Empresa espiritualizada
Caros amigos Edivaldo, Delcio, Celso e todos que de alguma forma estão interessados neste tema tão importante que é o resgate dos valores morais e éticos que eu estou chamando de espiritualidade organizacional.
Vocês têm razão, para uma verdadeira espiritualidade organizacional há necessidade de a organização prover os meios e caminhos para criar o verdadeiro clima organizacional que propicie tal estado de espírito.
Como afirma Peter Senge, as organizações não têm recursos humanos, pois, estes são a própria empresa. Apesar de Senge ser considerado um antiRH, na verdade ele tem razão, são as pessoas é quem tem que mudar a atitude para que a empresa possa fazer o mesmo.
No longínquo século XVII Bento de Espinoza, um dos grandes racionalistas dentro da Filosofia Moderna já dizia; "nada existe que não tenha alguma consequência", por esta razão o homem precisa refletir sobre o seu papel social.
O ser humano precisa construir o seu novo ser, construir uma nova empresa, mais humana, mais espiritualizada, fazer com que de certa maneira a empresa seja refém do homem e não o homem refém da empresa.
Construir um ambiente e um novo colaborador com espírito ético, fraternal e
voltado para o resgate de uma hipoteca social, para isso somente ter boas intenções não basta.
Isto significa que a existência de uma empresa espiritualizada não deve ser pensada apenas em função de seu potencial de lucros, mas, há que haver a consciência de que ela está inserida num sistema social mais amplo, logo, ao se pensar a existência de uma empresa espiritualizada e socialmente responsável, deve-se fazer tendo em vista os impactos desta sobre esse sistema.
Infelizmente ainda hoje existem gestores cujos únicos valores estão inseridos numa planilha de Excel e não nos verdadeiros valores morais e éticos, na verdade o cerne da construção de uma empresa espiritualizada gira em torno da preponderância do fator ético sobre os demais.
A ética é o pressuposto primeiro quando se imagina uma empresa espiritualizada. É sentir-se corresponsável pelos problemas dos colaboradores e depois pelos problemas da sociedade.
Quantas empresas se dizem espiritualizadas e socialmente corretas perante a sociedade, publicando balanços sociais de feitos extraordinários e internamente tratando seus colaboradores como trabalhadores do século XIX?
A empresa espiritualizada deve possuir objetivos sociais e instrumentos sociais para dentro e para fora de seu ambiente, os quais não devem se confundir com práticas comerciais e/ou objetivos econômicos.
Numa empresa espiritualizada não existe a separação entre o planejamento estratégico e as políticas sociais.
O social é uma variável indispensável para a concepção da estratégia, muito diferente das ações assistenciais de algumas organizações cujo objetivo principal é se locupletar dos necessitados.
Muitas empresas não espiritualizadas se preocupam mais em anunciar o que vai realizar do que efetivamente realizam.
Este tipo de atitude não é nada ético e ser ético é um grande negócio.
Trata-se de um investimento que traz muitos frutos.
Se a empresa for transparente e correta, as pessoas terão confiança tanto nos seus executivos quanto no trabalho e no produto da empresa.
O comportamento ético é um impulso natural por agir corretamente nascido da nossa livre compreensão das coisas.
É essencialmente espontâneo.
É naturalmente orientado para não causar dor ou sofrimento às pessoas e fazer o bem sempre que possível.
O respeito profundo por si e pelos outros é a base do comportamento ético e isto deve estar inserido em qualquer construção dos valores empresariais.
Cada vez mais se torna fundamental que as empresas assumam não só o papel de produtoras de bens e serviços, mas, também o de responsável pelo bem-estar de seus colaboradores.
Para tornar-se uma empresa espiritualizada é preciso que tenha como valores centrais à honestidade, a integridade e o respeito às pessoas.
É preciso acreditar firmemente na importância fundamental de se promover à confiança, a abertura, o trabalho em equipe e o profissionalismo e, principalmente, com orgulho do que se faz.
É importante entender que os valores empresariais subjacentes é que devem determinar os princípios da empresa e estes princípios devem se aplicar a todas as suas ações, além, é claro de descreverem o comportamento que se espera de cada um de seus colaboradores na condução de suas atividades.
A empresa deve reconhecer que o seu comportamento deve se equiparar com as suas intenções para que possa crescer pautada em valores éticos e morais e se tornar uma empresa efetivamente espiritualizada.
Também em uma empresa espiritualizada é necessário que cada colaborador olhe para si com estima, sendo humilde e tendo consciência de suas limitações e defeitos.
Entender que para ser vitorioso é necessário que busque constantemente a perfeição através de pequenos passos e no combate aos pequenos defeitos e para isso é importante que se deixe ser ajudado.
Num mundo de aceleradas mudanças, a pior atitude a que empresa pode ter é a de querer viver totalmente "limpa" no sentido pejorativo do termo - isto é - não se envolver, não se comprometer, não participar.
Sobreviver, hoje é ter coragem de se "sujar" um pouco na lide das causas pelas quais vale a pena lutar.
É preciso participar de projetos sociais, sejam eles filantrópicos ou culturais, construir uma relação saudável com seus colaboradores, sem medo de se sujar.
Empresas não espiritualizadas não querem correr nenhum risco e por isso não se comprometem com nada e ainda criticam aquelas que tentam fazer a sua parte.
Estas só esquecem que assim agindo os clientes também se sentem livres para não se comprometerem com elas e assim acabam ficando isoladas num mundo onde o isolamento é fatal.
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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
É autor dos livros
1- Caminhos da Administração.
2- A trajetória de uma executiva de sucesso.
3- Espiritualidade Organizacional







