11 de março de 2008, às 19h02min

Essencial e Fundamental

Por Joaquim Donato
 

Essencial e Fundamental

Na vida há coisas que são essenciais, outras que são fundamentais. Definir, entender e por em prática cada uma delas é muito importante para que a vida tenha sentido.

Essencial é aquilo que não se pode viver sem, isto é, a essência de sua vida e felicidade. São situações, experiências, sentimentos, ações e emoções sem os quais você se sentiria (se sentirá) incompleto, vazio, menor: amor, amizade, verdade, honestidade, sensibilidade, sensualidade, saúde, educação, segurança, diálogo, cuidado com o próximo, etc.

Por sua vez, fundamental é o que nos permite chegar ao que é essencial. São os degraus que temos que subir, a lição de casa que temos que fazer, o trabalho que devemos realizar, os desafios a vencer, os obstáculos a transpor, as oportunidades que não podemos deixar escapar. São coisas como dinheiro, casa, assistência médica, programas de segurança, sistemas de educação de qualidade, etc.

Coisas fundamentais estão inseridas no contexto do ter/fazer; enquanto que coisas essenciais estão voltadas para o ser/sentir.

São direções opostas, mas que devem obrigatoriamente se cruzar, de modo que as coisas fundamentais façam surgir as essenciais. Por esta razão, o fundamental só satisfaz se for conquistado com o objetivo de atingir algo que esteja no grupo de coisas essenciais.

Dinheiro é um exemplo clássico: do que adianta ganhar muito dinheiro e não ter tempo para curtir a família e os amigos?

Quando somos questionados sobre o que realmente é importante na vida, nos surpreendemos, pois dedicamos muito mais tempo acumulando aquilo que faz parte do grupo de coisas fundamentais e deixamos para segundo plano as que fazem parte do essencial.

Quantos professores não passam todo o tempo transmitindo conteúdo, transformando alunos em máquinas de responder e logo após o período letivo são esquecidos?, (juntamente com quase todo o conteúdo transmitido). Não viram em seus alunos, aprendizes ou discípulos seres capazes de adquirir/transmitir/partilhar conhecimentos através da troca de experiências e os consideraram como recipientes vazios a serem preenchidos.

Quantos pais não trabalharam (trabalham e trabalharão) até muito tarde para comprar um carro para o filho ou para ajuntar dinheiro para pagar a faculdade? (Carro/Faculdade = Fundamental). Chegam em casa cansados e nunca tem tempo para dialogar/conviver com a família. (Diálogo/Convivência familiar = Essencial).

No futuro o filho terá um carro espetacular e poderá cursar uma universidade de primeira linha, mas terá pouquíssima convivência com os pais e provavelmente quando eles precisarem de ajuda, terão como retribuição dinheiro para pagar uma clínica e não o carinho/cuidado que desejavam.

É uma associação fria e muito simplista, exagerada em muitos casos (ainda bem!), mas respeitadas as proporções, o ser humano costuma pagar na mesma moeda que recebe, então: conteúdo/carro/faculdade = esquecimento/dinheiro/clínica e transmissão de conhecimento/convivência/diálogo = apreensão do conhecimento/cuidado/carinho.

Quando pagamos na mesma moeda, continuamos vivendo no fundamental (coisas necessárias, mas efêmeras) e não evoluímos ao essencial (coisas duradouras, de valor).

É necessário rever, mudar, reinventar nossas atitudes e postura no mundo, analisar quais tesouros estamos guardando, quais sementes estamos plantando, pois o que guardarmos/semearmos hoje, teremos/colheremos amanhã.

Nossas atitudes são fundamentais para alcançarmos as coisas que são essenciais em nossas vidas.

P.S. Agradecimento especial ao professor e escritor Mário Sérgio Cortella, do qual assisti uma palestra, que serviu de inspiração para este artigo. 


Joaquim Donato
joaquim.donato@hotmail.com.br

 
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