Disputa eleitoral brasileira: ricos x pobres?!
O presente artigo visa esclarecer as intrigas e ofensas acerca dos lados dominantes na política no cenário nacional, os quais acabaram incorporando as facetas de rico e pobre. Ainda enfatiza a importância da Gestão dos dois lados na ADM Pública e traz uma visão de um Governo ideal para o país.
eleitoral deste ano.
Nota: Sobre os ''entendidos'', vale ressaltar que os mesmo dominam conhecimentos técnicos sobre o assunto, mas deixam transparecer (e muito) seu lado preferido na política, ao invés de respeitar um dos princípios da administração pública, que é a impessoalidade, ou seja, não se beneficiar em detrimento aos interesses da grande maioria, a população como um todo.
Retomando o enfoque principal da discussão, chega a ser cômico a estratégia de alguns integrantes de coordenação de campanha, principalmente para cargos majoritários, que usam de artimanhas de cunho muitas vezes apelativos em troca de votos. Corroborando tal afirmação vale relembrar as estratégias adotadas por políticos em véspera de eleição, como afagos em crianças de colos, usando-as como se fosse um adereço em um desfile de moda, para finalmente posar para fotos e o grande público em volta. Neste momento, não temos ricos x pobres, temos homens de bom coração que prometem mais que podem cumprir, pois existem uma série de fatores que os impedem, como leis, queda de arrecadação, entre outras. Às vezes por incompetência, principalmente em sua principal função, que é a tomada de decisão, que configurasse até na delegação de cargos e funções.
Nota: A Administração Pública moderna não suporta mais a ineficácia proveniente de administradores públicos sem competência, pois os processos se tornaram complexos, exigindo um alto nível de conhecimento e capacidade.
O fato é, que o processo de tomada de decisão dos representantes públicos afeta tanto ricos, quanto pobres, em maior ou menor grau. Claro, que vale ressaltar que uma população de baixa renda tende a sentir com mais veemência os prejuízos causados pelas decisões tomadas de forma equivocada, pois não tem uma estrutura que os faça pelo menos se segurar no patamar onde estão.
Por tal fato, causa-se certa estranheza ao abrir jornais ou blogs de organizações importantes, com colunistas gabaritados que, ao decorrer de seus textos sempre conseguem um jeito de ''cutucar'' o lado que em tese defende os mais necessitados. A estranheza parte do princípio em que se tal lado ajuda os mais necessitados, ou seja, a grande maioria da população. Então por que é criticado fortemente por pessoas as quais possuem um nível social tão alto?
A ressalva vem a seguir: Tal lado, de fato, tende a fazer políticas públicas que visem o bem estar social da parte mais fragilizada da população, entretanto tal quanto o lado ''rico'' da disputa tem apoio de magnatas da alta sociedade, o que os impede de certa forma de completar suas benfeitorias a todos, tendo como exemplo os altos juros cobrados pelas instituições financeiras, levando em consideração que as mesmas bancam as campanhas de ambos os lados.
Já no que tange dos aspectos do lado tido como rico da campanha, é brutalmente dilacerado com tal alcunha, que será um governo para uma margem pequena da população, ou seja, a que menos precisa. Além disso, é incessantemente recriminada e bombardeada por isso. Vale enfatizar novamente o fato da desigualdade social, levando em consideração que novamente esse lado tem um nível cultural maior e às vezes não é bem aceito pela maioria da população por não conseguir expressar suas idéias de maneira a agradar os menos favorecidos, por dois fatos: falha de comunicação (gerando interpretação confusa) e pré julgamento dos interlocutores. É válido lembrar ainda, que às vezes tal lado faz jus as alcunhas e pré julgamentos levantados, pois em nada ajuda para a mudança de sua imagem ante a população, reforçando ainda em muitas vezes seu lado arrogante e prepotente no tratamento para com os cidadãos de classes sociais inferiores as suas.
Para tanto, a classe tida como defensoras dos menos favorecidos, bate violentamente na tecla de que só ela irá defendê-los, pois conhece a fundo o que se passa com os mesmos, levando em conta que vivem no mesmo meio. A certa razão em tal raciocínio, mas ao mesmo tempo há de se convir também, que a aparente redundância nos leva ao diagnostico de uma espécie de discriminação contra as demais classes sociais, partindo do pressuposto que todos tem capacidade de entender o que acontece nos mais diversos meios.
É neste ponto que as coisas tendem a ficar esdrúxulas. A política nacional, tanto em âmbito federal, quanto no municipal, tende a se tornar uma batalha entre '' o bem x o mau'', ou seja, o lado rico neste momento é o mau, e o pobre, em contrapartida, se torna o bem.
Em tempos de outrora, até mesmo em âmbito municipal, a situação era o inverso da apresentada até o momento. Aí, tem-se um fato curioso ao qual deve-se atentar: Como ocorreu tal mudança de paradigmas?
A resposta pode até parecer complexa, mas é simples.
Em meados dos anos noventa, quando o país voltava ao regime democrático (pelo menos na teoria), algumas mudanças eram aclamadas pela população, o que em contrapartida exigiria outras mudanças um tanto quanto imperceptíveis aos olhos do grande público. Fora a partir de tais mudanças que o cenário começara a mudar no país.
Como o país viria de um período conturbado tanto política, como economicamente, necessitava-se de um projeto um tanto quanto audacioso no que tange da organização da administração pública, para conseqüentemente ofertar serviços com qualidade à população, sanando ou até mesmo amenizando as carências dos mesmos.
Muitos poderiam confundir, ou melhor, dizendo, relacionar audácia com as idéias um tanto quanto mirabolantes do Governo Fernando Collor de Melo, mas não passa diretamente por isso. As mudanças, um tanto é verdade, vieram também por causa de tal cidadão, que foi ousado, é verdade, mas ao mesmo tempo fora um lunático no poder. As mudanças efetivas foram idealizadas no Governo Fernando Henrique Cardoso, as quais podemos em síntese enfatizar a melhora econômica e estrutural ( muito conduzida é verdade por Luiz Carlos Bresser Pereira, através de seu Plano de Reforma Gerencial utilizado até hoje pela Administração Pública moderna), as quais conduziram o país a uma melhora significativa, ante a períodos anteriores, queiram os críticos ou não.
Neste momento, tínhamos o lado do bem ''glorificados'' na figura do Governo FHC, que era proveniente de uma vertente de pensamento mais técnico do que populista. Por serem adeptos de tal vertente de pensamento, acabaram por terem seu modo de administração aprovados, pois os resultados eram notórios. Tanto fora verdade, que o presidente FHC fora reeleito em primeiro turno no seu segundo mandato.
Entretanto, queiram os adeptos ao modelo tucano de governo ou não, o mesmo peca no que podemos chamar de populismo, assistencialismo ou até mesmo política social. Tal modelo nada mais é que uma técnica de aproximação para com a população, não somente governando em cima de leis e planejamentos, e sim de resultados obtidos através de políticas que visem um auxílio à população mais necessitada e não somente a estrutura organizacional da Administração Pública. Pode-se ainda defini-la, como uma forma de marketing, onde o Governo demonstra mais preocupação de sua imagem diante da população, concedendo aos mesmos benefícios diretos como bolsa família, bolsa escola e por ai em diante.
O modelo do Governo FHC deixou todo esse processo estruturado, mas não teve competência e nem discernimento para aplicá-lo, pois o carisma exigido para a contemplação de tal política, não característica louvável dos tecnocratas ou intelectuais.
Com o país organizado, chegara a hora de o lado pobre dar o ar da graça e se tornar o mocinho da história.
Nota: A alcunha de pobre (ou rico) é uma mera ilustração a imagem que as duas principais facetas políticas de nosso país (entenda-se PSDB e PT) passam a população, podendo ser confirmada na origem dos partidos e seus filiados, nos tipos de decisões e políticas públicas planejadas e principalmente nas declarações de seus filiados.
Com um ar muito mais paternalista (extremamente) e com um carisma inigualável (somente talvez pelo saudoso Getúlio Vargas), o presidente Lula conseguiu dar andamento a fase final da nova faceta da Administração Pública. Com um país estruturado, o Governo Lula conseguiu, com maestria, colocar em prática de forma primorosa (queiram os críticos ou não) as políticas públicas voltadas mais para o social.
Outro ponto benéfico do Governo Lula, fora a continuação de políticas ou implementação de projetos já planejados por gestão anteriores, não adotando a prática costumeira de seus antecessores que era de começar tudo novamente para não dar créditos a governos anteriores. Além da competência e principalmente do carisma, Lula ainda teve a seu favor a população mais carente, pois fora administrar o país ao lado deles, e não somente trancado em seu gabinete. Até por isso, sua popularidade nas alturas, irá lhe render um sucessor.
Vale enfatizar a diferença entre os dois modelos: Um voltado para o Planejamento Técnico, ante outro voltado para Políticas Sociais ou Assistencialismo.
Por tais aspectos apontados acima, fica evidenciado que o primeiro recebeu a alcunha de lado rico, em contrapartida o segundo de lado pobre.
Fica a pergunta: Qual o melhor lado?
A resposta ideal seria uma fusão entre as duas vertentes de pensamento, pois um país sem planejamento técnico não está preparado para enfrentar eventuais distorções provenientes da globalização, ainda ressaltando que o Estado passou a ser de Direito, o que dá ao cidadão, até garantido por Constituição, direito a serviços de qualidade, que supram suas necessidades, além de políticas públicas que visem à diminuição da desigualdade social predominante no Brasil.
O que vale no final das contas, não é votar no Bem ou Mau, Pobres ou Ricos. Está guerra empobrece e dificulta ainda mais a fomentação de temas importantes no debate eleitoral, levando em conta que a credibilidade de nossos representantes não anda lá essas coisas. Deve-se olhar para o futuro, para o que realmente importante para o país, e conseqüentemente para a população.
Em jogo está à qualidade de vida da população, seu bem estar social, pouco importando o lado que está no poder, mas importando a qualidade de nossos governantes, além de seus projetos, que visem uma estrutura melhor do país, possibilitando assim uma perspectiva positiva de vida para todos os brasileiros.
Curta o Administradores no Facebook e siga os nossos posts no @admnews.
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Cursando MBA em Auditoria e Controles Internos - UNIFEG
Cursando Especialização em Gestão Pública - IFSULDEMINAS
Cursando Especialização em Docência para Educação Profissional -SENAC/MG
Instrutor de cursos sobre Administração e Contabilidade.







