12 de junho de 2009, às 10h10min

Efeitos do poder disciplinar na vida pessoal

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Dia desses fui requisitada por uma pessoa que precisava de aconselhamento profissional. Sentou-se à minha frente e começou a relatar o problema que vinha enfrentando:
Disse-me ela que, no início da carreira profissional, teve a sorte de encontrar um superior que motivava sua equipe ensinando a delegar tarefas com responsabilidade. Naquele tempo, dizia ela, treinei e desenvolvi minhas habilidades de liderança. O tempo foi passando e tive a oportunidade de entrar em outra organização, onde pude colocar em prática meu aprendizado de conduzir um grupo de pessoas, motivando-as a aderir aos objetivos da organização; de tomar descisões compartilhadas; de tomar atitudes, tendo sempre em mente a gestão de pessoas e a visão do todo.
Com isso fui me especializando em minha área de atuação, tendo em mente que nada conseguiria se não fosse com a colaboração de outras pessoas. Trabalhei em indústria, em banco e no segmento de serviços; em qualquer um deles, percebi que não havia segredo: o que importava era conquistar autonomia com responsabilidade e respeitar os companheiros para motivá-los a fim de que pudessem contribuir para o sucesso da empresa.
E daí perguntei a ela: - se sua trajetória profissional foi permeada de sucesso, o que traz você aqui? Com os olhos brilhando ela me disse: - ocorre que estou trabalhando numa organização, cuja cultura e conduta são tradicionais, por isso altamente centralizadora. Sim, respondi, e isso a incomoda?- Muito, respondeu a moça. Acontece que já tenho ali muito tempo de serviço e desde que aí ingressei, mesmo ocupando cargo de liderança, venho sofrendo fortes pressões do poder disciplinar. Isso significa que não tenho poder de decisão, o que diminui minha performance profissional. Fico impedida de ações pró-ativas e tão pouco reativas. Basicamente cumpro ordens e isso está me deixando “enclausurada”, “engessada”. Além disso, sinto-me como se estivesse sobre vigilância contínua , praticada literalmente através do uso de sistemas de inspeção eletrônicos que codificam as atividades individuais de quem ali trabalha,
Conforme olhava para minha cliente, podia sentir a tristeza que emanava de seu interior, porém, me segurava para não interrompê-la. Meu papel num primeiro momento é ouvir.
Após o relato, a cliente me disse que se sentia moldada por um sistema interno permeado de poder, fazendo com que ela não só se tornasse profissional altamente subordinada hierarquicamente, como também sentindo na pele reflexos insustentáveis a quem quer progredir na carreira. Atuando daquele modo, a carreira almejada não fazia mais sentido, vez que nem sabia se ainda conseguiria liderar, tomar atitudes, decidir no momento certo, e o pior, - nem sabia se voltaria a ser a profissional de antes. Após seu relato, parabenizei minha cliente pelo fato de ela procurar ajuda e por ter feito aquela leitura sobre sua carreira.
Disse a ela que esse processo de rigor excessivo, na administração de pessoas, é prática oculta e que o fato de ela trabalhar em segmentos diferentes fez com que ela apresentasse menos resistência ao cumprimento de ordens e de tarefas, além de não ser capaz de estabelecer comparações entre trabalhos anteriores.
Achei interessante quando ela mencionou a questão do “enclausuramento”., do “engessamento” o que denota a tentativa de alterar seu espaço social de convivência. Quanto ao sistema de controle eletrônico, por ela mencionado, tal tecnologia legitima a autodisciplina e o autocontrole de forma tão natural, que, basicamente, se torna imperceptível, tornando-se também prática oculta.
Entenda que esse clima de pressão constante por resultados sob a forma de competições entre equipes e a constante insegurança por não ter garantias de crescer na carreira, ou mesmo de manter o próprio emprego, implicará, com certeza, doenças relacionadas ao trabalho, à superficialização dos relacionamentos pessoais, com impactos consideráveis à vida pessoal.
Freud já dizia que o sofrimento humano advém de três fontes: do próprio corpo, do mundo externo e dos relacionamentos com outros homens.
O fato de cumprir ordens e de se submeter à forte subordinação hierárquica, é atributo que, de modo geral, faz parte de qualquer sistema capitalista. O que mais se destaca para mim na fala da cliente é o sofrimento criativo. O desafio agora é buscar o equilíbrio psíquico, mesmo que submetida à organização desestruturante de trabalho.O desafio agora é modificar o destino do que desagrada e favorecer sua transformação, não sua eliminação, o que seria impossível.
Algumas pessoas correspondem às expectativas da empresa sem adoecer pois utilizam estratégias de enfrentamento contra o sofrimento, denominada de defensivas, as quais propiciam a manutenção do equilíbrio psíquico.
Após essa reflexão, a cliente, agora mais segura de si, ficou de rever seus conceitos; os efeitos que o sofrimento criativo traz para sua carreira; ficou também de rever habilidades e competências, que sempre pautaram seu caminho e que, sem dúvida, foram marcados por sucesso e insucesso.
Minha mensagem é de que quando o sofrimento patológico ou criativo se instalar em sua vida, em decorrência do trabalho - está na hora de mudar. Nesse caso, convém colocar em prática as estratégias defensivas, para conseguir enxergar com mais clareza o que a acomete e, assim encontrar maneiras alternativas de ser mais feliz e de manter o equilíbrio emocional e psíquico, tão necessário à sobrevivência sadia e saudável nesse competitivo mundo do trabalho. De resto, só sucesso a aguarda!
 

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Autor
*Maria Bernadete Pupo é consultora de RH, Coaching certificada pela ICC - Internacional Coaching Community,  professora universitária do UNIFIEO e autora do livro “Empregabilidade acima dos 40 anos” (ed. Expressão & Arte). Contato: mbpupo@terra.com.br

 
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sou pne por acidente do trabalho posso, ha vagas para mom.
 
ta bom. mas preciso enderecos de microempresas da grande Para. Como posso conseguir? manda pro meu e...
 
Pertinente. Portugal está na merda mesmo.
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