
A prática de Head Hunting pode ser definida como a prestação de serviços em subsistemas de Recrutamento e Seleção destinados a identificação, atração e avaliação de profissionais especializados e / ou destinados a ocupar postos executivos e estratégicos dentro de uma organização. A forte e marcante característica deste trabalho é a conduta específica do Consultor de RH no audacioso processo de rastreamento destes talentos, mesmo que eles já estejam trabalhando.
O Head Hunting que presta este tipo de serviço no varejo, tende e tenderá nos próximos anos a encontrar alguns desafios em sua jornada, singelamente, eles podem ser organizados nos seguintes tópicos / eixos:
-Os salários do varejo são menores do que diversos setores (Financeiro, Indústrias, etc). Localizar alguém que já está trabalhando em outro seguimento e tentar trazê-lo para o Varejo, pressupõe no mínimo uma equiparação salarial ou pacote de benefícios mais atrativo;
-Embora haja formalmente leis que vetem a solicitação de experiência profissional em um mesmo cargo, informalmente, ainda encontramos empresas solicitando estabilidade profissional superior a isso. O varejo é um dos pioneiros nesta exigência, neste sentido, trazer pessoas que já estejam empregadas há anos, pressupões no mínimo que este profissional foi submetido a 1 dissídio por ano de estabilidade, o que encarece mais ainda o valor do seu ordenado;
-O varejo é referência em mudanças (Processos, pessoas, estrutura, estratégias, outros) e seu dinamismo. Há riscos que estão diretamente ligados a instabilidade profissional que possam vetar um executivo do segmento industrial ou financeiro por exemplo, de trocarem a sua cômoda posição, pelos riscos, instabilidades e desafios do varejo;
-Partindo do princípio de que estas pessoas teoricamente não estão buscando emprego, ou seja, são localizadas pelo Hunting, elas passam a se sentir valorizadas, tendo esta consciência, passam a exigir altas propostas salariais, o que para o varejo é ruim, na medida em que ele tem trabalhado com remunerações variáveis;
-Há no varejo um elevado índice de turn over. Esta rotatividade traz como conseqüência a rápida e dinâmica circulação de informações empresariais entre os concorrentes, o que conseqüentemente, afetam os Huntings do seguimento, fazendo por exemplo, com que eles disputem não apenas profissionais intra - setores, mas também, entre setores.
-O porte das empresas do varejo são extremamente desiguais, há empresas de 20.000 funcionários, como há empresas de 1.000 funcionários. O Hunting pouco tem a oferecer ao colocar na balança que o executivo está sendo convidado à vir para um seguimento dinâmico, de baixo ordenado fixo, onde ele trabalhará dobrado e terá mais desafios, no qual os erros do negócio e de sua gestão afetam diretamente a remuneração variável de seu ordenado final;
-Para a maioria dos empresários do setor, essa prática não é bem vista, pois pode desestruturar uma empresa que está indo bem em sua administração, bem como o mercado consumidor e os preços, com isso, seus Altos executivos tem feito acordos "de cavalheiros" que impedem o hunting de captar profissionais entre e intra setores;
-O tempo gasto para mapear empresas concorrentes no varejo é muito maior do que os outros seguimentos devido à quantidade de unidades de negócio presentes na Diretoria Comercial, Negócios e Expansão;
-Executivos a serem "huntiados" para o Backoffice de empresas do varejo, tenderão a dar mais trabalho e maior dificuldade para o hunting, na medida em que a "prata da casa" do varejo são as vendas, ou seja, há desproporcionalidade de salário e benefícios em uma mesma empresa ao falarmos de postos na diretoria comercial x diretoria financeira por exemplo.
Enfim, ao olhar para os desafios diretamente ligados a esta prática, podemos concluir que do ponto de vista do hunting, o profissional que trabalha com a prática e que por ventura, venha a se especializar no varejo, tenderá cobrar um preço mais elevado / diferenciado pela sua prestação de serviços, na medida em que desafios peculiares no processo de recrutamento e seleção de executivos para este segmento, tem se tornado cada vez mais complexo, árduo e extenso. Novas ferramentas não apenas direcionadas ao rastreamento, mas à venda da proposta aos candidatos deverão ser pensadas para o Hunting Varejista da próxima década. Cursos ligados a inteligência de mercado certamente complementam o currículo deste profissional.
Pensando no lado dos executivos que pretendem migrar de outros setores para o comércio varejista, penso que eles terão que trabalhar certos comportamentos, bem como a flexibilidade, afim de se adaptarem aos novos cenários. O Hunting, antes de tudo é um profissional de RH e pode muito bem indicar profissionais com restrições e estratégias de desenvolvimento vinculadas a ela, como por exemplo, um coaching.
O varejo é uma grande porta para executivos de 3º idade que tem encontrado dificuldades em recolocação. Ao flexibilizar sua pretensão salarial, ele adéqua os valores ao que é oferecido no setor, o varejo por sua vez, devido a dificuldade em oferecer salários fixos atrativos, acabará flexibilizando aspectos como a possível resistência em trazer profissionais de mais idade, como é freqüentemente acompanhado pelos consultores de RH no setor industrial.
Por fim, pensando pelo lado das empresas do varejo, penso que os seus Diretores e executivos, em especial a Diretoria de RH, tem um grande desafio pela frente, na medida em que terão que trabalhar melhores planos de cargos, salários, remuneração, sucessão, atração e retenção de talentos, caso mantenham suas audaciosas metas de crescimento e permanência no mercado.
Sobre o Autor: Eduardo Alencar é Consultor de RH e Hunting de empresa líder na comercialização varejista de artigos esportivos em toda América Latina, colunista de portais de psicologia e administração de empresas, moderador dos sites http://dicionarioderh.blogspot.com e htt://videosparaensino.blogspot.com, membro e pesquisador associado da ABPMC (Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental) desde 2004, possui formação técnica em administração de empresas, graduação em psicologia pela UNINOVE/SP, Pós graduação em Terapia Cognitiva e Comportamental pela USP, Extensão universitária em Organizational Behavior Management e em Acompanhamento Terapêutico pelo Núcleo Paradigma de Analise do Comportamento/SP, Especialização em Grafologia pelo Instituto Paulo Sérgio, formação complementar em Metodologia de Vendas Friedman e Analista de Treinamento pela Integração Consultoria.
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/desafios-sobre-a-pratica-de-head-hunting-no-varejo/43246/