17 de março de 2010, às 10h04min
CEO, sua ex-mulher pode descobrir quanto você ganha
Volta à cena discussão sobre a divulgação dos salários de executivos das companhias abertas. Embates acalorados questionam sua obrigatoriedade imposta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O principal argumento usado está relacionado à questão da segurança, já que a regra prevê a divulgação da remuneração máxima, média e mínima de cada empresa. Ou seja, o modelo adotado pela CVM acaba expondo, sobretudo, o presidente das organizações. Talvez isso explique a razão de tanta relutância ou, quem sabe, a preocupação dos executivos pode estar ligada a questões familiares, como o pagamento de pensão às ex-mulheres.
Concordo com a posição do presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Mauro Cunha, quem em entrevista ao jornal Valor Econômico acredita ser essencial primar pela transparência. Os escândalos vistos pelo mercado são prova viva do quanto precisamos de regras mais claras.
Os americanos aprenderam com os erros e nos Estados Unidos, investidores e acionistas sabem o quanto ganha cada um de seus executivos, inclusive o bônus referente ao ano fiscal. Todas as informações evidenciadas nas demonstrações contábeis são de domínio público.
Ao contrário do que defendem algumas entidades que representam executivos de vários setores, as mudanças na regulação contribuem para o avanço das boas práticas de governança. Além de serem de importância para a avaliação dos acionistas. Raciocinem comigo, como pode o acionista no papel de empregador desconhecer quanto ganham seus funcionários-chave?
É o que acontece hoje no Brasil. Há muita pouca informação sobre a remuneração de executivos. Nem mesmo as empresas com ações na Bolsa de Nova York adotam uma política de maior transparência aqui no Brasil e seus altos executivos vêm com o velho discurso de que estarão expostos.
Como bem defendeu a presidente da CVM, Maria Helena Santana, "profissionais desse porte já demonstraram sinais externos de riqueza e têm uma grande exposição pública por conta da posição que ocupam".
Infelizmente, tenho a impressão que o lobby das empresas e dos executivos será mais forte, a Instrução da CVM pode não vingar e caberá ao mercado forçar a adoção da regra por entender que ela é saudável e necessária.
Acredito que a divulgação da remuneração do alto escalão é um caminho sem volta, a exemplo do que afirmou o líder da consultoria Towers Watson para América Latina, Felipe Rebelli, para o Valor. Ele vai além e acredita que as empresas de capital aberto perderão competitividade frente às de capital fechado, já que seus executivos podem exigir prêmio por terem seus salários expostos. Faz sentido, será uma questão negocial.
Ao contrário, acho que muito diretor de companhia fechada quando encontrar colegas de SAs ganhando mais vai é pedir a chefia aumento ou buscar novas oportunidades. Outro problema apontado por um especialista em remuneração na matéria do Valor é o provável mal-estar que pode ocorrer com o chão de fábrica ao saber o salário de um diretor, porque há casos de operários com nível superior e que não subiram na carreira.
Façam suas apostas e aguardem as cenas dos próximos capítulos.
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Julio Sergio Cardozo é conferencista, consultor de empresas e professor livre-docente de controladoria & finanças. Leciona no Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ e em cursos de MBA como professor convidado em diversos programas no país. Contador e Administrador, obteve o título de livre-docência pela UERJ com a defesa da tese: “A Inadequação dos Pareceres de Auditoria”. Participou, como orientador, presidente ou membro, em mais 80 bancas examinadoras de dissertações de mestrado e teses de doutorado na UERJ, Fundação Getulio Vargas, IBMEC e Universidade de São Paulo – USP.
Articulista ativo, escreveu mais de uma centena de artigos publicados em jornais e revistas de grande circulação no Brasil e no exterior. Conferencista bem avaliado, proferiu mais de 80 palestras no Brasil e no exterior. Detentor do “Prêmio Conselho Federal de Contabilidade de Pesquisa Contábil”, da “Medalha do Mérito Contábil” concedida pelo CRC-ES e da medalha “Joaquim Monteiro de Carvalho” – Ordem do Mérito Contábil concedida pelo CRC-SP.
Autor dos livros: “Contabilidade Geral” – Editora Dimensão; “Relatórios e Pareceres de Auditoria” – Editora Atlas (obra única e de referência sobre o tema); “Você Não Tem de Ceder: A Trajetória de Força e Ética de um CEO no Brasil” – Editora Campus/Elsevier; e "O Melhor Vem Depois. Desvendando o Enigma da Longevidade" com coautoria de Andrea Giardino - Editora Saraiva
Foi sócio da Ernst & Young por mais de vinte anos ocupando posições de destaque tendo como principais clientes as Organizações Globo – TV, rádios, mídia impressa, NET - Grupo Peixoto de Castro, Coca-Cola, Generali do Brasil Seguros. Como Chairman & CEO da firma na América do Sul integrou as operações na região e expandiu os negócios a taxas muito superiores às da concorrência. Tornou-se membro do Board da Ernst & Young Americas com sede em Nova York.
Após a sua aposentadoria da Ernst & Young fundou a Julio Sergio Cardozo & Associados, empresa de consultoria em negócios com sede na cidade de São Paulo.
Ligações externas:
Twitter: www.twitter.com/juliocardozo
Site: http://www.cardozo-group.com
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Após a sua aposentadoria da Ernst & Young fundou a Julio Sergio Cardozo & Associados, empresa de consultoria em negócios com sede na cidade de São Paulo.
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