Ou prefere correr riscos e "fazer" sua própria grana?
Estas e outras questões sobre as diferenças entre gente que tem vocação para ser empregado e empreendedor foram abordadas por Max Gehringer no programa Fantástico da Rede Globo no último domingo.Por achá-las muito pertinentes resolvi comentá-las aqui, e claro dar meus pitacos.
No Brasil muita gente acaba por se tornar empreendedora por força das circunstâncias. Perdem o emprego e muitas adentram no mercado informal. Viram-se para ganhar dinheiro. Outras, por possuírem melhores condições de escolaridade montam seus próprios negócios.
Na minha área, por exemplo, há milhares de consultores, sem nenhuma experiência no que é consultoria. Como o mercado é míope, raramente distingue um que conhece o que faz, daquele que ficou desempregado e resolveu virar consultor!
Outros, consultores, nunca adentraram no contexto empresarial. E mesmo assim dão cursos e palestras dentro de empresas. A competência técnica é condição básica para ser um empregado ou empreendedor!
Os exemplos são muitos, mas o que difere um dos outros- empregados de empreendedores- é aquele chamado interno, ou vocação.
Existem pessoas que preferem a estabilidade, trabalhar em equipe, ter um salário fixo, e uma série de benefícios, fazerem parte de uma organização ou time, ter um horário fixo e trabalhar para alguém.
Estes são os empregados, aqueles que por vocação preferem ter um emprego. Sentem-se seguros desta forma.
Outros, ao contrário, preferem liderar, não gostam de muitos palpites sobre o seu trabalho, sentem-se bem sozinhos, tem pulso firme, trabalham muito e sem horário e muitas vezes até prejudicam sua vida pessoal em função de seu trabalho, e adoram correr riscos. Estes são os empreendedores!
Apesar das diferenças básicas serem nítidas, muita gente por desconhecimento absoluto de sua vocação insiste, sem sucesso, em ser ou um empregado ou um empreendedor.
Um empreendedor, de fato, é aquele que cuida de seu negócio, não o abandona. E é exatamente por este motivo que em muitos casos a vida pessoal destas pessoas é um verdadeiro desastre!
Claro, que pra tudo é necessário equilíbrio. Mas um empreendedor sabe que se ele abandonar o barco, o seu sonho irá por água abaixo. Empreendedores, não deixam na mão dos outros aquilo que demoraram ou colocaram uma energia e tempo enorme para construir!
Alguém com vocação para empregado, por outro lado, sai de férias, viaja nos feriados, e sabe que quando voltar à empresa onde trabalha ela estará lá.
Muita gente também confunde investidor com empreendedor.
Um investidor é apenas alguém que tem dinheiro suficiente para disponibilizar num determinado negócio. O investidor apenas "cobra" resultados. Ao passo que o empreendedor bota a mão na massa literalmente.
Há algum erro em ser deste ou daquele jeito?
Claro, que não!
Não há mérito algum em ter vocação para empreendedor ou para empregado.
Quem conhece sua vocação não aceitará se "enquadrar" naquilo que não tem a menor característica, talento ou crença!
Vendedores e corretores de imóveis, por exemplo, são profissões que têm como características principais o empreendedorismo. Um vendedor, raramente quer um salário fixo mensal, mas sim "fazer" o seu próprio salário!
No ano passado, a pedido de uma empresa-cliente, que queria mudar o perfil de corretor de imóveis no Brasil, já que o ramo imobiliário cresce a cada dia no nosso país, me contratou para fazer o processo seletivo de mais de 100 vagas!
Fiquei horrorizada ao descobri que a maioria dos candidatos queria um salário fixo!
Apesar da aptidão de muitos para a vaga, à primeira dificuldade a maioria preferia ir atrás de um emprego com carteira assinada. Faltava-lhes garra, uma característica fundamental para um empreendedor.
Algumas empresas, por modismos empresariais, têm colocado nos requisitos de perfil a palavra "empreendedor". Esquecem que empreendedores de fato, não tem lá muita paciência para lidar com chefes. Como falado pelo Max Gehringer e reforçado por mim neste texto, empreendedores gostam de trabalhar sozinhos. São líderes, e só pedem palpites quando querem.
Portanto, insistir no enquadramento de gente, ou achar que é melhor ser assim ou assado, é burrice.
Que cada um descubra fazendo coaching, cursos, ou psicoterapia qual é a sua verdadeira vocação. E quando descobrir pare de tentar enganar os outros e principalmente a si mesmo dizendo ser um empreendedor, quando na verdade é um empregado, ou vice-versa.
As definições de cada um, empregados, e empreendedores, são muitos claras. A prática mostra exatamente estas características. Pra quê complicar?
Quando se sabe o caminho a seguir na vida, não se cobiça o do outro. Você será feliz e pleno em suas atividades. Seja gerindo e alavancando um negócio próprio, ou contribuindo para um grupo como empregado.
Ninguém é igual a ninguém!
Texto fonte em O Melhor do Piauí
Autora Suely Pavan Zanella
Edição e postagem Francisco Lima