades voltadas para o desenvolvimento de áreas econômicas baseadas no conhecimento científico e no talento humano.

   Essas cinco novas Brasílias se localizariam em regiões interioranas que atualmente estão pouco habitadas. Elas se ligariam com as atuais metrópoles por autopistas e trens rápidos. Essas ligações terrestres também serviriam como um corredor de desenvolvimento. Nelas passariam redes de energia elétrica, gás, fibra ótica e até mesmo de água potável. Seriam cidades planejadas de maneira a custar o mínimo possível para os cofres públicos. Seriam construídas através de parcerias com o setor privado. Terrenos e concessões de serviços públicos nas novas cidades podem se transformar em ativos valiosos. Podem contribuir para o retorno dos investimentos a serem feitos na infra-estrutura. Nas novas cidades seriam criadas habitações populares que poderiam ser trocadas por casas atualmente localizadas nas favelas. Uma vez desocupadas, as atuais favelas poderiam ser verticalizadas ou transformadas em extensas áreas verdes.

   A tecnologia da engenharia brasileira nas construções civis e rodoviárias está entre as melhores do mundo. Temos abundancia de materiais construtivos e de mão de obra treinada. A construção dessas novas cidades geraria rapidamente, de maneira direta ou indireta, muitos negócios e milhões de empregos em toda a extensa cadeia de produtos e serviços para construção. As vagas de emprego seriam abertas nas imediações das metrópoles congestionadas, justamente nos locais onde elas são demandadas com maior avidez.

  Muitos políticos vão dizer que essa é uma idéia maluca, muito simplista e, sobretudo, que não existem recursos. Os recursos existem. O que não existe é visão do futuro e planejamento de longo prazo. Construir cinco novas cidades de forma planejada e inteligente custará muito menos que mudar o curso do rio São Francisco e, com certeza, renderá muito mais para todos nós brasileiros.

Eder Bolson, empresário e professor. Autor de “Tchau, Patrão!” - Editora SENAC.
 

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Autor
Empresário, fundador de cinco empresas e professor universitário. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS com mestrado pela North Dakota State University dos Estados Unidos. Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada. É um estudioso do empreendedorismo que sempre estimula as pessoas a planejarem e implantarem seus próprios negócios. É membro brasileiro da World Future Society. É autor do livro “Tchau, Patrão!” - Editora SENAC.



 
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