17 de janeiro de 2012, às 19h42min

Expectativas e reflexões para 2012

Fogo, inundação, o correr do tempo que atenua paixões, saudades e ódios. Cupim, ladrão, traça, roedor e, finalmente: a morte. O que realmente temos, o que sobra, o que deixaremos?

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Fogo, inundação, o correr do tempo que atenua paixões, saudades e ódios, cupim, ladrão, traça, roedor e, finalmente: a morte. O que realmente temos, o que sobra, o que deixaremos ?

Mesmo os grandes vultos da História, Artes e Ciência, não são reverenciados por todos os seres humanos.... mas, isso é importante?


As empresas brasileiras continuarão reclamando dos produtos importados da China, mesmo quando são beneficiadas no conjunto da economia (a macroeconomia) por essas importações. Continuarão a requerer funcionários de primeiro nível e a pagá-los como se fossem de terceiro. Porão a culpa nos gastos com Previdência, Receita Federal, nos Tributos de modo geral. Investirão pouco em ciência e tecnologia ou em parcerias com as universidades, aliás, delas, essas empresas só quererão estagiários competentes e muito baratos para servirem de auxiliares de escritórios.

O Governo brasileiro continuará a incentivar a economia com benesses fiscais aqui e acolá até que precise contar mentiras, por pressão da alguns grupos políticos e econômicos comprometidos com o atraso, por exemplo: quando pressões inflacionárias manifestarem-se dos segmentos que não se modernizaram adequadamente nos recentes trinta anos, precisará dizer que a inflação é produto da demanda por bens e serviços que atende diretamente ao povo, notadamente aos mais pobres.

Os espertalhões de sempre dirão que o País não está preparado para crescer e que precisa frear seu crescimento etc. Eles não dirão, que a maior parte da pressão inflacionária é oriunda de preços estipulados por contratos de monopólios privados que substituíram os monopólios públicos quando da privatização ocorrida na década de 1990, não precedidos dos necessários investimentos, dirão que a inflação é de "preços administrados", pobres administradores!

No mundo, continuaremos a ver o preço amargo, pago pelos EUA e União Européia de terem negligenciado quase cem anos de boas práticas econômicas e políticas, fundamentadas na ajuda governamental (quando necessária) que deve ser de caráter legal, indutora do crescimento e do bem-estar social, ao terem-nas substituído por uma economia de cassino em detrimento da produção de tecnologias, bens e serviços, e da promoção de guerras infundadas no lugar da diplomacia profissional.

Continuaremos a ver agências de classificação de risco, principalmente dos EUA, aquele país em que as principais empresas (incluindo grandes bancos) faliram, faliram mesmo ! só ressuscitadas com ajuda direta do governo; a rebaixarem notas ou papeis de alguns países (e empresas) que elas mesmas ajudaram a afundar literalmente quando conduziam indivíduos (e governos) incautos ao abatedouro da ganância excessiva; para completar o quadro, a imprensa mundial cria expressões que ficariam apropriadas aos números apresentados por humoristas e comediantes, por exemplo: " o mercado (bolsa de valores) está com aversão ao risco". Especuladores com aversão ao risco são o mesmo que veterinários indiferentes aos animais ou aviadores que sofrem de vertigem.

Uma Administração (e Governo) que não atenda as necessidades e desejos de uma nação não representa o Estado. Teremos governos espalhados pelo mundo que representarão os desejos de especuladores, não de cidadãos

Logo, o curso dos acontecimentos seguirá roteiro de fácil previsão: a população é a primeira a empobrecer e depois o Estado, para a viver crises políticas e entrar em colapso. A crise não é do capitalismo, é de algumas mentes doentes e outras ingênuas demais.

Voltando ao primeiro parágrafo, acredito que não é muito importante o que nos sobra, de fato, mas o que nos sobra como dever e, o único (ou principal) dever que temos é o de honramos nossos ancestrais mais remotos, aqueles que iniciaram o processo civilizatório da humanidade, para tal, temos que pensar o mundo que estamos criando, que está em marcha para o caos. Não faremos isso com o pensamento rasteiro e floreado com belas palavras.

Podemos começar, cada um de nós, lembrando-nos que enganar não pode ser regra geral, mentira não pode ser substituta para ética, ou a manipulação do conjunto da sociedade, nosso objetivo maior. Excelente 2012!

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor

Carlos Cesar D'Arienzo

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cesar-darienzo@uol.com.br
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Áreas de interesse
  : Análise econômica conjuntural e estrutural de cenários..

 
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