24 de janeiro de 2012, às 16h58min

Como usar o Twitter em educação

Você lembra daquela segunda aula de História no segundo colegial?

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Era no mês de março, a professora falou por 40 minutos sobre a importância de estudar História e deu inúmeros exemplos. Você lembra de algum?

Ela também disse 10 coisas muito interessantes, você lembra de quantas delas? 10,9,8,3,2,1 ou zero?

Você lembra qual foi a lição daquela aula?

Lição é o resumo de uma aula, aquilo que você deveria lembrar para sempre, o âmago da questão. Esqueceu?

E a segunda, a terceira aula?

Você lembra dos 10 pontos interessantes que ela disse? E das outras matérias?

Calculando por cima, você deve ter ouvido 72.000 pontos interessantes ao longo do seu ensino.

Você lembra de quantos?

Frases como "quem não estudar os erros da História irá repeti-los", "a maioria das guerras surgiram de erros de interpretação de motivos", e assim por diante.

Se você lembra de 720 pontos, seu rendimento foi de 1%.

Se você acha que 72.000 é um número exagerado, e que 36.000 é um número mais adequado então o rendimento do ensino brasileiro foi de 2%, ou talvez 20% porque você aprendeu "o jeitão da coisa" embora não lembre de detalhes.

A razão que você não lembra, é porque as pessoas esquecem.

Professores acham que dito uma vez, os alunos lembram para sempre. Dito uma vez em aula, e recapitulado pelo aluno uma semana antes das provas, garante lembrança eterna.

Que bobagem! As pessoas esquecem. Conhecimento humano precisa ser repetido, várias vezes, ao longo dos anos.

É isto basicamente o que as religiões fazem e o sistema educacional esqueceu de fazer.

A igreja repete, repete, repete, todo domingo os ensinamentos cristãos.

As universidades ensinam coisas novas, novas e novas, sem repetir.

E por isto, alunos esquecem 80 a 98% do que aprenderam.

Este é o grande desperdício da educação pública e privada.Acho impressionante que nossos Ministros da Educação não sabem que os alunos esquecem.

Acho impressionante que os Ministros da Educação dão diplomas para alunos que passaram nas provas do último ano, e não criam uma prova geral de proficiência na profissão incluindo as matérias do segundo e terceiro ano que a maioria já esqueceu.

Por isto, a maioria não passa nas provas da OAB.

Acho impressionante que Ministro da Educação lute para aumentar as suas verbas de 6% para 10% do PIB, sem perceber que o grande problema é o esquecimento.

Eu criei um hábito de colocar nos meus contatos telefônicos, os resumos de livros e artigos que leio. Coloco também o dia, mês e ano que li.

Criei o hábito de reler aquele resumo depois de uma semana, um mês, seis meses e depois reler tudo anualmente. Para não esquecer.

Mas agora lembro a maioria, porque releio tudo, todo ano.

Fico impressionado quando muitas vezes leio artigos meus que já havia esquecido tudo o que ali estava escrito.

O Twitter poderá ser um revolução na nossa educação.

É o que estou fazendo agora no Twitter, eu "reciclo" os artigos que escrevi na Veja, via Twitter.

Reli todos e pincei em média 5 frases importantes de cada artigo.

E coloco cada frase importante como um post no Twitter, com um link para o artigo original.

Coloco também a lição do artigo, que às vezes é o próprio título ou a frase final.

Tenho 2300 "tweets" prontos referentes aos meus artigos, e mais umas 500 de frases de efeito positivo que criei ao longo dos anos.

Elas vão aumentando com os novos artigos que escrevo no blog.

Disparo em média 5 por dia, o que significa que tudo isto se repete a cada 2 anos.

Assim, consigo que meus textos sejam lembrados, incorporados no dia a dia, jamais esquecidos, e se tornem parte da cultura e dos valores de todos os que se interessam pelos valores neles contidos.

Até eu aprendo lendo novamente com os artigos que escrevi, até eu esqueço alguns valores neles contidos.

Todos os professores deveriam twittar os pontos mais importantes dos seus cursos para seus ex-alunos pelo resto da vida. Para o resto da vida. Assim ninguém irá esquecer.

Não somente seria um método muito melhor de avaliação do nosso ensino do que as provas do Enem. Basta ver quantos unfollows os piores professores ou as piores matérias recebem.

Professores que os alunos preferem esquecer deveriam ser despedidos e não efetivados, como a maioria é.

Com esta experiência que ainda está sendo aprimorada, fico impressionado quantos replys recebo que apesar de um artigo ter sido escrito em 2003, ele continua atual.

Óbvio, a maioria leu, esqueceu, e não mudei nada.

Portanto, me perdoem se eu pareço repetitivo, pois esta é a intenção.

Repito porque eu sei que esquecemos 98% do que aprendemos se não refrescarmos a memória de tempos em tempos.

Quando meu número de unfollows crescer assustadoramente, saberei que é hora de me aposentar. Que espero, demore mais um tempinho.

 

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Autor
STEPHEN KANITZ é consultor de empresas e conferencista, vem realizando seminários em grandes empresas no Brasil e no exterior. Já realizou mais de 500 palestras nos últimos 10 anos.

Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Criador do Prêmio Bem Eficiente para entidades sem fins lucrativos e do site www.voluntarios.com.br.

Criador de Melhores e Maiores da Revista Exame, avaliou até 1995 as 1000 maiores empresas do país.

Sua experiência como consultor lhe rendeu vários prêmios: Prêmio ABAMEC Analista Financeiro do Ano, Prêmio JABUTI 1995 - Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio ANEFAC.

É árbitro da BOVESPA na Câmara de Arbitragem do Novo Mercado.

É também articulista da Revista Veja.

Títulos

"Master in Business Administration" pela Harvard University.

Professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
 
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