Como lidar com "cisnes cinzentos" (eventos inesperados, mas não tão negros assim)
Michael Mauboussin, chefe em estratégia de investimentos na Legg Mason Capital Management, diz que a maioria dos eventos extremos, tidos como “cisnes negros”, improváveis, até não o são. São “cinzentos”. O especialista dá-nos cinco “dicas” para lidar com eles
Eventos extremos têm vindo a abalar a economia mundial. Basta referir três mais mediáticos
O primeiro leva três anos e já custou, numa contabilização provisória, mais de 50 biliões (triliões na designação anglo-saxónica) de euros, mais de 120% do PIB mundial estimado para 2009. É esta grande recessão que ninguém esperava ser possível no século americano e que como uma «matrioska» vai revelando novas bombas de destruição massiva.
O segundo tem umas semanas – uma nuvem de cinzas provocada por um vulcão islandês com um nome impronunciável (Eyjafjallajökull), que logo foi alcunhado de "disruptivo", bloqueou a mobilidade aérea de e para o espaço europeu por vários dias.
O terceiro ainda anda nas notícias de abertura dos telejornais e era tido pela BP, a dona da plataforma de petróleo, como improvável, mas está a candidatar-se a ser no Golfo México um desastre pior do que o provocado pelo "Exxon-Valdez" (em 1989, no Alaska), um dos maiores acidentes de derrame de petróleo.
Os analistas apressadamente os baptizam de "cisnes negros", a partir do famoso título (The Black Swan) do livro do ensaísta e especialista financeiro Nassim Taleb, um libanês radicado nos Estados Unidos.
Mas ainda que haja eventos extremos altamente improváveis, algo verdadeiramente desconhecido até ocorrer, muitos deles não são tão impensáveis assim se pararmos para os analisar, naturalmente depois de nos surpreenderem, refere-nos Michael Mauboussin, chefe em estratégia de investimentos na Legg Mason Capital Management e autor de Think Twice ("pense duas vezes, antes de se precipitar, não se deixe dominar pelo stresse", diz-nos com ironia), lançado em final de 2009 (Harvard Business School Press).
Mauboussin, que é também professor de finanças na Columbia Business School, recorda-nos que já Benoit Mandelbrot, o "pai" da ciência dos fractais, e o próprio Taleb, no livro referido, falavam de uma terceira variante – os "cisnes cinzentos", uma nova metáfora.
Aqui pode encontrar as CINCO DICAS de Mauboussin para lidar, na sua actividade de administração, com os tais "cisnes cinzentos" (por tabela, fica preparado para enfrentar também os "cisnes negros").
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Jorge Nascimento Rodrigues, português, nascido em 1952, editor na área de management, tecnologia, macroeconomia, geopolítica e história económica. Fundador e editor na Web de www.janelanaweb.com e www.gurusonline.tv. Bloguer em http://geoscopio.tv. Colaborador do semanário português Expresso desde 1983. Coordenador da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão (Indeg, Lisboa, e Fundação Getúlio Vargas,Rio de Janeiro). Coordenador Executivo da Editora Centro Atlântico. Autor. Pode ser contactado pelos emails: jnr@groupadventus.com e jnr@mail.telepac.pt
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Ilustração: Jorge visto pelo traço de Paulo Buchinho, um dos ilustradores portugueses de renome internacional. Pode ser contactado através do seu portal www.paulobuchinho.com.







