01 de março de 2009, às 16h41min
Investir: Razão e Emoção!
(INSTITUTO DA INTELIGÊNCIA)
1. Normalmente, existe a ideia de que as decisões de investimento são tomadas sobretudo com base em critérios racionais. Esta ideia é correcta? É possível ter uma noção de qual é o peso do lado emocional nas decisões de investimento?
A forma como a mente humana funciona não permite uma racionalidade pura na tomada de decisões, mesmo as mais complexas e exigentes. Qualquer decisão é o resultado de uma série de etapas mentais, da intervenção de numerosos fatores internos (biológicos) e externos (ambientais, etc) e da influência das emoções e dos sentimentos. Os fatores emocionais e sentimentais, conscientes ou não, representam, por si só, uma base indispensável para a racionalidade.
Ou seja, a mente de uma pessoa normal não consegue tomar decisões lógicas e inteligentes sem que o sistema límbico (emocional) esteja presente, influenciando a rapidez, a convicção e a determinação na tomada de decisões. Neste capítulo, a intuição - que representa uma forma de conhecimento oculto e criativo com um papel fundamental no mundo dos negócios - é um bom exemplo do que acabo de afirmar: a intuição tem também uma origem neurológica e emocional.
2. A economia divide os investidores em três categorias: os conservadores, os equilibrados e os agressivos. O nível de risco e o potencial de rentabilidade são as duas grandes variáveis que determinam em que tipo de categoria o investidor se insere. Que outros factores determinam a forma como uma pessoa decide fazer seus investimentos? É possível estabelecer uma hierarquia desses fatores?
Investir é, geralmente, uma atividade de risco na medida em que trabalha com cenários de futuro e, como tal, isso implica lidar com numerosos factores imprecisos, a ambiguidade e a imprevisibilidade. O nível de risco aumenta quanto maior for o número de "atores" em jogo. Neste domínio, os fatores de natureza pessoal que influenciam a forma como uma pessoa decide investir prendem-se sobretudo com a sua personalidade e a forma como a sua mente lida com a subjectividade e a incerteza. Fatores biológicos (como o temperamento), psicológicos (como o estilo cognitivo) e culturais (como a educação) fazem com que cada investidor obedeça a um padrão de comportamento muito particular nas suas escolhas e tomadas de decisão.
Existem pessoas que possuem uma potente intuição que sabem usar com invulgar talento enquanto outras, mais racionais e cautelosas, preferem basear as suas decisões naquilo que elas acreditam ser a razão pura. Entre uns e outros há uma infinidade de tipos de comportamento sendo que uns são bem sucedidos em certas situações e outros noutras.
Acredito, porém, que o melhor investidor é aquele que possui, por um lado, um amplo "horizonte de tempo" mental (que lhe permite "ver" além do dia de hoje e usar adequadamente a sua "memória de futuro"), uma intuição bem treinada e um bom quociente de inteligência e impulso criativo.
Geralmente, isto exprime-se através do chamado "controlo cognitivo". O controlo cognitivo refere-se à forma como a pessoa percepciona o ambiente, elabora a informação, faz escolhas e reage (decide) aos estímulos ou às necessidades. Por exemplo, o investidor "dependente de campo" é cauteloso, muito sensível ao contexto e ao momento, influenciável e necessita de maior feedback social para agir. Já o "independente de campo"´tem uma forte motivação intrínseca, é pouco influenciado pelo contexto, possui uma inteligência prática muito flexível e é bastante intuitivo.
3. Uma pessoa pode ter caraterísticas de diferentes perfis de investidores?
É muito arriscado tentarmos dividirmos as pessoas em tipologias específicas, como faz a psicologia tradicional. Compreendo que, às vezes, isso ajuda a compreendermos melhor os seus padrões de comportamento mas, na realidade, cada pessoa é o resultado de uma grande diversidade de elementos biológicos, psicológicos e culturais que fazem com que sejamos todos diferentes. Nas decisões de investimento, podemos encontrar padrões de comportamento diversos e isso deve-se sobretudo à forma como cada um reage a tudo quanto esteja em jogo, inclusivamente as suas motivações intrínsecas (que podem variar bastante de pessoa para pessoa mesmo entre aquelas que revelam padrões de comportamento similares).
4. Os investidores muito experientes também não estão imunes à influencia do emocional?
A reação de cada pessoa às investidas das emoções varia muito conforme a sua natureza e o momento. Os investidores experientes adquiriram, obviamente, uma aprendizagem sólida sobre as melhores escolhas, os melhores momentos, os riscos em jogo e os erros. Lidam melhor com a ambiguidade e a indeterminação graças ao fato dos seus cérebros terem aprendido a conviver com diferentes situações e diferentes "apostas".
Neles desenvolve-se uma espécie de conhecimento oculto (não consciente) que alimenta abundantemente a sua memória de trabalho e lhes confere flashes intuitivos decisivos nas escolhas de alto risco. Geralmente estão menos expostos às reações emocionais adversas mas não estão totalmente imunes a momentos de perturbação que podem prejudicar a leitura e a interpretação das situações e a tomada de decisões.
5. De que forma a neuroeconomia pode ajudar as pessoas na gestão dos seus investimentos?
A neuroeconomia é um campo de investigação novo mas que se apresenta muito promissor no que se refere ao estudo do comportamento das pessoas em tomadas de decisão que envolvam investimento, compra, venda, troca e outras atividades de natureza económica e financeira. A neuroeconomia recusa aceitar que as decisões no mundo dos negócios sejam pautadas apenas pelo pensamento racional e oferece instrumentos de análise mais precisos sobre a complexa rede de fatores psicológicos (intuitivos, emocionais, etc) presentes nas decisões.
6. O que se passa no cérebro de uma pessoa quando ela tem de tomar uma decisão de investimento, como por exemplo, a compra ou venda de acções?
A ação de investir - seja em que for - representa um grande desafio para o cérebro porque põe em marcha uma série muito complexa de mecanismos e não apenas a racionalidade supostamente disponível no hemisfério esquerdo. Envolve pensar olhando para o futuro. Requer um tipo de pensamento estratégico que põe em marcha o "auto-governo" mental e mobiliza capacidades como a atenção, a memória de trabalho, a memória de futuro, o processamento da informação, a ponderação emocional, a intuição, a auto-motivação, a habilidade de se interrogar e a capacidade de iniciativa. Investir representa apostar num conjunto de escolhas secundárias feitas em série até à decisão definitiva. É um processo inteligente e criativo.
7. Existem momentos em que se deve evitar a tomada de decisões de investimento? (ex: alturas em que as pessoas estão muito estressadas ou deprimidas).
Sim. As decisões de investimento estão entre as mais delicadas que se podem tomar. É um exercício de inteligência pura (não exclusivamente racional) que é feito sobre um conjunto mais ou menos amplo de opções, incluindo a de não investir. É, por isso mesmo, um exercício que requer um estado de espírito sereno. O estresse, o cansaço, os problemas de saúde, os estados sentimentais adversos (como o desânimo, a melancolia, a raiva, o ódio e o desprezo bem como a euforia e o excesso de auto-confiança) prejudicam o discernimento, a análise e o pensamento pelo que, se o investidor está num mau momento de forma, é de boa prudência não arriscar mesmo que esteja (erradamente) convencido que um determinado investimento possa parecer-lhe o melhor remédio para os males que o afectam.
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Nelson S. Lima
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ATUAL:
- Diretor Nacional da EURADEC UK na Inglaterra (Associação Europeia para o Desenvolvimento da Educação e Cidadania).
- Diretor da Divisão de Investigação Psicológica da EURADEC na Alemanha.
- CEO do grupo Instituto da Inteligência (Portugal, África e América do Su).
- Consultor e membro da Universidade do Futuro, em construção, em Portugal.
- Palestrante Profissional.
Memórias autobiográficas:
- Momento profissional 1: iniciei a escrita do meu primeiro livro aos 12 anos mas apenas foi publicado em 1980 com o título "5 Mil Anos de Transportes" (498 pág., 17 capítulos) onde conto a aventura do invento humano desde antes da roda até às viagens espaciais. Tive a colaboração do Jornal de Notícias, NASA, Boeing, numerosos museus de transportes, etc. O livro está exposto no Museu de Transportes do Porto (Portugal;
- momento profissional 2: atravessia do Atlântico entre Lisboa e Nova Iorque em barco de transportes (10 dias, em Agosto de 1969); nos meses seguintes, nos Estados Unidos, trabalhei em marketing para uma empresa do grupo Nestlé;
- momento profissional 3: formador convidado do curso de "Liderança & Economia Capitalista" para professores universitários de vários países a Europa de Leste, em Bratislava, República Eslovaca, 1992;
- momento profissional 4: fundação do Instituto da Inteligência, em 1998;
- momento profissional 5: meu estudo do perfil psicológico de José Mourinho, ex-coaching do Inter de Milão e do Manchester; atualmente no Real Madrid. Esse estudo foi pedido pelo jornalista J.Marinho, do canal SPORT TV e saiu no livro "José Mourinho - vencedor nato";
- momento profissional 6: nomeação para Diretor Nacional da EURADEC na Inglaterra e Diretor de Investigação em Psicologia na sede da mesma instituição, em Berlim (Alemanha), 2010.
Meus atuais emails:
nelsonslima@yahoo.co.uk (particular)
nelsonlima@europe.com (palestras)
uk@euradec.eu (profissional)
Meus blogs pessoais:
http://www.inteligenciaexecutiva.blogspot.com (português)
http://www.theextremefuture.blogspot.com (inglês)
http://www.executiveintelligence.blogspot.com (inglês).
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