O principal argumento usado está relacionado à questão da segurança, já que a regra prevê a divulgação da remuneração máxima, média e mínima de cada empresa. Ou seja, o modelo adotado pela CVM acaba expondo, sobretudo, o presidente das organizações. Talvez isso explique a razão de tanta relutância ou, quem sabe, a preocupação dos executivos pode estar ligada a questões familiares, como o pagamento de pensão às ex-mulheres.
Concordo com a posição do presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Mauro Cunha, quem em entrevista ao jornal Valor Econômico acredita ser essencial primar pela transparência. Os escândalos vistos pelo mercado são prova viva do quanto precisamos de regras mais claras.
Os americanos aprenderam com os erros e nos Estados Unidos, investidores e acionistas sabem o quanto ganha cada um de seus executivos, inclusive o bônus referente ao ano fiscal. Todas as informações evidenciadas nas demonstrações contábeis são de domínio público.
Ao contrário do que defendem algumas entidades que representam executivos de vários setores, as mudanças na regulação contribuem para o avanço das boas práticas de governança. Além de serem de importância para a avaliação dos acionistas. Raciocinem comigo, como pode o acionista no papel de empregador desconhecer quanto ganham seus funcionários-chave?
É o que acontece hoje no Brasil. Há muita pouca informação sobre a remuneração de executivos. Nem mesmo as empresas com ações na Bolsa de Nova York adotam uma política de maior transparência aqui no Brasil e seus altos executivos vêm com o velho discurso de que estarão expostos.
Como bem defendeu a presidente da CVM, Maria Helena Santana, "profissionais desse porte já demonstraram sinais externos de riqueza e têm uma grande exposição pública por conta da posição que ocupam".
Infelizmente, tenho a impressão que o lobby das empresas e dos executivos será mais forte, a Instrução da CVM pode não vingar e caberá ao mercado forçar a adoção da regra por entender que ela é saudável e necessária.
Acredito que a divulgação da remuneração do alto escalão é um caminho sem volta, a exemplo do que afirmou o líder da consultoria Towers Watson para América Latina, Felipe Rebelli, para o Valor. Ele vai além e acredita que as empresas de capital aberto perderão competitividade frente às de capital fechado, já que seus executivos podem exigir prêmio por terem seus salários expostos. Faz sentido, será uma questão negocial.
Ao contrário, acho que muito diretor de companhia fechada quando encontrar colegas de SAs ganhando mais vai é pedir a chefia aumento ou buscar novas oportunidades. Outro problema apontado por um especialista em remuneração na matéria do Valor é o provável mal-estar que pode ocorrer com o chão de fábrica ao saber o salário de um diretor, porque há casos de operários com nível superior e que não subiram na carreira.
Façam suas apostas e aguardem as cenas dos próximos capítulos.