O impacto negativo da crise no comércio mundial derrubou as exportações brasileiras, que mostraram em 2009 o maior recuo em um único ano desde 1950, quando tem início a série histórica do Ministério do Desenvolvimento. As exportações recuaram 22,2% em relação a 2008, o que levou a balança a apresentar o menor saldo em sete anos: US$ 24,61 bilhões. A queda de 22,2% das exportações, pelo critério de média diária (US$ 609 milhões), foi o maior tombo desde 1952, quando a retração registrada foi de 19,8%. A série histórica para os dados de balança comercial do Brasil foi iniciada em 1950. Na média diária importada, de US$ 510,5 milhões, a taxa de redução só não superou a de 1953, quando o percentual negativo ficou em 36,8%. Num corte mais próximo da realidade atual, as exportações só caíram duas vezes desde a década de 1990, por causa das crises russa e asiática: 3,4% em 1998 e 6,11% em 1999. A menor demanda de tradicionais parceiros comerciais do país atingiu em cheio as vendas de produtos manufaturados, 27% inferiores às de 2008, enquanto os embarques de matérias-primas, beneficiados pela retomada do consumo chinês, declinaram 14,1% no ano. O recuo do superávit comercial em 2009 só não foi maior porque o Brasil também importou menos com a retração da atividade. As compras de produtos fabricados no exterior fecharam o ano em R$ 127,63 bilhões, uma queda de 25,3%. O resultado dessa combinação de fatores negativos foi a diminuição em 23,6% da corrente de comércio do Brasil, indicador que mostra a soma das exportações com as importações e representa o grau de internacionalização da economia. Em 2008, a corrente de comércio cresceu 31,95%. De 2006 ? ano em que a balança apresentou o maior superávit da história, US$ 46,45 bilhões ? até 2009, o saldo positivo caiu R$ 21,8 bilhões. Um recuo de 47%. China supera EUA e se torna principal destino No ano, a China superou, pela primeira vez, os EUA no ranking dos principais destinos de produtos brasileiros, respondendo por R$ 19,9 bilhões das exportações do Brasil. As vendas para o mercado americano, comprador importante de insumos industriais, caíram de US$ 27,6 bilhões em 2008 para US$ 15,7 bilhões em 2009. As vendas para a Argentina diminuíram de US$ 17,6 bilhões para US$ 12 bilhões no mesmo período. Bibliografia Jornal O Estado de S. Paulo de 05 de janeiro de 2010 Jornal Correio Braziliense de 05 de janeiro de 2010 Jornal O Globo de 05 de janeiro de 2010 Jornal Folha de S. Paulo de 05 de janeiro de 2010 Jornal do Brasil de 05 de janeiro de 2010