27 de dezembro de 2009, às 19h25min

Esperar não é saber quem sabe faz a hora – Claudio Raza

Por Claudio Raza
 
No ócio de final de ano, comecei vasculhar o passado para comparar com o presente e visualisar o futuro, deparei-me com as músicas e poesias de Geraldo Vandré, desconhecido pelos jovens e esquecido pelos mais velhos.

Fixei-me especialmente na música “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, e fui saboreando cada verso e comparando com os dias atuais, nessa época eu tinha 25 anos e vivia cada momento (1968), pois estava no olho do furacão na faculdade de Economia Mackenzie, na Rua Maria Antonia, em São Paulo.

Analisei os versos desta música não no sentido da luta da época, mas como pesquisador da evolução dos gestores e governantes de 41 anos atrás, não são 4 anos de mandato, mas equivalente a 10 períodos de governos.

Com esse mesmo período o Japão se recuperou da destruição da guerra e é hoje uma potência econômica, mesmo com ajuda dos Estados Unidos na destruição e na reconstrução.

Nos paises onde 60 a 70% da população não sabe ler e escrever ou não consegue interpretar pequenos textos ou mesmo somente desenha seu nome é considerado analfabeto. O povo não escolheu essa situação, alguem decidiu por elas.

Nosso país é tido como o celeiro do mundo, a terra do petroleo, do pré-sal, do etanol, do bio combustivel, o pulmão do mundo, maior reserva de agua potável do mundo, do povo sem preconceitos, com libertade total, pacífico e finanlmente o país do futuro.

Vamos ajustar um pouco a nossa lente ou limparmos a nossa vidraça que está um pouco embassada, dificultando nossa visão.

Agora sim vejo melhor, com os olhos do entendimento, poderosos dominando sobre os mais fracos e famintos, nas carvoarias crianças que deveriam estar nas escolas, mas precisam trabalhar para não morrer de fome, pais dando suas filhas á prostituição por falta de opção ou políticas públicas dos nossos governantes, no sertão pessoas impedidas pelos poderosos de ter agua, comida e trabalho, o tráfico de drogas e o contrabando, dando emprego e dominando, pois a ausencia de governo cria um governo paralelo.

Todo início de ano mães fazendo filas nas escolas para garantir vagas e educação para seus filhos o que deveria ser o contrário sobrando vagas, professores despreparados por falta de políticas públicas de apoio e treinamento,

Quanto aos impostos a carga tributária é a maior do mundo inviabilizando qualquer negócio e esses recursos são mal administrados e até mesmo jogado fora com obras inacabadas, propinas, corrupção em benefício de poucos.

Estudos elaborados pela FGV, Fundação Getúlio Vargas, indica que a construção civil, contratará mais 180 mil trabalhadores em 2010, desde a indústria ao servente de pedreiro, mais os engenheiros.

Será que temos profissionais treinados para peencher estas vagas ou iremos importar mão de obra dos países vizinhos? Aí é que entra os versos da música de Vandré “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”; mas já imaginou se nossos governantes soubessem fazer a hora e não esperassem acontecer e abrissem frentes de trabalho, tais como manutenção e reparos, não remendos das rodovias nacionais, construção e ampliações de portos, aeroportos, presídios de segurança máxima, utilizando os próprios presidiários com redução de penas.

Também nossos governantes não esperando acontecer, “Nas escolas, nas ruas campos, construções somos todos soldados armados (de pás, martelos, colheres de pedreiros, lapis, canetas e uma vontade imensa de trabalhar para mudar) ........ e cantando e seguindo a canção somos todos iguais braços dados ou não...”, convocar e treinar pessoas para o futuro próximo na contrução de postos de saúde, novas escolas técnicas profissionalizantes, hospitais públicos, etc..

Com essas pequenas atitudes iriamos resolver em grande parte o desemprego nas classes menos favorecidas, mas iriamos criar outra situação a que já estamos encontrando, falta de qualificação profissional. Mas, isso é ótimo para o SENAI, SEBRAE, SESC, SESI, Escolas Industriais Profissionalizantes, aquelas que ainda restam e não foram desativadas.

Iríamos trazer de volta os brasileiros que foram para os Estados Unidos, Canada, Japão, Australia, etc. Trabalhar na construção civil, entregar pizzas, faxineiros, cabelereiras, manicures e tornaram-se profissionais excelentes.

Em 2014 teremos a Copa do Mundo, em 2016 as Olimpíadas, o pré-sal já está aí e exigindo profissionais qualificados, o crescimento das usinas de combustíveis, o turismo brasileiro sem projetos e infra-estrutura hoteleira para atrair turistas que será a grande fonte de renda brasileira, mas e os profissionais que utilizaremos estarão preparados, tais como, cosinheiros, copeiros, arrumadeiras, gerentes, guias turisticos, outros profissionais da culinária internacional, vamos prepará-los agora ou vamos esperar acontecer.

Verificamos que pequenas atitudes dos governantes trariam grandes resultados para o país, mas para isso precisamos de Administrados, Gestores, Planejadores nas cúpulas governamentais.

Infelizmente não conseguimos pensar e planejar a médio e a longo prazo, só pensamos no dia de hoje, é uma cultura nacional que precisa ser mudada.


Claudio Raza – Economista .c.raza@terra.com.br – www.razaconsulting.com.br
 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/esperar-nao-e-saber-quem-sabe-faz-a-hora-claudio-raza/37164/