22 de fevereiro de 2010, às 12h09min
Fim do sossego alvos cada vez mais comuns.
Se, por um lado, os casos de furto a residência (sem a presença da vítima) caíram 8,8% no Estado de 2008 para 2009, o número de roubos (com a presença da vítima) passou de 1.877 para 1.986. A cada quatro horas, uma família foi atacada dentro da própria moradia no ano passado.
Boa parte desses números, acredita o delegado Juliano Ferreira, titular da Delegacia de Roubos, corresponde a ataques contra condomínios, inclusive verticais. São prédios onde não há porteiros ou onde o investimento em segurança é menor.
– É um erro achar suficiente morar em apartamento para ficar livre de assaltos ou furtos. O crime está sempre migrando – diz o delegado.
Para Ferreira, criminosos mudaram de estratégia e estão apostando nesse novo nicho. Muitos que até então se arriscavam em assaltos a agência bancárias – nem sempre com bons resultados –, passaram a apontar as armas na direção das portas gaúchas. E a explicação para isso é simples: as residências são consideradas mais vulneráveis e, por incrível que pareça, mais rentáveis.
Até os experts em roubos e furtos de veículos estariam investindo nos ataques a apartamentos – inclusive porque, no mercado clandestino, um carro popular vale pouco mais do que dois notebooks roubados, e ainda há os dispositivos de rastreamento para burlar. É comum os criminosos aproveitarem brechas para agir, muitas vezes sem serem vistos da rua, diferentemente do que acontece nos pátios das casas.
O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ranolfo Vieira Junior, lista outra desvantagem que pode pesar a favor dos bandidos. Diferentemente de quem tem casa, aqueles que vivem em edifícios dependem das atitudes dos vizinhos para ter segurança. Se um deles desrespeita regras – como deixar a porta ou o portão abertos –, tudo pode acontecer.
BM procura passar dicas para moradores
Na opinião do chefe do setor de inteligência do Comando de Policiamento da Capital (CPC), major Antonio Osmar da Silva, os ladrões estão sabendo tirar proveito disso.
– Temos feito reuniões nos condomínios para dar dicas e isso tem ajudado muito – diz o major.
Especialistas acreditam que a facilidade para se obter chaves de imóveis em imobiliárias pode ser outro complicador. A vice-presidente de condomínios do Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado, Simone Camargo, afirma que muitas empresas fazem questão de acompanhar o cliente. Outras, no entanto, não têm condições de acompanhar todas as visitas, mas tomam medidas preventivas, registrando os dados e fazendo cópias de documentos.
A dica do delegado Juliano Ferreira é ficar atento. Se você perceber que um apartamento será aberto à locação no seu prédio, tem todo o direito de procurar a imobiliária e solicitar que as visitas sejam guiadas.
– A imobiliária pode até não atender, mas aí, se houver um roubo e for comprovado que foi a partir dela que o ladrão obteve a chave, a empresa pode ser responsabilizada – afirma.
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