Esta crise foi excelente para o Brasil
Há males que vêm para o bem. No cômputo geral, esta crise pode ter atrasado o PIB em 6 meses, mas colocou o Brasil em termos de imagem mundial uns 5 anos na frente.
1. O Brasil agora virou uma categoria à parte. Agora não se investe em Emerging Markets (uma categoria genérica, em que se incluía também o Brasil). Agora o Brasil virou uma categoria à parte. Não dá para ficar fora do Brasil se você é uma fundação ou fundo de pensão norte-americano..
2. O Brasil é uma proxi para a China. Quem investiu na China se arrepende: perdeu dinheiro, viu fábricas idênticas serem construídas ao lado. Mas o Brasil vai ser um enorme exportador para a China, que já suplantou os Estados Unidos como parceiro de exportação. Já que não dá para investir na China, vamos investir em países que exportam para China.
3. O Brasil saiu desses tempos de turbulência como um país extremamente bem controlado financeiramente, graças ao Henrique Meirelles, que:
a. Desatrelou dívida interna indexada ao dólar, herança da "âncora cambial' do Gustavo Franco, da era FHC. Esse atrelamento caiu de 29% para 1%, de tal sorte que crises externas, que elevavam o dólar, não mais geram crises internas, aumentando a dívida interna.
b. Substituiu títulos com juros nominais atrelados ao dólar por títulos com juros reais pré-determinados atrelados ao real, na ordem de 30%. A defesa dos juros reais pré-determinados foi uma longa bandeira dos administradores, veja: Nominalismo econômico, em www.kanitz.com.br
c. Em vez de pedir US$ 45 bilhões ao FMI, como em 1998, devido à âncora cambial e ausência de reservas, o Brasil é quem está emprestando US$ 10 bilhões ao FMI.
d. Henrique Meirelles cria reservas de 200 bilhões de dólares, outra bandeira dos administradores financeiros, que acreditam que o futuro não dá para ser previsto por modelos econométricos. A única possibilidade é ter reservas para sobreviver às crises que surgirão.
Essa crise é a prova do pudim. Passamos no teste.
Os Estados Unidos, com os melhores economistas de seu país no Banco Central, fracassaram completamente. Não previram a crise. E o pior: não tinham reservas -- estão emitindo moeda.
Os próprios americanos reconhecem isso. A arrogância típica do americano passou para humildade. Foram os primeiros a desinvestir em massa de seus títulos americanos, para investir em empresas brasileiras. E vão continuar.
Eles que nunca deram pelota ao Brasil, que sempre nos acharam uma república de bananas, agora estão mudando o tom.
Sempre critiquei o governo brasileiro por não fazer o "marketing" do Brasil como nação. "O Brasil não é uma empresa, "marketing" não é uma variável econômica", eram as respostas que tive que ouvir.
Enquanto a Colômbia fazia marketing de seu café, nós produzíamos commodities. Quando sugeri registrarmos a marca GRID, Guaranteed Real Interest Deposit, acharam que criar marcas era uma bobagem. Acabei registrando a marca sozinho.
O governo americano registrou o TIPS, e saiu ganhando com uma idéia brasileira.
Uma crise de que saímos bem, vale muito mais do que qualquer anúncio ou campanha mercadológica.
O Brasil muda de patamar. Finalmente. Não deixe de ver o video.
Acesse http://blog.kanitz.com.br/
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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
Criador do Prêmio Bem Eficiente para entidades sem fins lucrativos e do site www.voluntarios.com.br.
Criador de Melhores e Maiores da Revista Exame, avaliou até 1995 as 1000 maiores empresas do país.
Sua experiência como consultor lhe rendeu vários prêmios: Prêmio ABAMEC Analista Financeiro do Ano, Prêmio JABUTI 1995 - Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio ANEFAC.
É árbitro da BOVESPA na Câmara de Arbitragem do Novo Mercado.
É também articulista da Revista Veja.
Títulos
"Master in Business Administration" pela Harvard University.
Professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
Doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.







