27 de julho de 2010, às 11h46min

Desafios e prioridades 2010-2015

Qual a expectativa dos executivos brasileiros para os próximos cinco anos? E as principais prioridades para as empresas nesse período? Quais serão os pontos críticos para que os negócios prosperem não só no cenário doméstico, mas também num contexto global?

Por César Souza
 

Os CEOs brasileiros estão vivendo um momento de otimismo sem precedentes.

Tenho conversado com vários deles de diversos setores da economia e percebo que, ao mesmo tempo em que revelam uma extrema confiança no potencial de crescimento dos seus negócios para os próximos anos, não estão pensando em uma estratégia diferenciadora para o longo prazo.

 

A sensação é de que o cenário dos próximos cinco anos lhes parece tão promissor que eles decidiram concentrar suas prioridades no curto prazo. Tanto que o objetivo básico de todos é aumentar a rentabilidade e o faturamento das suas empresas e crescer no mercado doméstico, concentrado nos negócios atuais. A palavra que menos tenho ouvido é ...diversificação.

 

É claro que todos são cobrados por resultados de curto prazo, mas não se pode perder de vista a perspectiva de longo prazo da empresa. Não é saudável nem recomendável direcionar todos os esforços para o mercado em que já atuam e não se preocupar com outras possibilidades para o futuro. Isso pode gerar arrependimentos pois podem estar deixando a porta aberta para surpresas desagradáveis que já podem ser previsíveis.

 

É sintomático que a palavra diversificação não tenha sido mencionada. Muitas vezes o que não é dito é mais importante do que é dito, e o silêncio de uma palavra grita em nosso ouvido, por isso a eloqüência dessa ausência é preocupante, pois é a diversificação uma possível estratégia que pode mitigar os riscos dos negócios e permitir às empresas enfrentar eventuais turbulências do mercado. Não se pode apenas investir nos negócios atuais porque qualquer solavanco que ocorra no caminho pode prejudicar seriamente a sustentabilidade das empresas.

 

Como acredito que o papel do líder é garantir o presente enquanto constrói o futuro, ando um pouco apreensivo. Para se criar uma empresa auto-sustentável é preciso atuar nas duas frentes. Tenho repetido que o líder eficaz precisa ser "estrábico": um olho no presente, outro no futuro.

 

É a primeira vez que vejo tantos líderes dizerem que a inadimplência é uma coisa pouco importante. Isso me assusta porque pode levar ao surgimento de uma bolha de crédito, o que vai deixar uma conta grande para pagar se os empresários não forem cuidadosos com a concessão de crédito fácil agora. Mas esse dado não é um fato isolado: a despreocupação com o longo prazo vai ficando consistente porque são exceções os que mencionam planos de expansão internacional, de fusões com outras empresas e da abertura de novos negócios. Poucos revelam preocupação com uma possível invasão de concorrentes estrangeiros. É nítido que eles estão concentrados no aqui e agora, e ter foco é uma coisa saudável, mas foco em demasia pode levar à miopia em relação à construção do futuro.

 

Se o Brasil estiver de fato decolando, como se propaga mundialmente, empresas de todas as áreas voltarão seus olhos para o mercado brasileiro. Se não buscarmos novos parceiros e prospectar oportunidades de diversificação, corremos o risco de sucumbirmos e virarmos presas fáceis de empresas famintas por expansão.

 

Apesar do momento favorável que o Brasil está vivendo, não podemos esquecer que a próxima crise não será estrutural, como foi a última, e muito provavelmente será provocada pela chegada de novos concorrentes estrangeiros, atraídos pela ótima fase que o país vem atravessando. O problema é que se o Brasil é de fato a bola da vez, vai se tornar uma noiva cobiçada e muitas empresas estrangeiras vão ficar interessadas em conquistá-la.

 

O Brasil 2010-2015

 

Qual a expectativa dos executivos brasileiros para os próximos cinco anos? E as principais prioridades para as empresas nesse período? Quais serão os pontos críticos para que os negócios prosperem não só no cenário doméstico, mas também num contexto global? Essas e outras perguntas são exploradas na pesquisa O Brasil 2010-2015 – O cenário dos desafios e das prioridades nas empresas, um estudo feito em parceria pela Empreenda Consultoria e a HSM junto a 1065 executivos brasileiros de primeiro escalão.

 

Faça o download aqui em PDF.

 

 

César Souza (cesarsouza@empreenda.net) Consultor, autor, palestrante e presidente da Empreenda Consultoria nas áreas de Estratégia, Mkt e RH. twitter.com/cesar_souza - www.blogdocesar.com.br - www.empreenda.net

 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/desafios-e-prioridades-2010-2015/46762/