27 de setembro de 2007, às 17h49min
Empreendedorismo e ambiente estudantil
<b>O ambiente estudantil tem as condições ideais para o surgimento de idéias, desenvolvimento inicial de novos negócios e preparação de futuros empreendedores.</b>
Infelizmente, poucas escolas estão conseguindo acompanhar as mudanças e evoluir seus métodos para ensinar e preparar adequadamente as novas gerações. Muitas escolas e universidades terão que ser reinventadas para formar os jovens que viverão num cenário onde os empregos, em sua velha concepção, serão cada vez mais raros, mas onde haverá sempre muito trabalho. Muitas dessas instituições de ensino jurássicas parecem acreditar que novos empreendedores, empreendimentos e empregos para os seus egressos surgirão por geração espontânea.
O estudante que, ainda muito jovem, já define um setor para atuar e empreender ganha um tempo precioso no seu caminho para adentrar no mundo dos negócios. Dessa forma terá facilidade e tempo disponível para obter informações preciosas junto a empresários experientes, professores, consultores e associações de empresas. No período estudantil, as pessoas se conhecem melhor e amizades sólidas são formadas. É um ótimo tempo de observar e estudar os colegas como possíveis futuros sócios ou colaboradores. É uma ótima oportunidade para um estudante rico em idéias e empreendedor, ainda que pobre financeiramente, encontrar um parceiro com pais ou parentes mais abastados que lhe facilite a viabilização de um novo negócio depois da graduação.
Muitas empresas tradicionais estão abertas a receber e dispostas a ensinar seus métodos para jovens estudantes. Um estágio ou um primeiro emprego numa empresa sempre terá um significado ou objetivo diferente para um estudante que já foi inoculado na escola com o vírus do empreendedorismo. Os estágios são oportunidades raras para um futuro empreendedor conhecer procedimentos, culturas e experiências empresariais que levaram anos para serem construídas e custaram muito caro para serem desenvolvidas. Nos estágios é possível conhecer e estabelecer redes de contatos dentro de um determinado setor de interesse. É preciso alertar que nos estágios o aprendizado tem limite nos princípios da ética. A busca de conhecimentos práticos jamais poderá extrapolar os limites éticos e confundir-se com atitude leviana ou ato de espionagem empresarial. Os desvios ocorrem quando algum estagiário age de maneira inescrupulosa, rouba segredos industriais ou comerciais vitais, clientes importantes ou “empregados chave” da empresa que o recebeu de braços abertos.
Como ainda poucas escolas brasileiras estimulam o empreendedorismo, é normal que as empresas funcionem como verdadeiras escolas para novos negócios - ou seja, acabam produzindo seus próprios concorrentes. No sistema de livre mercado, os bons empresários não costumam temer a concorrência de empreendimentos implantados por ex-estagiários ou ex-empregados. Eles sabem que só conseguem sobreviver e vencer as empresas mais inovadoras e competitivas, fundadas ou não por ex-empregados ou ex-estagiários.
Eder Bolson, empresário, professor universitário, autor de “Tchau, Patrão!” – Editora SENAC.
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Empresário, fundador de cinco empresas e professor universitário. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS com mestrado pela North Dakota State University dos Estados Unidos. Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada. É um estudioso do empreendedorismo que sempre estimula as pessoas a planejarem e implantarem seus próprios negócios. É membro brasileiro da World Future Society. É autor do livro “Tchau, Patrão!” - Editora SENAC.
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