21 de outubro de 2010, às 14h49min

Ciência das Emoções (parte dois)

Nascemos com emoções básicas, de origem genética. Muitas outras são aprendidas posteriormente. Podem ser emoções simples ou complexas. Às vezes não são emoções; são disposições, e, outras vezes, são agitações. As emoções podem também inserir-se na nossa personalidade formando traços de carácter.

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1.Introdução
O ser humano é uma unidade psicofísica, um ser vivo que consegue percepcionar, agir intencionalmente, raciocinar e sentir, além de ter uma linguagem complexa. Para tudo isto contribui a atividade de um cérebro muito desenvolvido que lhe permite igualmente ser consciente e também auto-consciente.


Geralmente a ciência atribui ao ser humano faculdades físicas e psicológicas. Mas muitas coisas que lhe são próprias escapam a estas fronteiras pois não são físicas nem mentais. E, todavia, são atributos humanos. Um bom exemplo é a timidez, geralmente caraterizada como uma emoção quando, na verdade, é uma disposição de caráter e temperamento (ou seja, um atributo da pessoa). Embora pertença ao domínio do mental não é uma caraterística da mente mas da pessoa.

2. Clarificar conceitos

A ciência psicológica e a neurociência (que estuda o sistema nervoso e o cérebro) insistem em algumas confusões concetuais. Estas chegam ao domínio público através da informação e instala-se então alguma dificuldade em compreender determinadas ideias.

Alguns especialistas mais esclarecidos, como o M.R. Bennett (professor de Fisiologia e catedrático da Universidade de Sidney, na Austrália) e P.M.S.Hacker (membro do St.John´s College, em Oxford e um autoridade em filosofia) afirmam peremptoriamente que o termo "mente" não designa coisa de espécie alguma e que ao atribuirmos-lhe determinadas faculdades psicológicas é um erro concetual. Ou seja, estes autores defendem que devemos falar em atributos humanos e não em atributos do cérebro ou da mente, tais como capacidades, aptidões, obrigações, susceptibilidades, disposições, tendências e inclinações.

Esses atributos, onde se inclui a faculdade de "sentir", pertencem à pessoa e não à mente ou ao seu cérebro. Assim, a palavra "sentimento", de acordo com aqueles autores, pode significar:
- uma sensação (sentir uma dor);
- outras vezes uma emoção (sentir-se irritado);
- significar uma inclinação para agir (sentir como se estivesse a ir para o cinema);
- uma forma de percepção (sentir uma moeda no bolso);
- uma forma de pensamento ou opinião (sentir que a justiça é lenta);
- uma inclinação para acreditar (sentir que alguém está a mentir);
- e, por vezes, indicar uma condição física ou psicológica geral (sentir-se doente ou satisfeito).

3. Sentimentos que são sensações

Existem dois tipos de sensações. Um está relacionado com a sensibilidade localizada (uma dor ou um prurido). O outro refere-se à sensibilidade corporal geral (sentir-se bem ou mal; em boa ou má forma). Esta mistura-se com a sensibilidade da chamada condição psicológica geral, como sentir-se tranquilo ou interessado.Mais uma vez é importante clarificar que as sensações são percepcionadas pelas pessoas. Elas é que são o sujeito das sensações sendo errado dizer que é o cérebro ou é a mente.

4. A afetividade

Para os autores a que estamos a fazer referência, as emoções são uma subclasse de afectos, isto é, sentimentos (mas não sensações como as que atrás referimos).


Assim a afetividade divide-se em emoções, agitações e disposições. Os afetos podem revelar-se também através de atitudes (como gostos e aversões, aprovação e reprovação) e traços de caráter (tais como benevolência, irascibilidade e o espírito vingativo).

Existe ampla controvérsia sobre o que são emoções. Alguns estudiosos entendem que as emoções são algo muito pessoal e interno a cada pessoa. Outros, como os antropólogos, consideram as emoções como sendo criadas entre as pessoas, ou seja, resultantes da interação entre elas. Certo é que as emoções são a manifestação externa e dinâmica do estado afetivo interno das pessoas e, por isso, são observáveis.

Ou seja, as emoções exprimem-se através do rosto e das reacções corporais. Elas podem ser avaliadas em termos de tipo, intensidade, extensão, variabilidade e grau de congruência (alterado ou inalterado). Os indivíduos normais demonstram uma multiplicidade de emoções, de intensidade variável, que, em geral correspondem e variam com os pensamentos e sentimentos expressos verbalmente. Elas pesam também nas nossas deliberações e nos desejos que albergamos.

Existem muitos tipos de emoções
e diferentes formas de as agrupar. Uma das mais rigorosas divide as emoções em "emoções orientadas para os outros" e "emoções orientadas para o próprio". Veja-se:


Emoções paradigmáticas:

– orientadas para os outros (são o amor, o ódio, a esperança, o medo, a cólera, a gratidão, o ressentimento, a indignação, a inveja, o ciúme, a piedade, a compaixão e o pesar); e...
Emoções de auto-avaliação:

– orientadas para o próprio (o orgulho, a vergonha, a humilhação, o arrependimento, o remorso e a culpa).

Seguem-se as chamadas agitações. Estas são perturbações do afecto de curto prazo geralmente provocadas por algo exterior a nós. Exemplos de agitações: sentir-se excitado, sentir-se chocado, sentir-se espantado, sentir-se surpreendido, sentir-se assustado, sentir-se revoltado, etc. São experiências sentimentais passageiras causadas por aquilo que percecionamos, aprendemos ou entendemos.

Sendo perturbações podem alterar o nosso comportamento e travar as motivações. Por exemplo, podemos comportarmos de determinada maneira se estivermos "revoltados" com algo ou alguma pessoa. O comportamento será diferente se estivermos "surpreendidos". Ou seja, as agitações são uma categoria de sentimentos que provocam diferentes "modos de reagir".

As disposições são quadros mentais ou estados de espírito em que nos encontramos em cada momento. Podemos sentir-nos alegres, eufóricos, satisfeitos, irritados, melancólicos ou deprimidos. São pois uma "propensão para" nos sentirmos de uma determinada maneira e, por isso, estão ligados a estilos de comportamento.

As disposições afetam nossos pensamentos e reflexões. Veja-se como quando estamos alegres os nossos pensamentos são diferentes do que quando estamos melancólicos. Enquanto as emoções propriamente ditas promovem a ação (por exemplo, o medo provoca a fuga ou a defesa), as disposições não.

Além das emoções temos também as chamadas atitudes emocionais. O que são atitudes emocionais? São tomadas de posição emocional como, por exemplo, sentir saudades ou sentir ciúmes por alguém de forma prolongada. Em teoria podem confundir-se com sentimentos dado que se podem prolongar no tempo.

Finalmente, os traços de caráter emocional. Não se podem confundir com emoções nem com sentimentos. Na verdade, representam "propensões para ser e sentir" dadas as circunstâncias apropriadas e têm a ver com a natureza emocional das pessoas. Compreende-se melhor através de exemplos: há pessoas que se caraterizam por ser compassivas, outras por ser amáveis, outras invejosas, outras tímidas, outras aventureiras, etc. Definem, de algum modo, "maneiras de ser" e estão inseridas na sua personalidade. A educação e as experiências de vida durante a infância determinam muitos dos traços de caráter emocional.

(continua)


Nelson S Lima

Investigador em Psicologia na EURADEC Alemanha.
Diretor Nacional da EURADEC Reino Unido.
EURADEC (Associação Europeia para o Desenvolvimento da Educação e da Cidadania).
nelsonlima@europe.com
Ceo do Instituto da Inteligência
geral@institutodainteligencia.net

 

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ATUAL:
- Diretor Nacional da EURADEC UK na Inglaterra (Associação Europeia para o Desenvolvimento da Educação e Cidadania).
- Diretor da Divisão de Investigação Psicológica da EURADEC na Alemanha.
- CEO do grupo Instituto da Inteligência
(Portugal, África e América do Su).
- Consultor e membro da Universidade do Futuro, em construção, em Portugal.
- Palestrante Profissional.

Memórias autobiográficas:

- Momento profissional 1: iniciei a escrita do meu primeiro livro aos 12 anos mas apenas foi publicado em 1980 com o título "5 Mil Anos de Transportes" (498 pág., 17 capítulos) onde conto a aventura do invento humano desde antes da roda até às viagens espaciais. Tive a colaboração do Jornal de Notícias, NASA, Boeing, numerosos museus de transportes, etc. O livro está exposto no Museu de Transportes do Porto (Portugal;

- momento profissional 2: atravessia do Atlântico entre Lisboa e Nova Iorque em barco de transportes (10 dias, em Agosto de 1969); nos meses seguintes, nos Estados Unidos, trabalhei em marketing para uma empresa do grupo Nestlé;

- momento profissional 3: formador convidado do curso de "Liderança & Economia Capitalista" para professores universitários de vários países a Europa de Leste, em Bratislava, República Eslovaca, 1992;

- momento profissional 4: fundação do Instituto da Inteligência, em 1998;

- momento profissional 5: meu estudo do perfil psicológico de José Mourinho, ex-coaching do Inter de Milão e do Manchester; atualmente no Real Madrid. Esse estudo foi pedido pelo jornalista J.Marinho, do canal SPORT TV e saiu no livro "José Mourinho - vencedor nato";

- momento profissional 6: nomeação para Diretor Nacional da EURADEC na Inglaterra e Diretor de Investigação em Psicologia na sede da mesma instituição, em Berlim (Alemanha), 2010.

Meus atuais emails:
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nelsonlima@europe.com (palestras)
uk@euradec.eu (profissional)

Meus blogs pessoais:
http://www.inteligenciaexecutiva.blogspot.com (português)
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http://www.executiveintelligence.blogspot.com (inglês).
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