O objetivo deste trabalho é falar sobre a adoção de estratégias para promover a inovação dentro do contexto empresarial. Para tanto, serão abordadas teorias desenvolvidas por Michael E. Porter como as cinco forças competitivas, estratégias genéricas e cadeia de valor, e práticas inovadoras e bem sucedidas como o estilo de operação do Cirque du Soleil. Esse trabalho discorrerá sobre estratégia empresarial e inovação de valor sempre aliando teoria a realidades empresariais vivenciadas no Cirque du Soleil. Mintzberg (2000) tipifica os estudos de Administração Estratégica em dez escolas: Escola do Design; Escola de Planejamento; Escola de Posicionamento; Escola Empreendedora; Escola Cognitiva; Escola de Aprendizado; Escola de Poder; Escola Cultural; Escola Ambiental; e Escola de Configuração. Para Mintzberg (2000) as teorias de Michael Porter sobre forças competitivas, estratégias genéricas e cadeia de valor fazem parte da escola de posicionamento, a escola que define a formação das estratégias como um processo analítico. Em 1980 Porter publicou seu livro Competitive Strategy falando sobre como as empresas devem se posicionar e definir suas estratégias através do mapeamento do mercado em que elas estão inseridas. Esse mapeamento passa pela análise de cinco forças no ambiente de uma empresa que influenciam a concorrência do mercado: Ameaça de novos entrantes; Poder de barganha dos fornecedores; Poder de barganha dos clientes; Ameaça de produtos substitutos; e Intensidade da rivalidade entre empresas concorrentes. Baseado nessa análise de mercado, e na operação do Cirque du Soleil, serão identificadas formas de se inovar gerando melhores resultados para as empresas. Ameaça de Novos Entrantes Para Ferrari (2005, p. 2): Em um mercado onde as empresas têm forte relacionamento com seus clientes e as barreiras de mudança já estejam devidamente estabelecidas, será muito difícil para um novo concorrente tentar roubar os melhores clientes, pois estes terão que reinventar a relação com o novo fornecedor […] O Cirque du Soleil estabeleceu enormes barreiras aos novos entrantes em seu mercado de entretenimento, ao desenvolver um padrão de qualidade e inovação insuperável em seus espetáculos. Trabalhando para encantar e surpreender cada vez mais seus clientes, torna-se muito difícil para qualquer concorrente superá-los e roubar seus melhores clientes. Poder de barganha dos fornecedores Ferrari (2005, p.2) diz que: '[…] quem for o dono do conhecimento do cliente poderá prever a demanda com mais precisão e saber o que e em que quantidade comprar.' O Cirque du Soleil trata fornecedores como parceiros e aliados na busca incessante pelo total encantamento do cliente, busca formar equipes multidisciplinares internas e externas, fomentando inovação em todos seus setores. Dessa forma evita que os fornecedores façam pressão em seu negócio, ganhando-os como aliados na obtenção de lucro através do entretenimento. Poder de barganha dos clientes Para Ferrar (2005, p.1): 'O poder depende da barreira de mudança que um cliente tem para migrar para outro fornecedor […]'. Candeloro (2008, p.2) também diz que: '[…]está na hora de usar mais o cérebro para lançar produtos e serviços realmente inovadores […]' No Cirque du Soleil, toda inovação é voltada para a experiência do cliente, no Cirque a inovação é tão desenvolvida que eles se tornaram únicos no mercado, impossibilitando os clientes de migrarem para outros fornecedores de entretenimento semelhante. O poder de barganha dos clientes foi altamente diminuído, garantindo um grande vantagem competitiva para o Cirque. Ameaça de produtos substitutos O Cirque du Soleil está sempre a frente do mercado, inovando, se reinventando e substituindo a todo momento seus próprios produtos, portanto eles eliminam as ameaças de produtos substitutos pois eles próprios se dispõem a estar criando estes produtos substitutos. Intensidade da rivalidade entre empresas concorrentes Pela sua excelência e tradição, o Cirque du Soleil atua em uma mercado muito específico, não se pode compará-lo a outros circos, e também não existem espetáculos ao vivo semelhantes, por serem únicos eles trabalham praticamente em regime de monopólio do mercado, evitando qualquer tipo de concorrentes diretos. Porter (1986) afirma que existem apenas dois tipos de vantagem competitiva, baixo custo ou diferenciação, e que estas podem ser combinadas com o foco de uma determinada empresa, dessa forma as empresas podem produzir três estratégias genéricas: liderança em custo, diferenciação e foco. A estratégia do Cirque du Soleil fica claramente localizada em diferenciação. Eles inovam sobremaneira, a ponto de desenvolverem um produto altamente atrativo e lucrativo. Com seus espetáculos únicos, eles viajam pelo mundo encantando e vendendo seus espetáculos com alta lucratividade, pois não precisam guerrear em preço, sua altíssima qualidade garante público mesmo a preços mais altos. Claramente, o Cirque optou pela estratégia de diferenciação e de fato, tanto inovou e se diferenciou a ponto de ser notadamente uma empresa única, com produtos, serviços e resultados únicos. Porter (1986) apresenta uma estrutura chamada cadeia de valor que classifica todas as atividades de uma empresa em primárias e de suporte. As atividades primárias envolvem todas as atividades de produção e distribuição do produto para o cliente (logística de entrada, operações, logística de saída, marketing e vendas, serviço). As atividades de suporte envolvem todas as atividades que apóiam as atividades primárias (infra-estrutura da empresa, gerenciamento de recursos humanos, desenvolvimento de tecnologia, suprimento). A idéia principal gerenciar da melhor forma possível a cadeia de valor, pois a margem de lucro da empresa será melhor se a cadeia de valor for bem gerenciada. O Cirque du Soleil inova em toda a sua cadeia de valor, gerenciando de maneira eficiente e eficaz todas suas atividades, buscando inclusive parcerias para as atividades que não são de sua especialidade. Com essas parcerias, o Cirque garante um altíssimo nível tanto em suas atividades primárias como em suas atividades de suporte, obtendo ótimos resultados operacionais e financeiros. O Cirque du Soleil é um exemplo a ser seguido pelas empresas, através da incansável inovação, ele consegue se posicionar de forma esplêndida perante o mercado a as cinco forças competitivas. Sua estratégia de diferenciação não poderia ser mais bem conduzida no mercado de entretenimento ao vivo. O sucesso dessa estratégia é facilmente notado nos espetáculos sempre de casa cheia e bilhetes esgotados. Ao trabalhar tão bem suas atividades primárias e de suporte, o Cirque du Soleil gerencia sua cadeia de valor de maneira adequada, obtendo bons resultados operacionais e financeiros. Estrategicamente, o Cirque du Soleil é um exemplo a ser seguido pelas empresas do mundo todo, sempre inovando e alcançando ótimos resultados a curto e longo prazo. Referências bibliográficas FERRARI, Renato. O CRM e as cinco forças competitivas. Disponível em: <http://www.pensandomarketing.com/home/id116.html>. Acesso em: 25 ago. 2005. CANDELORO, Raúl. Como ter sucesso no lançamento? Disponível em: <http://www.conexaomercado.com.br/VerMateria.aspx?id=63>. Acesso em: 26 ago. 2008. O ESTÁGIO da inovação no Brasil. HSM Management. Disponível em: <http://www.distefanoconsultoria.com/artigoshsm/OestagiodainovacaonoBrasil.pdf > Acesso em : 26 ago. 2008. Como funciona o Cirque du Soleil. Como tudo funciona. Disponível em: <http://lazer.hsw.uol.com.br/cirque-du-soleil.htm> Acesso em: 20 mar. 2009. MINTZBERG, Henry. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000. MINTZBERG, Henry. O processo da estratégia. – 3.ed. – Porto Alegre: Bookman, 2001. PORTER, Michael E. Estratégia competitiva. – 15. ed. – Rio de Janeiro: Campus, 1986.