30 de dezembro de 2009, às 20h23min

Cornaca inova - Xóia renova! - Parte II

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Cornaca inova - Xóia renova!  -  Parte II

--- continuação ---

 

Depois de sentir vontade de pegar toda a documentação, fazer uma fogueira, para queimar os papéis e a própria cliente, ou tranformá-la em matéria prima de uma impressora 3D, Zôio respirou mais fundo do que a bactéria que reside na camada entre o óleo e o cloreto de sódio do pré-sal, concordando em atender sem aumento de preço, às “novas necessidades” de Xóia. Esse nome remete à lembrança a Égua de Tróia e rima perfeitamente com Tramóia.

 

Mesmo atendendo Xóia com prejuízo, o atrevimento da sujeita, já atingia a velocidade da luz, pois optou por revisar o que já tinha sido visto umas cinco vezes.

 

Durante seis meses Zôio, atuou em um projeto com estimativa que contemplava a metade desse tempo e ainda estava longe de sua conclusão. Suavisou o aborrecimento, lembrando de Vega, sua elefanta. Durante o banho no rio, Vega agradecia ao Cornaca simulando um belo esguicho com sua jeitosa tromba. O inteligente bicho, por ter a plena aprovação do cornaca, brincava de chafariz com seu dono pelo tempo que lhe fosse permitido. Em tecnologia, Vega, ganhava dá Impressora 3D, produzindo alegria na alma de Cornellius Zôio.

 

É evidente, que Vega não era só doçura. Um dia Zôio precisou transportar um passageiro e como estivesse na hora da gigante dormir, Cornaca e Acompanhante foram arremessados há uma distância de quatro metros. Ou seja: Vega era uma amiga proboscídea (elefanta), mas exigia respeito! Que falta faz o Cornaca Eletrônico!

 

O serviço oferecido a Xóia, sem proposta, contrato ou recibo, zombava da informalidade e produzia como corolário (resultado) o desequilíbrio financeiro. Falha inaceitável. Haverá algum modo de corrigir?

 

Zôio aplicou-se em conceber alguns cenários de valores e prazos na planilha Xexel e percebendo que o prejuízo ultrapassava a estratosfera, fundiu a cabeça num calor estelar, recordando o processo de pasteurização do leite UHT (Ultra Hight Temperature). Amante de estrelas denominou sua elefanta, Vega, astro algumas vezes maior do que o sol e proporcionalmente mais aquecido que ele. A cosmologia diz que se alguém viajar na velocidade da luz, verá os corpos celestes parados. Isso levou o cornaca a refletir: A digitação agilizada, certamente motivará Xóia ao habitual refazimento do trabalho, transformando-o em um antivírus de computador, onde as atualizações são previsivelmente infinitas.

 

-- Xóia, trouxe um contrato para você apor sua assinatura. – disse Zôio – e disparou.

 

-- Esta será a única maneira de poder continuar a atendê-la. Pois estou precisando retornar a Mumbai para casar e tenho prazo para isso. Lá na Índia, os pais providenciam o matrimônio dos filhos. Papai poetou-me uma noiva. Se você não assinar, prefiro devolver o dinheiro. – Zôio, concluiu, entregando o documento a Xóia, olhando-a com a fúria dos proprietários de terras, personagens da obra, “As Vinhas da Ira, de John Steinbeck”. “Educados e gentis“ fazendeiros, deixaram os pés dos miseráveis arrendatários sem chão, esmigalhando com possantes tratores as frágeis cabanas ocupadas.

 

O contrato contemplava a remuneração das horas trabalhadas na conferência dos dados, as inserções de novos imóveis a serem digitados e entre outro monte de detalhes, o prazo pétreo (obrigatório) de seis meses para a conclusão do serviço.

 

Sendo obrigada a pagar pelas repetições, teimosias e rabugices, Xóia, em sessenta dias, agradeceu a Zóio pela iniciativa do contrato, assim como, sua finalização.

 

-- Zôio. Sou muito grata a você. Na verdade, cheguei a rascunhar uma ação litigiosa, quando sua soberba, maior do que a minha, impôs o contrato. Conversando com um advogado que se formou comigo, ele disse, que sua idéia era a única maneira de terminar o projeto.  – E Xóia, continuou:

-- Professor, Zôio, você assina este documento?

 

-- Sem problemas, disse o indiano-canadense. Era uma autorização para Xóia, usar o contrato de Zôio como modelo para seus próximos negócios.

 

-- Veja essa reportagem, Zôio. Você sabia que uma firma em Mumbai está fabricando um controle remoto para elefante, tipo um cornaca robô? Que tal nós entrarmos nesse mercado? Você atua na tecnologia e eu cuido da legalização e das eventuais demandas jurídicas.

 

-- Sabe, Zôio. Hoje que nosso serviço terminou, estou sentindo uma saudade muito grande de você. Tentei fingir que não conseguia aprender para retê-lo, mas você me deu o xeque-mate, formalizando o contrato. Desculpe se o amei, pois também sou indiana e já estou prometida em casamento, embora não conheça meu noivo. Papai ficou de mandar a passagem por esses dias. Seu programa continuará comigo, pois apesar de trabalhar no Canadá, os imóveis que administro estão todos fisicamente em Mumbai.

 

Zôio misturou suas lágrimas às de sua agora, tão amiga, Xóia. Descobrira nessa advogada, o fascínio pela perfeição, não se sentiria nem um pouco aborrecido, se um dia pudesse aprofundar o relacionamento com essa jovem. Perfumada com a essência indiana Shalimar e trajada com uma roupa de Mumbai, tornava-a mais bonita do que qualquer moça do país de Zôio. Renunciou a manter o pensamento de um futuro com Xóia, pois não queria trair a noiva que seu pai lhe daria a conhecer após a “Conferência do Clima de Blablablagen”, antes do final do ano. O aperto comercial de mão deu lugar desta vez a um beijo no rosto e um abraço com um torque que levou o casal até à constelação de Lira.

 

Meses depois...

 

-- Vamos dançar? – perguntou determinando, o muitíssimo alegre e quase rarípilo (careca) pai de Zôio.

 

Embora não conhecesse a noiva, Zôio sabia que seu pai tinha bom gosto – a mãe de Zôio era linda -- e certamente conseguiria no mínimo, uma princesa para o filho, que agora tinha dupla nacionalidade.

 

O pai do cornaca prosseguiu:

 

-- Gente, durante seis meses, conversei com uma jovem muito bonita. Mesmo com a tez preocupada, minha esposa, manteve profundo silêncio e por se recusar até em sonho a desconfiar de mim, jamais falou sobre o assunto. Com a sabedoria de minha bela mulher, conseguimos uma formidável e lindíssima pessoa para nosso filho. – e com empolgante expressão corporal completou:

 

-- Xóia, venha conhecer seu noivo.

 

Xóia, perfumada de mirra, como quando se despediram em Toronto, Canadá, tremia juntamente com Zôio de felicidade. Agora poderia configurar melhor o abraço e o beijo de Xóia, que lhe promovera da condição de escafandrista a astronauta. 

 

A estrela Vega cintilava um fulgor extraordinário, provavelmente pra iluminar sua xará aqui na terra, que com seus quatro mil quilos, mesmerizada (magnetizada) olhava pela janela o noivado do cornaca Zôio.

 

Um condutor de elefante convive com constantes desafios. É comum a prática em reverter situações. Satisfazendo uma vontade encubada por três quartos de ano, Zôio convidou a noiva para tomar ar fresco.

 

A noite em Mumbai, estava bonita, a brisa gostosa visitava o olfato do casal fundindo suas fragrâncias. Sob os pés do casal não parecia haver força de gravidade e ambos orbitavam o giro do amor.

 

Beijada com vigor, com voz semelhante a gorjeio de ave, a moça olhou o amado e disse:

-- Cornaca inova.

 

Zôio, havia até esquecido da Conferência do Clima de Blablablagen. E, re-oferecendo os lábios à noiva completou:

 

-- Xóia renova!

 

 

Fim

 

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Escrito por:

Palestrante
Gilberto Landim

 

http://gilbertolandim.blogspot.com/

 

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Autor
Analista de Sistemas. Formação: FGV, PUC, UNESA, Xerox, Microsoft, Oracle entre outras. Autor de vários trabalhos e do Projeto Venda$ Plu$, programa de treinamento apresentado nas versões: Palestra, Seminário e Curso. Foi desenvolvido para capacitação e reciclagem de Vendedores e Gerentes,compreendendo vendas técnicas e varejo.
Atualmente é Consultor de Treinamento da

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