23 de novembro de 2011, às 08h57min

Fatores de Multiplicação

"Aprendemos que é preciso ter questões gerais, que valem para todo mundo, e questões específicas, para esses que estão chegando. Quem tem que dar a agenda é quem está vivendo o dia a dia da empresa"

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O Brasil ainda é um país de grandes empresas, que detêm cerca de 80% do PIB. Mas as pequenas estão ganhando força e se tornando cada vez mais visíveis. Alguns sinais disso: o regime de tributação diferenciada, o Supersimples, que completou quatro anos em 2011, já reúne um contingente de 5,8 milhões de empresários que, dependendo da atividade e faixa de faturamento, conseguem pagar até 40% menos impostos em relação aos que estão fora do sistema, além de enfrentar menos burocracia.

Além disso, um novo tipo de empreendedor, recém-chegado ao universo corporativo, já reúne quase 1,8 milhão de pessoas, sob a figura jurídica do microempreendedor individual, que formalizou sua atividade de 2010 para ca, atraído por uma nova legislação que lhe confere status jurídico e benefícios sociais a um baixo custo. Todas essas mudanças estão levando governos e o setor privado a repensar as políticas destinadas a transformar esse novo cidadão em um empreendedor, com E maiúsculo.

Durante três dias, na semana passada, em Brasília, cerca de mil pessoas, entre agentes do setor público, privado, acadêmico e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) debateram justamente a melhor maneira de alcançar esses novos microempreendedores com ações práticas, no Fórum Sebrae de Conhecimento.

Com orçamento de R$ 2 bilhões em 2011 e previsão de crescimento de 15% em 2012, "se a economia não piorar muito", o Sebrae movimenta-se para entender melhor esse público que está entrando no mercado agora. "Aprendemos que é preciso ter questões gerais, que valem para todo mundo, e questões específicas, para esses que estão chegando. Quem tem que dar a agenda é quem está vivendo o dia a dia da empresa" , disse o diretor-presidente da instituição, Luiz Barretto. "Precisamos melhorar a qualidade de nossos empreendedores e o desafio é tratar esse assunto desde a base da pirâmide até o topo, onde estão as pequenas empresas, pois são elas que puxam a inovação e oferecem os empregos com maior valor agregado."

Não só no Brasil, mas no mundo todo o empreendedorismo é visto como a mola propulsora da inovação, aquela que vai trazer o novo salto tecnológico. O diagnóstico é de Juliano Seabra, diretor da Endeavor, entidade internacional de apoio ao movimento empreendedor. Segundo Seabra, organismos internacionais como Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização das Nações Unidas e a própria União Europeia já destacam a importância de iniciativas empreendedoras na promoção de efeitos rápidos para a economia dos países.

Na palestra sobre Empreendedorismo de Alto Impacto, o diretor da Endeavor afirmou que, no universo de 4,1 milhões de empresas brasileiras que possuem mais de dez funcionários, somente 30 mil, ou 0,7% do total, apresentaram crescimento de 20% ou mais nos últimos três anos. Essas 30 mil empresas responderam sozinhas por 60% de todas as 5 milhões de vagas de emprego geradas no Brasil nesse período - média de cem novos empregos por empresa. Estes são os chamados empreendimentos de alto impacto. Os números constam de pesquisa realizada pelo IBGE em parceria com a Endeavor.

As micro e pequenas empresas (MPEs) representam 99% das companhias brasileiras, respondem por 70% dos empregos, mas por apenas 20% do Produto Interno Bruto (PIB). "O problema é que tem muita empresa de pouco impacto", disse Seabra.

Para ajudar a formar uma cultura empreendedora, o Sebrae apresentou às universidades um modelo de parceria para levar a disciplina de empreendedorismo aos alunos. Ela abordará elaboração de plano de negócios, modelo de gestão, entre outros assuntos. A ideia é que seja ofertada para todos os cursos superiores, independentemente da área de conhecimento, pelos professores da própria universidade. Eles contarão com o apoio técnico, financeiro e organizacional do Sebrae.

"Queremos incutir educação empreendedora no jovem brasileiro parar mostrar que há outra alternativa além de se tornar empregado", disse Mirela Malvestiti, gerente de capacitação empresarial do Sebrae. Representantes da Universidade de São Paulo, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de Santa Catarina, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Itajubá, entre outras, deram sugestões ao modelo apresentado.

Num contraponto importante ao debate, o economista Marcelo Neri, coordenador do centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressaltou que o crescimento da economia brasileira na última década se deveu principalmente à expansão do número das grandes empresas.

Com dados baseados em pesquisa do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), que traz números de 2003 a 2007, a expansão das grandes foi responsável pela elevação de 8,3% no número de empregos formais no país. Entre 1995 e 1999, numa situação inversa, o impacto das empresas de grande porte foi determinante para a queda de 12,8% dos postos. O economista acredita que a carga tributária e a burocracia competem com os pequenos empreendimentos.


Brasília, 22 de Novembro de 2011

Valor Econômico

Por Eduardo Belo, Jacílio Saraiva e Roberto Rockmann | De Brasília

 

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Engenheiro Mecânico (formado pela Unifei de SBCampo), Mestrando em Engenharia Mecânica pela Unicamp.
Professor na área de exatas (matemática, física, química, mecânica), Gestão Administrativa, RH, Informática e Idiomas.
Cosnultor e Orientador Educacional.
Consultor na área de Franquias.
Consultor de Negócios para pequenas Empresas.

 
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