Participei, há duas semanas, da Expo Management 2009, o maior evento para executivos do Brasil. São três dias com palestras dos mais famosos gurus, especialistas e professores do mundo, em especial dos EUA. Interessante que um dos palestrantes que mais aguardava e que mais gostei foi o brasileiro Vicente Falconi, do INDG.
Falconi fala sobre método, processos, metas. E conseguiu mudar muito os resultados de muitas empresas de grande sucesso, como a Ambev, hoje AB-Inbev e também no setor público, como governo de MG e SP e fazendo trabalhos com o governo federal.
O tema do Falconi é relativamente árido, não empolga muito, mas impressiona pelos resultados obtidos e pela sua lista de fãs. Marcel Telles, abriu sua apresentação, chamando-o de “meu guru”.
Gostei muito do talk-show ou entrevista do Falconi com o Carlos Alberto Júlio (ex-HSM, hoje presidente da Tecnisa). Veja os principais pontos e meus comentários abaixo.
- Conseguiu colocar uma meta para cada um dos brasileiros em 2001, com o apagão e deu certo, porque era claro, específico. Provavelmente foi a primeira da história, bem sucedida.
- A área nuclear foi quem trouxe a padrozinação para o Brasil. Imagine o que acontece quando não se tem padrão, processos nesse setor: Chernobyl.
- Ele ainda acha que falta muito padrão e treinamento nas empresas brasileiras. Será que temos muito papel escrito, ou estamos trabalhando dentro dos processos, perguntou. Comentou que não ve diferenças nas necessidades entre setor de serviços e indústria, e é claro que o setor de serviços sente mais falta ainda de padronização.
- Carlos Brito, da AB-Inbev: “nossa diferença é que fazemos o que todo mundo já sabe”. Impressionante, mas verdade. O sucesso é conseguir implementar o básico em larga escala e com excelência.
- Um ótimo método de estudo de um livro, um assunto é o da “cumbuca”. Reúna grupos de 4-10 pessoas semanalmente, onde todos lêem um capítulo e se sorteia quem irá apresentar. Assim todos sabem do assunto, e a reunião é muito produtiva. Gostei, e vamos implementar isso na AgriPoint, por sugestão do Marcelo, no estudo do livro do Falconi.
Quais as metas mais importantes
- Uma empresa é como um organismo vivo, é preciso de normalidade das funções básicas: temperatura, pressão, etc. Interessante, se você estiver com febre não consegue produzir. O mesmo ocorre com uma empresa. Gostei.
- As metas para manter a situação da empresa são as mais importantes. São as metas que mantém as funções vitais da empresa funcionando normalmente.
Inovação x Melhoria contínua
- Não dá para inovar em tudo, mas dá para melhorar em tudo. Ou seja, você pode conseguir uma inovação disruptiva em alguma área, mas precisa seguir melhorando aos poucos em todas as áreas.
- Muitas vezes para inovar você precisa ir atrás de uma outra empresa, de outro setor, para copiar um detalhe, e implementar dentro do seu processo, junto com outras coisas que você inventa, ou copia de outras empresas. Achei interessante e me lembrei da Apple, que já lançou produtos de extremo sucesso que eram uma colcha de retalhos quando se avaliava a inspiração de cada uma das funcionalidades.
Informação X Ação
- Informação não vale nada, é preciso agir em cima dessa informação. Estabelecer certo as metas é tão importante quanto ter metas. É preciso avaliar quão desafiadoras devem ser, e também se está sendo medido o indicador certo.
- Líder é aquele que bate metas, com seu time, fazendo o certo. Essa é a definição do Falconi.
Cultura
- É preciso reforçar a cultura de se enfrentar os problemas. Há muita gente que trata mal quem traz notícias ruins. Isso é péssimo para uma organização. Encarar a realidade é fundamental.
- Implementar, na real, uma cultura como a da Ambev, leva no mínimo cinco anos, se for rápido. Não dá para pensar que se faz isso em três meses. O ser humano demora muito para aprender. Há uma curva de aprendizado, e empresa = pessoas. Básico, muito verdade e pouco encarado. Aprendizado vem da meta, do desconforto.
Processo X Pessoas?
- Só processo, método e metas não funciona. É preciso ter turn-over (rotatividade) baixa de funcionários, para se manter o conhecimento tácito. Você pode até ter metas, técnicas e processos para se reduzir o turnover. Eu achei essa simples explicação muito boa, foi a primeira vez que vi alguém explicar como juntar processo com pessoas.
- A sugestão dele, que vou procurar adotar é criar processos para acumular o conhecimento técnico. E treinamento com baixo turnover para aumentar e melhorar o conhecimento tácito, que é difícil de se aprender, de se ensinar, de se reter. Por isso as empresas com menor turnover tendem a melhores resultados.
Gostei muito da apresentação dele. É daquelas pessoas humildes, que sabem muito e não são metidas. E sabem tanto que conseguem explicar com clareza e simplicidade, tornando fácil o que é complexo.
Me inspirou ainda mais a aplicar método e metas na empresa. Entender como excelentes pessoas são tão importantes quanto excelente método e padronização, e que os dois não são excludentes, mas complementares, me animou ainda mais a estudar e aplicar seus conceitos.
Link para comprar o livro dele, O Verdadeiro Poder. Recomendo, muito.
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/excelentes-pessoas-ou-metodo-e-processos-rigorosos-e-preciso-escolher/36883/