19 de agosto de 2009, às 13h43min
Kassab & Serra: um exemplo de desadministração

Pesquisas à parte, e parodiando Mino Carta, até o mundo mineral sabe que os governos do Estado de São Paulo e da cidade de São Paulo nunca foram piores, a ponto de desmontar qualquer candidatura oriunda das situações de Estado e Município. Tucanos e demos nos brindam com péssimas administrações. Se não, vejamos:
1. Os serviços de telemática que contam com alguma participação estatal nunca estiveram piores. A própria Telefônica - filha biônica da Telesp - admite que não tinha condições de realizar os serviços que oferecia ao público, como o modorrento Speed, que de velocidade só tem a cobrança das contas 10 em 1: pague 1 Mb de velocidade e receba 100 kb.
2. A energia elétrica, pelo menos na cidade de São Paulo, não é à prova d'água. Qualquer chuvinha de verão paralisa trechos, bairros e até regiões da cidade. Também não resiste ao elemento ar, e basta qualquer vento de poucas dezenas de quilometros para interromper o fornecimento por muitas dezenas de minutos.
3. O elemento terra não se entende com a administração Kassab - o demo que não assume - que encheu a cidade de buracos de diversos tamanhos e profundidades, para deleite das oficinas mecânicas que trabalham com suspensão e fabricantes de amortecedores de veículos, além dos batráquios que, na calada da noite, coaxam nos laguinhos artificiais do prefeito.
4. Sobre a terra também se desadministra o trânsito, com as medidas no mínimo discutíveis com os fretados na cidade e a disseminação dos pedágios nas estradas estaduais. Meia-dúzia de trens e uma ameaça de rodo-anel não enganam os motoristas, e os pedestres cada vez ficam mais dependentes de seus próprios pés.
5. A cultura também sofre ataques municipais e estaduais. Reuniões culturais anuais como a Mijada Cultural só produzem mau cheiro pela capital paulista, e a inteferência estadual demitindo maestros mundialmente reconhecidos, e metendo o bedelho em instituições que dão certo como a Universidade Livre de Música, não rendem dividendos eleitorais.
6. As polícias, municipal e estadual, ou a "morena" e a "loira" - como as apelidam respectivamente o pessoal da crackolândia - se mostram incapazes de conter o consumo e o comércio de drogas, com raízes mais do que manjadas nos mais diversos departamentos de polícias e ligações com o tráfico internacional.
7. O ensino não consegue decolar, nem com a presença de ex-ministros de FHC, nem com a administração das creches municipais. Os índices de qualidade e quantidade de educação - do primeiro ao terceiro grau - minguam, em proporção inversa à criação de instituições de ensino pago, bem cobrado e mal oferecido.
8. Leis anti-álcool ao volante e anti-fumo não resolvem nem os problemas de trânsito nem o meio ambiente. Tirar os bebuns do volante é coisa do passado e tirar os fumantes das mesas só aumenta a quantidade de pontas de cigarro jogadas no chão, e consequentemente nas águas dos rios Pinheiros e Tietê.
Com administrações capazes como essas, não é necessário adversário eleitoral nem pesquisa de opinião, nem sua manipulação, nem propaganda nos outros estados. O Estado de São Paulo e o Município de São Paulo estão nas mãos de dois incompetentes cuja visão de futuro não passam mais longe do que sua ambição.
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Autor
Formado em Jornalismo (Cásper Líbero) e Composição & Regência (UNICAMP), diretor da PAUTA Arte & Comunicação Ltda. , editor da revista On&Off, e autor do blog PLAY.
Membro fundador do Núcleo Música Nova de SP(74), Prêmio APCA Melhor Música Para Coreografia(76), Menção Honrosa Festival de Campos do Jordão(88), Prêmio Sérgio Motta de Arte & Tecnologia(2007). Em 2009 recebeu o Troféu Clave, da Ordem dos Músicos do Brasil, São Paulo.
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