03 de maio de 2011, às 10h45min

ENTRENIMENTO E INOVAÇÃO

Pelo fato do entretenimento tendo que adaptar-se às tendências do mercado atual, uma vez que o tempo destinado às viagens se delimita a um curto período, fazendo com que os destinos turísticos sejam replanejados, temos os parques temáticos pensados para essa solução.

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Devido ao escasso tempo do homem da sociedade pós-industrial e o crescimento das sociedades globalizadas, estamos hoje entrando na era do consumismo, sobretudo, aquelas sociedades em desenvolvimento socioeconômico e o surgimento de uma nova cultura global.

A Sociedade de consumo tem um forte apelo que é satisfazer necessidades e gerar novas até então desnecessárias. Essa sociedade apresenta desvantagens e vantagens, dentre esta última está o aspecto econômico que gera novos postos de trabalho e formas de como utilizar esses recursos gerados.

O tempo total de que as pessoas dispõem se divide em tempo biológico, tempo de trabalho e tempo livre. O tempo livre se subdivide em tempo morto, tempo comprometido e tempo de lazer, sendo que o tempo de lazer ainda oferece o tempo de turismo, tempo de recreação e a opção para usufruto de outras atividades.

A diferença entre Lazer e Entretenimento está no tempo em que se destina esta prática, já que o Lazer engloba o Tempo de Turismo e o Tempo de Recreação, sendo que neste último encontra-se a opção do Entretenimento, a realização de uma atividade específica.

O usufruto do tempo não depende unicamente do desejo pessoal, mas principalmente do poder aquisitivo. Muitas pessoas ocupam parte do seu tempo livre para outras atividades que lhe proporcionem um ganho extra. A busca pela transformação do tempo livre em ócio criativo, coincidindo trabalho, estudo e jogo é uma mudança de paradigma, caracterizada pela junção de novas fontes energéticas, novas divisões de trabalho e novas divisões do poder. Porém, se somente um desses fatores se alterarem, ocorrerá uma inovação, enquanto que se todos mudarem simultaneamente acontecerá um salto de época.

Pelo fato do turismo ser uma área do setor de prestação de serviços, deve adaptar-se às tendências do mercado atual, uma vez que o tempo destinado às viagens se delimita a um curto período, fazendo com que os destinos turísticos sejam replanejados. Dessa forma, as opções de lazer que apresentam maior demanda são as que oferecem o máximo de diversão e realização em menor tempo.

Foi a partir desta constatação que surgiram os parques temáticos, uma opção de entretenimento que tem como público alvo à comunidade local, e os turistas como uma conseqüência desta oferta propiciadora de emoção. Os parques de diversões surgiram efetivamente no fim do século XIX, nos Estados Unidos, com a finalidade de movimentar as estações de trem que ficavam ociosas nos fins de semana. Nas estações finais foram construídos parques com diferentes formas de entreter a população daquela época, dando início assim a indústria do entretenimento. Porém, temos registros de um parque de diversões na Dinamarca, em 1583.

O primeiro parque temático que se tem notícia é o Knott´s Berry Farm, localizado na região de Los Angeles. Inicialmente, no final da década de 20 a família Knott´s possuía um estabelecimento onde eram vendidas geléias. Como a qualidade dos produtos trazia mais e mais clientela, a fila de espera começou a aumentar demais, preocupando os proprietários, que trataram de construir uma atração para entreter aqueles que esperavam - uma pequena cidade fantasma do velho oeste. Estava criado, já na década de 40, o embrião do parque temático Knott´s Berry Farm, que em 1999 recebeu 3,6 milhões de visitantes.

Mas podemos dizer que o mestre da diversão propiciada pelo artificial, criada e construída pelo homem, foi o Grupo Disney, que surgiu em meados de 1920, mas só em 17 de julho de 1957 foi inaugurado o primeiro parque temático específico do mundo, a Disneyland, em Los Angeles, na Califórnia. Na década de 1960, o Grupo Disney projetou um parque muito maior, que viria a ser implantado em 1971, no estado da Flórida. No Brasil o primeiro parque temático específico foi o parque Beto Carrero World (1992).

O parque temático tem que ser um empreendimento que utiliza temas diferenciados e tem como objeto mercadológico o estímulo da atividade turística, além de um conceito de fantasia, de um novo mundo interativo. Quanto aos parques temáticos específicos, possuem áreas extensas e delimitadas, com inúmeros atributos naturais e objetos de preservação ambiental, submetidos às condições de inalienabilidade e indisponibilidade. A realidade deve parecer um sonho e o sonho realidade. É a maravilha do homem interagindo com a natureza.

Para implementar um parque temático é necessário primeiramente um estudo de vocação da área e uma análise da viabilidade do projeto, empresas foram criadas com este objetivo de criar sonho para seus usuários, afirma Leonardo Fontenele empreendedor visionário do Grupo IMAGIC “Acreditamos que o destino de um empreendimento começa a ser traçado no momento de sua concepção, pois sua performance final estará intrinsecamente ligada à sua capacidade de comunicar-se com seu público-alvo”. Certamente, se o investimento estiver desvinculado com a vocação da região, ele não obterá o sucesso almejado, por isso a localização é importantíssima. Em seguida, vem a definição do tema e a compra dos equipamentos, importados na sua maioria. Outro fator importante é a capitalização do público. Um bom atendimento garante a satisfação do cliente e desperta à vontade de retorno ao parque. O padrão de qualidade e a renovação das atrações garantem também um funcionamento contínuo, independente dos efeitos naturais. Somente um produto diferenciado é capaz de atrair visitantes longínquos. Os parques, como qualquer empreendimento, exigem infraestrutura local, caso não exista, contribuem para o desenvolvimento desta e também exigem serviços adequados. O quadro de funcionários pode englobar todas as faixas etárias, do estagiário ao aposentado, porém a motivação do mesmo é imprescindível para a qualidade do parque.

Quanto aos investidores brasileiros, na maioria são bancos, construtoras e fundos de pensão nacionais, que são atraídos pela recuperação média de 20% ao ano do capital investido. A parceria com empresas estrangeiras é feita no setor de prestação de serviços.

Deve-se levar em consideração os prós e contras da instalação de um parque temático. Dentre os fatores positivos podemos citar o desenvolvimento local, a geração de empregos, a arrecadação de impostos, a maior opção de lazer e diversão, a fixação da população local, uma vez que a localidade oferecerá oportunidade a essa população, a melhora da infraestrutura, a intangibilidade do setor e o trabalho com base mercadológica grande a preço baixo. Estes fatores atendem tanto a população local como os turistas, lida com o lado alegre e lúdico da vida, tende a ter uma curva de crescimento constante pela renovação da população e pela revisitação e finalmente, a falta de concorrência, já que se trata de um setor novo no país. Sem falar na necessidade do ser humano de interagir, de sentir todas as emoções que os parques proporcionam: a adrenalina, o contato humano, a socialização.

Como fatores negativos temos a necessidade de grande capital, a sazonalidade e as alterações climáticas, erros conceituais de projeto e avaliação dificultam a recuperação do empreendimento, necessitam muita mão-de-obra (bom para a localidade e ruim para o parque) e o alto custo dos equipamentos.

Quando o governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e aumentou as linhas de financiamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o setor, ficou mais fácil investir nos parques. A redução do IPI foi gradativa, chegando até a sua isenção. Com isso muitos projetos foram anunciados, mas, em junho de 1997 o IPI voltou a ser cobrado para o setor, fazendo com que muitos desses projetos não saíssem do papel, bem como as linhas de crédito junto ao BNDES passaram a ser mais exigentes.


Enfim, com a valorização cada vez maior do tempo de lazer e entretenimento na vida do brasileiro, com a flexibilização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) possibilitando as férias fragmentadas durante o ano, a busca pelo entretenimento será cada vez maior, contribuindo para o bem estar da população, tanto do visitante como do receptor que terá nos centros de lazer mais uma opção de emprego e geração de divisas para a localidade onde estes complexos estão inseridos.

 

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Autor
Ulysses Hempel, Diretor da HEMPEL CONSULTORIA, formado em Administração de Empresas e Economia, MBA em Gestão Empresarial pala FGV-RJ, Especialista em Organização & Métodos, 20 anos na área executiva, atuando em empresas públicas e privadas, realiza Workshops de Desenvolvimento Gerencial.

 

 

Atuação na implantação de diversos modelos organizacionais e Planejamento Estratégico, com ênfase no gerenciamento de projetos de porte corporativo. Muita experiência com integração organizacional.Vivência significativa com os procedimentos técnico-administrativos de todas as áreas de Marketing, Administrativo, Financeiro, Logística e Recursos Humanos.

 

 

 
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