Copa e Olimpíadas insustentáveis
Pois bem, quando o Brasil foi credenciado à sede da Copa do Mundo mesmo? Não lembram? Foi em 2007, quatro anos atrás, pouco depois de sediarmos o Pan Americano. O que foi feito nos aeroportos e no sistema público de transporte nesse meio tempo? Quando foi que o Rio de Janeiro ganhou o direito de ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016? Não se lembram? Foi há um ano e meio, em outubro de 2009. O que falta para a APO ser constituída?
Se não me engano, em 2007 o Galeão sofreu uma grande obra. Lembro-me disso porque era um ano que eu viajava bastante e como o Santos Dumont só fazia Rio-São Paulo, era para lá que eu tinha de ir praticamente toda semana. Pergunto: o que foi feito no aeroporto que não apenas não resolveu, mas que não melhorou em nada a situação crítica em que ele se encontrava?
Sou completamente apaixonada por esportes e, para mim, Copa e Olimpíadas são motivo de orgulho para o país. Sempre fui otimista e achei que estes eventos seriam bons e rápidos meios para melhorar a estrutura das cidades. Achei que os erros do Pan poderiam servir de lição para 2014 e 2016, mas acho que me esqueci o fato de que são os mesmos velhos políticos que tomam a decisão sobre o dinheiro público. Ou melhor, sobre os mais de um trilhão de reais que pagamos anualmente de impostos.
E tudo isso é feito da forma mais sórdida possível: adia enquanto pode a decisão da licitação para as obras até se chegar ao ponto em que ela vira urgente e com um cronograma inviável para ser cumprido nos moldes da burocracia pública. Durante o Pan do Rio, a maioria das obras foi realizada nesse esquema, fazendo com que o custo do evento ficasse três, quatro, cinco vezes maior que o previsto inicialmente.
E para piorar o que já estava ruim, não houve preocupação alguma com a gestão dos legados. Instalações abandonadas, instalações fechadas, instalações sublocadas. Só um bom exemplo: não sei se vocês sabem o custo de construção do Engenhão e o custo mensal do aluguel que o Botafogo paga. Sabem quando o investimento vai se pagar? Coloquem aí alguns séculos.
Esse é o cenário político que está sendo desenhado para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Estamos jogando no ralo uma chance única. Para FIFA e para o COI pouco importa os meios, mas sim que no final das contas tudo esteja conforme o combinado. Não tenho dúvidas que daqui a três anos e depois daqui a cinco estaremos realizando magnificamente os dois maiores espetáculos da terra. Mas sabe lá a que preço e se realmente terá valido a pena.
Sou jornalista (com diploma), corredora de alto rendimento físico e baixo rendimento financeiro e diretora da Agência de Sustentabilidade, consultoria que trabalha a sustentabilidade na gestão de processos e tem foco em três segmentos: empresas, esporte e políticas públicas.
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Jornalista por formação, quero mudar o mundo. Por vocação. E para conseguir isso acredito que a forma mais "fácil" e viável seja através da sustentabilidade corporativa.







