10 de fevereiro de 2010, às 10h19min

Fraudes contábeis e normas nominadas como internacionais

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Verdade e clareza já eram princípios amplamente reclamados para as demonstrações contábeis há mais de meio século, quando o professor Jenny escreveu seu tratado sobre Fraudes em Contabilidade1.

“Toda alteração da verdade é uma falsificação”
asseverou o mestre referido.

Louve-se a conceituação referida, mas, acrescente-se que igualmente é vicioso tudo aquilo que enseja a prática da alteração.

Apesar das advertências dos ilustres intelectuais da Contabilidade, todavia, os grandes desastres financeiros motivados pelos calotes internacionais que vitimaram milhões de pessoas no fim da década de 20 e começo de 30, não interromperam a criminosa atuação dos falsários, amparada por manipulações de informações.

A partir da década de 60, destacando-se 1968 e na década de 70 chegando a níveis exacerbados, as fraudes nos Estados Unidos, segundo Singleton, Bologna, Lindquist, atingiram o nível do preocupante em âmbito social2.

Os impactos de 2008 e 2009 derivados de milhares de práticas fraudulentas motivaram grande número de investigações, mas não impediram que nesse mesmo período muitos trilhões de euros e dólares de perdas vitimassem investidores, contribuintes de impostos e o povo.

Apenas em um setor, segundo o noticiado3 “o FBI anunciou que o número de investigações de fraudes com hipotecas superava os 1,6 mil casos no fim do ano fiscal de 2008, que terminou em 30 de setembro, em contraste com as 881 ocorrências registradas dois anos atrás. Em acréscimo, foram abertas 530 investigações de fraudes corporativas, informou a policia federal americana.”

Muitos milhares de falsidades e calotes se sucederam ao curso do tempo, bastando recordar, por expressivas, as denunciadas no parlamento estadunidense, especialmente as da década de 704 e de fins daquela de 90.

Lamentavelmente há uma “tradição de fraudes” ocorridas com a proteção das informações contábeis eivadas de vícios.

Tal como o acusado oficial e publicamente5 ocorreu um conluio entre especuladores, auditores e entidades de classe contábil na produção de normas, visando a manipular demonstrações contábeis, acobertado ainda por pressões sobre órgãos governamentais.

Contundente foi a manifestação do Senado dos Estados Unidos sobre a questão em relatório de comissão parlamentar de inquérito:

O AICPA6 é organizado de uma forma que permite que as partes controlem sua estrutura de sustentação para manter seu controle sobre a organização. As oito maiores empresas de auditoria controlam efetivamente a estrutura e usado é por elas o AICPA como anteparo de seus interesses coletivos.

E ainda sobre as transnacionais de auditoria (na época eram oito) afirma o relatório:

Através do seu poder, elas são capazes de influenciar políticas governamentais e os procedimentos que possam afetar as atividades dos seus clientes corporativos.

Os efeitos da crise calamitosa que explodiu em 2008, acobertada pela incompetência das normas contábeis em não denunciar os riscos, mas, sim permitindo a alteração da verdade, foram os mais desastrosos, com impactos sociais fortíssimos em alguns países nos quais os indices de desemprego em 2009 alcançaram quantitativos considerados expressivamente gravosos

A imprensa européia em fevereiro de 2010 denunciava taxas de desocupação de mão de obra em Portugal de quase 10%, na Espanha de quase 20%, na Irlanda quase 12%, na Hungria mais de 10%7, assim como problemas sérios em determinados setores, como o automobilístico.

A questão normativa, pois, em face da fraude, não é apenas de âmbito particular, mas, sim, pode tornar-se fator antisocial que deflui do uso inadequado da Contabilidade, quando se distorce a verdade, quando se afasta das doutrinas científicas e as corrompem, posto que missão da ciência seja a defesa da realidade objetiva.

 

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Autor
Doutor em Letras, honoris causa, pela Samuel Benjamin Thomas University, de Londres , Inglaterra. Doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade Nacional de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil. Administrador, Contador e Economista.

Site: http://www.lopesdesa.com.br/

Academias às quais pertence:

- Real Academia de Ciências Econômicas y Financieras, da Espanha, título entregue em solenidade em Barcelona em 1974, na qualidade de membro correspondente exclusivo no Brasil
- Academie des Sciences Commerciales, da França, sendo o único Ibero-americano a participar de seus quadros - 1993 e com o encargo de correspondente exclusivo no Brasi
- Academia Brasileira de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais, Rio de Janeiro, 1993, como seu Vice-Presidente Nacional e Presidente da Regional de Minas Gerais
- Academia Brasileira de Ciências Contábeis, Rio de Janeiro, 1963, como seu Presidente, em exercício
- Academia Marianense de Letras, 1982
- Academia Itaocarense de Letras, 1990
- Academia Mineira de Ciências Contábeis, Belo Horizonte, 1950, fundador, atualmente na qualidade de Diretor
- Academia de Ciências Contábeis de Rondônia (Honoris Causa) - 1997
- Academia de Ciências Contábeis da Bahia - 1997
 
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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