01 de fevereiro de 2012, às 17h28min

Efeito Facebook – Porque não comprar suas ações

Entre as principais razões, há pelo menos 5 argumentos que me parecem muito sólidos para desmestificar o valor do Facebook. Leia o artigo completo e comente.

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Nestes dias, por quaisquer revistas e jornais de negócios que você passar, inevitavelmente, lerá sobre a abertura de capital do Facebook.

 

O mercado, exaltado, luta para ter uma participação na empresa de tecnologia mais valorizada dos últimos anos.

Lendo tantos argumentos de que a compra vale e que ter parte da empresa é o sonho de qualquer, lúcido, investidor, vou pelo caminho oposto e quero expor por quais razões eu prefiro manter distância das ações da empresa...

Primeiro Motivo

Vantagem competitiva: Qual é a do Facebook?

Muitos dirão que ter 800 milhões de contas é, por si só, uma vantagem sólida, o que eu discordo completamente. Assim como a empresa conseguiu, em pouquíssimo tempo, angariar uma multidão de usuários, outra poderá, um dia, fazer o mesmo. Portanto, o que a empresa oferece hoje, além de ser incerto no futuro é extremamente frágil e duvidoso.

Quem conhece tecnologia e acompanha o mercado entende o que eu digo quando traça um paralelo com outras empresas. Lembra-se da febre do Orkut no Brasil e seu abandono poucos anos depois? Por mais que tentem provar que o Facebook é diferente, só com a passagem dos anos poderemos saber.

Segundo Motivo

Quando uma empresa é avaliada, parte do que se paga por ela tem como base o que ela poderá gerar no futuro.

Através de um histórico passado, consistente, crescimento e lucros sólidos não é tão inacessível supor que a empresa repetirá este mesmo processo por determinados anos. O problema é quando uma empresa tem um crescimento vertiginoso e passa a ser alvo de histeria coletiva do mercado que dá, para este crescimento, uma perigosa importância, acompanhada da incerta certeza que crescerá sempre.

Mais do que 80% do valor total do Facebook não está baseado no que ele é e gera e sim no que irá gerar no futuro já que supõe-se que, ao conectar milhões de pessoas, tem-se o poder de gerar dinheiro perpétua e ininterruptamente. Em que essa afirmação se baseia? Além de pura conjectura, está distante do que a minha razão e experiência podem se apoiar.

Terceiro Motivo

Você sabe, em realidade, para que serve uma rede social?

Se respondeu que é permitir o acesso e a conexão entre pessoas de uma forma fácil e direta, tem razão, em parte, porque ela pode ser bem mais do que isso. E, sendo apenas isso, como ter a segurança que outras, melhores, não surjam em breve?

Você sabe, em realidade, o que existe nela que é imprescindível aos que a usam?

Imagine o mundo sem Facebook. Além do costume das pessoas em se conectar naquele ambiente, o sofrimento não será tão amplo... pessoas vivem, se comunicam (rapidamente), trocam posts, se atualizam, interagem, encontram amigos, jogam, conversam, bisbilhoteiam, fofocam, se informam e tudo o mais que as redes permitem, com ou sem Facebook.

Não há dúvida que esta é uma das melhores redes sociais já lançadas até hoje.... mas, até hoje.... A vantagem competitiva de hoje pode se transformar em poeira amanhã...

Quarto motivo

Já que afirmo que a empresa está exageradamente supervalorizada pelo excesso de fé em um futuro incerto, na ocasião de seu IPO a supervalorização será multiplicada pelos custos do lançamento, cobrando do mercado toda a estrutura que investiu para abrir o seu capital.

Razão e Fé:

Quanto há de razão e quanto de fé há na empresa?

Sobre o mercado

Obviamente o mercado acionário não se baseia apenas em números e avaliações racionais. Sabemos que o que se imagina que será é o que predomina para ser, isto é, partindo-se do princípio que a empresa está mais fragilizada ou fortalecida para suportar determinada oscilação fará com que algumas ações subam, desçam, e despenquem deixando, em alguns casos, a empresa efetivamente enfraquecida ou fortalecida. Outro motivo é a "perda de interesse" em seguir com determinados papéis por ter a conclusão que não irão subir mais, vendendo-os e comprando outros mais atraentes. Com essa lógica, nem tão lógica, o mercado se realimenta e sobrevive.

Grandes bancos e profundos conhecedores de investimento comprarão as ações do Facebook, esteja certo, não por acreditarem na longevidade e segurança dos papéis e sim para alimentar o fluxo do mercado conseguindo ganhos rápidos e especulatórios.

A questão é, até quando estarão em alta? Se o valor dos papéis não se baseia em solidez efetiva alguma, quando esta pseudo-solidez desmoronará?

Com tudo isso não estou querendo dizer que a empresa não tem valor nenhum ou irá, em breve, quebrar, afirmo, apenas, que o seu valor no mercado está completamente desprovido de bom senso e um dia a realidade inevitavelmente chegará e, com isso, muito dinheiro poderá desaparecer.... e, para os que argumentam que o inverso também poderá ocorrer, ou seja, que ela poderá crescer e ganhar, concordo, mas argumento com probabilidades matemáticas, ou seja, se o Facebook está valorizado e incompatível com a sua capacidade objetiva de gerar lucro, prefiro me basear no mais lógico e factível.

Quinto Motivo

Existem milhares de papéis de empresas extremamente sólidas que por décadas geram bons lucros e estão preparadas para seguir, firmemente, em rumo deste mesmo futuro.

Algumas empresas oferecem perspectivas muito vantajosas, outras, menos conhecidas e muito menores oferecem meios para que se valorizem 100% em aproximadamente 18 meses, com isso, questiono... se o "mais certo", ainda pode ser muito lucrativo, por que investir com TANTO RISCO no incerto?

Termino com a história...

1929, Quebra da Bolsa Norte Americana.

1930, Um jovem analista de Wall Street, Benjamin Graham, percebeu que a maioria dos investidores não dava a mínima importância para os aspectos econômicos de longo prazo das empresas que estavam comprando e vendendo.

Percebia que a oscilação causada pelos especuladores do mercado causava níveis ridiculamente altos, em relação aos seus valores reais, da mesma forma que, por outro lado, fazia com que os papéis atingissem níveis insanos em relação ao que efetivamente ofereciam e, dessa forma, havia uma oportunidade ímpar para ganhar dinheiro.

Dessa forma, chegou à conclusão de que se as empresas fossem compradas, subavaliadas, ou seja, abaixo de seu valor intrínseco de longo prazo, o mercado em algum dia refletiria sobre estes valores, corrigindo o erro e em algum momento as ações seriam reavaliadas e se valorizariam.

Alguns anos depois, outro jovem, Warren Buffett, baseado nestes ensinamentos, aperfeiçoou tais convicções e comprou empresas... essa história todos conhecem mas o que talvez não se lembrem é que em 1999 Buffett se recusava a comprar os papéis altamente valorizadas das empresas de tecnologia, principalmente as de internet, quando o mercado afirmou que ele estava ultrapassado....

Pouquíssimo tempo depois, inúmeras empresas quebraram e a famosa "bolha" da internet só foi enxergada, depois de estourar.

2012

Facebook lançará suas ações a preços estratosféricos... você compraria?

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor

Nascido em São Paulo, trabalha há alguns anos com consultoria administrativa, especializando-se na reestruturação de empresas deficitárias e negócios internacionais.

Com vivência na Europa, pôde se especializar em novos ambientes empresariais, participando de cursos e elaborando projetos de consultoria em comércio exterior.

Hoje, em conjunto com diversos profissionais de vários setores, dedica-se a trabalhar na avaliação, compra e venda de empresas.

 
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