10 de março de 2010, às 11h03min
Conhecimento aplicado é poder
Os grandes pensadores da Grécia antiga, filósofos que influenciaram na formação da civilização europeia, tinham como prioridade a sabedoria. E para isso contavam apenas com uma inquieta companhia: a busca pelo verdadeiro conhecimento. Uma obstinação praticada em 400, 300 anos a.C, por meio da observação, reflexão e oratória.
Hoje temos à disposição cursos especializados e multidisciplinares, milhares de livros, trabalhos acadêmicos, jornais e revistas originários de todos os continentes, congressos, Internet, cursos a distância etc. Então, levamos vantagem em relação aos discípulos de Sócrates, Platão e Aristóteles, já que tal acesso a informação nos traz conhecimento?
Acredito que todas essas facilidades da civilização moderna nos oferecem um bom estoque de informação, ou seja, matéria-prima para a construção do conhecimento. Isso porque o conhecimento exige capacidade analítica das informações que nos chegam e uma dose de obstinação dos filósofos gregos para buscar o entendimento do mundo em que vivemos. Apenas assim não seremos aqueles que têm “uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada”, como definiu Charles Dickens.
Basta lembrar do pensador Peter Drucker. O pai da administração moderna possuía o poder do conhecimento, porque estudava o mundo, a natureza, o ser humano. E para elaborar seus conceitos recorria aos grandes pensadores da humanidade.
E o que Peter Drucker, o pai da administração moderna , fazia desse conhecimento? Debatia, disseminava seus estudos e visões e desenvolvia novos conhecimentos. Praticava o que defendia Platão, para quem “a coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento”. E para difundi-lo? Utilizava o poder da palavra. Com simplicidade e objetividade, expressava suas idéias por meio da oratória eficiente, assim como Sócrates nas ruas de Atenas.
Os pensadores de todas as épocas nos ensinam: os conhecimentos específicos inovadores dependem do exercício do pensar, do abrir-se para conhecimentos multifacetados e da habilidade de expô-los e também aprimorá-los.
Portanto, acredito que na vida corporativa precisamos de “líderes pensadores”, capazes de “ler o mundo”, transmitir e aplicar o conhecimento. Precisamos de lideranças aptas a raciocinar com a tropa e não a tocar a tropa. Como bem disse Ítalo Calvino, “quando tenho mais ideias do que os outros, lhes dou essas idéias. Isso é comandar.” E complemento: isso é liderança. Isso é poder.
Até a próxima!
Denis Mello (diretor-presidente do FBDE | NEXION Consulting (www.fbde.com.br) - Consultores e Auditores em Marketing, Vendas e Gestão Empresarial. E-mail: diretoria@fbde.com.br)
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