30 de maio de 2008, ās 13h26min

CARGOS OU COMPETÊNCIAS?

Por Bruno de Moraes
 
Desde os primórdios (Egito antigo, Incas, Maias, Astecas etc) cargos e competências se misturam. Os Artífices que projetaram e acompanharam as construções de Pirâmides e dos Templos Majestosos, hoje patrimônio da Humanidade, já possuíam profundo conhecimento de suas técnicas - toscas se pensarmos no avanço tecnológico atual, habilidades incríveis em transformar pedra bruta em objetos de arte com ferramentas e métodos também toscos e aptidão para o ofício.

Esses Artífices criaram segredos que nem as mais modernas tecnologias conseguem repicar. Eles orientavam uma imensidão de trabalhadores, perfeitos formigueiros, a maioria sem nenhuma qualificação e capacidade para discernir sobre a majestosa obra que estavam dando forma.

Naquela época a importância era dada aos cargos? Claro que não. Naquela época era a competência dos seres humanos que importava. Os conhecimentos tácitos e explícitos eram propagados e não descritos. Eles se perderam não pelo desinteresse em multiplicá-los, mas pelo desaparecimento daqueles seres humanos.

Vivemos uma ressurreição de antigos valores. A tecnologia de ponta nos transporta a uma avaliação constante de nossas atitudes tanto sociais quanto profissionais. O que mais importa aos ambientes os quais freqüentamos é o valor que conseguimos agregar.

A primeira pedra a ser colocada em uma Pirâmide foi aquela que aponta para o céu? Provavelmente não. Porque provavelmente? Porque não conseguimos recuperar as competências necessárias para tal tarefa.

Uma empresa é organizada a partir de uma decisão no nível estratégico. Definido o negócio o primeiro nível que será construído será o tático. A esse nível caberá a incumbência de materializar o negócio. Quais os recursos necessários. Qual o orçamento, o melhor local para localizá-lo, que tipo de equipamentos, os processos serão realizados mecanicamente, eletronicamente ou por seres humanos? Pouco importa. Sempre existirá um nível operacional. Sem ele as entidades não existiriam.

Mais uma vez retornamos a Administração Científica de Taylor e Fayol. Temos que controlar os processos, desenharmos os cargos de acordo com as necessidades de nossos negócios e procurar dentre os seres humanos a competência ideal para o que precisamos gerar ou produzir.

Temos que ter seres humanos preparados em nossos ecossistemas culturais e acompanhando as tendências impostas pelo mercado interno e globalizado. Se estivermos desenvolvendo competências em seres humanos eles tenderão à genialidade que leva a generalidade. Visão espacial ou artificial? Eles é que dirão com a resposta que deixarão nas Organizações.

O nível estratégico tem que definir com clareza o que deseja. Sem essa definição clara os seres humanos não gerarão os indicadores necessários. É a partir do ofício que os indicadores surgem. Eles que darão o norte da geração ou produção. Da otimização dos processos e do desenvolvimento vem à melhoria dos resultados e os indicadores são aprimorados.

Não adianta copiar o Milagre Japonês. A cultura é diferente. Na década de 80 era comum famílias no Japão acabarem pela preocupação de não terem conseguido gerar ou utilizar determinada competência. A cobrança cultural era muito forte. Todo exagero é prejudicial.

Devemos cobrar competências dos seres humanos? Claro que sim. Eles sempre a tiveram. De acordo com os momentos históricos elas aparecem mais do que seus atores. Um não existe sem a outra. Se tivermos competências sendo desenvolvidas e utilizadas por seres humanos, como os chamaremos? Terão que receber um título, um cargo e receber por seu trabalho.

Nem no dia em que o planeta falar o mesmo idioma o processo de globalização chegará ao fim. Os nossos carros e seres humanos não andam na neve e rodam ao nível do mar. Dessa forma existe um limite para o desenvolvimento de competências? Nunca. Só temos que ter a sabedoria de como desenvolvê-las nos seres Humanos.


Bruno Roberto Costa de Moraes
Consultor em Gestão e Processos
(21) 9997-5750
 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/cargos-ou-competencias/23186/