Desde há muito anos que venho batalhando para que as pessoas distingam os problemas dos desafios. Muitas vezes é uma questão de perpectiva. Por exemplo, a forma como somos confrontados com um desafio novo pode transformá-lo num problema. Ora um problema é diferente de um desafio. E requer uma atitude mental diferente. Os problemas são geralmente tido como eventos penosos, aborrecidos, melindrosos, mais ou menos complexos, deprimentes ou assustadores, inquietantes e até estressantes. Já os desafios são vistos como um jogo. Eles apelam aos nossos melhores recursos como a inteligência, a imaginação, o conhecimento, o entusiasmo, o envolvimento emocional positivo, as nossas forças psíquicas (como a concentração, a acuidade mental, etc.). De fato, problemas e desafios são coisas distintas. Não obstante, têm muito em comum: exigem que os enfrentemos tendo em vista a sua resolução bem-sucedida. É óbvio quem nem sempre os vencemos. Isso, porém, é outro capítulo. Com frequência aceitamos como certo que os problemas resolvem-se com reflexão e os desafios com emoção. Ou seja, os problemas exigem mais inteligência. Os desafios requerem mais força anímica, entusiasmo, motivação (tudo coisas mais de foro emocional). Independentemente da natureza dos problemas, há pessoas cujas caraterísticas são adequadas para os enfrentar e resolver. Por exemplo, as pessoas otimistas, psicologicamente estáveis, sociáveis, ativas, empreendedoras e criativas costumam ter mais sucesso (e serem mais rápidas) na busca de soluções. Já os desafios, curiosamente, são menos exigentes!!! E sabem porquê? Porque enquanto os problemas são processados mentalmente como algo inconveniente e indesejável (quem gosta de ter problemas na vida ou no trabalho?), os desafios contêm eles mesmos o poder de nos cativar, entusiasmar e até apaixonar. Quem não gosta de um bom desafio que puxe pelas suas melhores energias (físicas e mentais) pois o que está em jogo é “ganhar” ou “perder”? É, por isso mesmo, que somos “viciados” em jogos (logo desde crianças) ou em atividades que nos mantêm na expetativa (como ler um bom romance ou ver um bom filme). Uma boa pergunta será então: como você encara habitualmente os problemas? Com nervosismo, incerteza, medo, ameaça? Ou com uma boa gestão da ansiedade, com auto-confiança, com valentia, com atitude positiva? É que, sejam quais forem os problemas, a forma como você os enfrentar vai ditar a sua melhor ou pior resolução. Uma estratégia bem conhecida e que ajuda bastante é ” transformar” os problemas em desafios. Como desafios eles vão solicitar de você uma reação bem diferente. Sua preparação mental será mais fácil. Sua concentração será menos dolorosa. E as possibilidades de encontrar alternativas, recursos adicionais ou soluções no mínimo satisfatórias são muito maiores. Problemas? Tente transformá-los em desafios. E peça ajuda, se necessário. Sem complexos. Nelson Limanelsonlima@europe.com (Alemanha)nelsonslima@yahoo.co.uk (Reino Unido)