Diversidade organizacional como condição para a vantagem competitiva
A diversidade é o caminho para que nossas empresas tornem-se mais inovadoras, capazes de produzir bens úteis e tornar os seus trabalhadores realizados. Fazê-la avançar é um desafio também para gerentes e executivos que precisam formar sua equipe de forma efetivamente justa
O instituto ETHOS e o IBOPE divulgaram na última quinta-feira, 11 de novembro, dados da pesquisa Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas e suas ações afirmativas, que revelam como a desigualdade racial e sexual ainda é grande nas empresas brasileiras. Eis uma oportunidade irresistível para questionarmos a meritocracia e sua efetividade em nossas organizações produtivas e o potencial impacto das ações afirmativas empresarias em busca de uma distribuição justa do trabalho de estafe em nossa economia.
Embora o número de negros em cargos funcionais nas empresas brasileiras tenham aumentado de 25,1% em 2007 para 31,1% em 2010 e a sua participação em cargos de direção tenham aumentado de 3,5% em 2007 para 5,3% em 2010, o fato é que tais números revelam uma imensa desigualdade de oportunidade em relação ao homem branco quando se considera que 51% da população brasileira é negra e que a participação das mulheres em cargos de chefia recuou de 35% para 33,1% no mesmo período.
Costuma-se reduzir a questão da diversidade organizacional ao ponto de vista de uma ética do dever, ignorando o que isto significa nos termos de uma ética do bem, existencial, cujo ponto de vista é o da construção de uma sociedade com igualdade de oportunidades e efetivamente meritocrática, ou seja, desenvolvida. Ora, não se pode considerar desenvolvido um país em que uma raça e/ou um gênero se apropria de determinadas oportunidades de trabalho e chefia profissional em detrimento de outras, transformando o processo de divisão do trabalho e especialização produtiva numa instituição social que visa à reprodução de privilégios.
Este argumento constitui-se a partir de uma constatação lógica: se os homens e as mulheres em suas diferentes raças possuem as mesmas capacidades e dentro destes segmentos as vocações são distribuídas de maneira proporcionalmente equivalente, posto serem produtos de características inatas, próprias do ser em sua humanidade, a distribuição do trabalho em nossa economia necessariamente seguiria a participação das diferentes raças e gêneros em nossa população. Logo, admitidas como verdadeiras as premissas acima é preciso investigar o porquê desta angustiante incoerência.
O fato é que a desigualdade de oportunidades é a causa deste paradoxo. Diferenças nas oportunidades de acesso à educação de qualidade e o papel da renda familiar e da força do vínculo conjugal na capacidade formativa familiar, afetam-na decisivamente, mas não a explicam completamente. E isto porque falta apontarmos o papel das burocracias corporativas e seus processos seletivos privilegiantes nesta desigualdade.
Toda organização burocrática, que possui uma distribuição do trabalho ordenada de acordo com competências funcionais, seleciona seus trabalhadores de acordo com critérios técnicos, mas também estamentais. O chefe contrata um subordinado que apresenta mérito técnico, mas que também compartilha com ele valores e preferências estéticas próprias de determinada classe social. Pode-se citar exemplarmente preferências políticas, de lazer, e, principalmente, de visão de mundo.
A diversidade é também o caminho para que nossas empresas tornem-se mais inovadoras, capazes de produzir bens úteis e tornar os seus trabalhadores realizados. Fazê-la avançar é um desafio não apenas para o governo e as famílias, mas também para gerentes e executivos que precisam cuidar para não atravessar a tênue distinção entre seleção por competências e perfil profissional por seleção por pontos de vistas pessoais, estéticos e políticos.
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Procuro enfatizar as relações entre o empreendedorismo e a estratégia empresarial dentro do objetivo adminstrativo de "tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado"( DRUCKER), por acreditar ser este o principal desafio da administração contemporânea.
Ser capaz de conciliar os interesses e expectativas dos stakeholders da organização, inclui a implementação acrítica das tecnologias exóticas e a capacidade de explorar e desenvolver convenientemente as competências internas organizacionais.
Avançar na direção da superação deste desafio e me preparar para oportunidades de trabalho e pesquisa na área gerencial são minhas principais expectativas nesta comunidade.
Abs,
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