22 de outubro de 2009, às 17h39min
Assuntos estranhos ganham atrativos surpreendentes
"Super Freakonomics" - Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner. Tradução de Afonso Celso C. Serra.
Campus/Elsevier. 288 págs., R$ 66,90. Lançamento em 6/11
Para fãs do livro econômico pop "Freakonomics", vendido aos milhões pelo mundo, basta dizer que o título desta sequência é uma descrição bem precisa da obra. O livro é muito parecido a "Freakonomics", mas melhor.
O original, um sucesso desenfreado, teve sua gênese no magistral perfil do "economista renegado" Steven Levitt, em "The New York Times Magazine", feito por Stephen Dubner. Chamá-lo de "renegado" pode ser um pouco de exagero, porque Levitt, na verdade, é um professor enaltecido e altamente influente na University of Chicago.
Levitt aplica suas técnicas estatísticas, agora muito imitadas, a assuntos pouco convencionais, como a ligação entre as leis de aborto e o crime ou para determinar se os lutadores de sumô trapaceiam (ele conclui que sim). O livro de 2005 que resultou disso foi abrangente, fascinante e, acima de tudo, fácil de gostar - embora mostrasse sinais de afobação e nunca tenha deixado claro se seria um livro de Steven Levitt ou sobre ele.
"SuperFreakonomics" traz quase a mesma abrangência e afabilidade, mas é mais bem acabado. Os capítulos do livro cobrem temas como prostituição; análise de dados em serviços de assistência médica e contraterrorismo; altruismo; inovação; e geoengenharia. Mas, a partir dos títulos de cada capítulo ou das páginas de abertura, é possível que o leitor não consiga adivinhar o assunto central daquela passagem, o que denuncia certa afeição por surpresas e reviravoltas na forma de contar as histórias.
Os rodeios fazem parte do estilo. Uma tarde lendo "SuperFreakonomics" é como uma dessas conversas eletrizantes e ocasionalmente frustrantes, em que as ideias surgem tão rapidamente que acabam interrompendo uma à outra. Em poucas palavras, a organização do livro inclina-se deliberadamente para o lado "freaky" (estranho), mas a boa diversão está garantida caso se decida simplesmente ler o livro de cabo a rabo.
Meu capítulo favorito descreve a pesquisa de John List, um colega de Levitt, que aniquila alguns dos resultados mais famosos na economia comportamental. No jogo de "ditador", bem conhecido nos círculos econômicos, um jogador "A" recebe US$ 10 do pesquisador e lhe é dito que pode ficar com todo o dinheiro ou, caso queira, entregar parte a um jogador "B", anônimo. Muitos jogadores, de fato, entregam o dinheiro, um resultado inquietante para a teoria econômica convencional.
List acredita, contudo, que muitos pesquisadores aceitaram essa descoberta facilmente demais. "O que é desconcertante", comenta, "é que nem eu, nem qualquer um de minha família ou amigos (ou de suas famílias e amigos) recebemos alguma vez um envelope anônimo recheado de dinheiro." Os experimentos de laboratório, em que grande número de estudantes mostram preferência por enviar dinheiro a estranhos anônimos, precisam ser questionados com mais atenção. List mostrou que, com pequenas modificações no jogo do "ditador", os participantes do experimento podem ser persuadidos não apenas a conter a generosidade, como a confiscar dinheiro dos outros.
Há muito mais a respeito e tudo é dito com verve e cuidado. Levitt e Dubner têm o dom de explicar precisamente como um pesquisador descobre algo. Seu epílogo, sobre as tentativas de Keith Chen para introduzir uma moeda em uma sociedade de macacos, é um exemplo de como contar um história emocionante de pesquisa científica sem comprometer a precisão.
Os capítulos mais chamativos do livro são os primeiros, sobre prostituição, e o último, sobre aquecimento mundial. O capítulo sobre prostituição passa rapidamente das pesquisas acadêmicas da prostituição de rua, realizadas por Levitt e o sociólogo Sudhir Venkatesh, para um sedutor perfil de uma acompanhante de alto nível e várias digressões sobre a economia de gêneros e outros tópicos.
É num desses momentos que se tem o melhor momento do livro: quando os autores demonstram que uma prostituta ganha mais dinheiro valendo-se de um cafetão do que um proprietário de imóvel recebe valendo-se de um corretor ou agente imobiliário. O impacto financeiro de um gigolô ("pimp", em inglês) é maior do que o de um corretor ("realtor"). "Ou, para os que preferem suas conclusões convertidas de forma matemática, PIMPACT > RIMPACT".
Os que sofrem de curiosidade lasciva encontrarão algumas das descrições sobre o cotidiano das prostitutas bastante recatadas. Os que sofrem de interesse por ângulos econômicos encontrarão perguntas não respondidas.
"A verdadeira charada não é por que algumas, como Allie, se tornam prostitutas, mas por que mais mulheres não escolhem essa carreira", escrevem Levitt e Dubner. "Então, digam por quê", poderiam pensar os leitores. Mas eles não dizem, apesar de haver literatura sobre tal charada. As principais pesquisas sobre a questão foram escritas por duas mulheres, fato que alguns poderão achar relevante.
A análise sobre a prostituição de rua é baseada em cuidadoso trabalho acadêmico. O relato da prostituição de alto nível é meramente um perfil jornalístico de uma única mulher inteligente e bem-sucedida. Levitt e Dubner, no entanto, parecem ter decidido que, embora as descobertas guiadas por dados sejam maravilhosas em geral, seu excesso pode ser prejudicial.
Os autores dizem preferir dados a relatos individuais, mas parte do segredo de seu sucesso é que eles gostam mais do que ninguém de uma boa história.
Quanto ao capítulo final sobre aquecimento mundial, trata-se de uma notável discussão de geoengenharia, que pesquisa vários métodos para esfriar o planeta, em vez de tentar evitar as mudanças climáticas com a redução das emissões de gás carbônico. É uma história forte, mas também tendenciosa. Retrata os geoengenheiros como iconoclastas brilhantes e refuta as objeções à geoengenharia como uma reação automática dos que pouco refletem, além de deixar de transmitir qualquer visão cética e crível à geoengenharia. Uma bem-merecida crítica a Al Gore não conta realmente.
De acordo com o que se lê nesse capítulo, a única razão pela qual todo mundo faz tanto alvoroço sobre o dióxido de carbono é porque nunca ouviram falar em geoengenharia ou porque são daquele tipo de ludita teimoso, para quem a tecnologia nunca resolveu nada. Tenho certa simpatia por essa visão, mas, ainda assim, essa parte precisaria de mais equilíbrio.
No fim das contas, um livro como "SuperFreakonomics" depende completamente de seu valor para entreter. E, nesse aspecto, não há dúvida: é dos livros que não se consegue parar de ler.
Mais revelador, entretanto, é que dobrei pelo menos uma dúzia de páginas para voltar a vê-las depois e ir às referências. É um livro com estilo de sobra, que tem brilho; por baixo do brilho também tem substância.
Assuntos
Autor
Administrador - UNICAP; Pós Graduado com certificação em Gestão Estratégica - ADESG;
Curso de Licitações e Contratos Administrativos - FGV,
Curso de Contratos Administrativos e seu Gerenciamento - FGV;
Cursos de Inteligência Competitiva - Ferramenta de Apoio aos Negócios e Fundamentos da Inteligência Competitiva - ABRAIC;
Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais e Gestão/Fiscalização de Contratos Administrativos - INFRAERO;
Licitação e Contratos de Engenharia - CREA/DF;
Gerenciamento de Projetos - PMBOK - Plano PRO2 ;
Aluno de Pós Graduação de Administração Pública - CIPAD (2010), FGV e
Aluno de Pós Graduação Cegsic (2010/2011) - UnB.
Plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/6541505633623175
Curso de Licitações e Contratos Administrativos - FGV,
Curso de Contratos Administrativos e seu Gerenciamento - FGV;
Cursos de Inteligência Competitiva - Ferramenta de Apoio aos Negócios e Fundamentos da Inteligência Competitiva - ABRAIC;
Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais e Gestão/Fiscalização de Contratos Administrativos - INFRAERO;
Licitação e Contratos de Engenharia - CREA/DF;
Gerenciamento de Projetos - PMBOK - Plano PRO2 ;
Aluno de Pós Graduação de Administração Pública - CIPAD (2010), FGV e
Aluno de Pós Graduação Cegsic (2010/2011) - UnB.
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