(*) Luis Alberto Piemonte
Nem só a verdade liberta o ser humano. A tecnologia também ! Quem planeja ou executa as principais decisões de negócios nas empresas não precisa mais conhecer, em detalhes ou não, a tecnologia que suporta os processos ou como, por quem e quais sistemas de gestão empresarial serão mobilizados para executar um serviço. Basta saber que seus desejos serão transformados em realidade. Pode-se, por exemplo, mudar uma fabricação contínua de um determinado produto por uma produção em menor escala, por lotes, para atender demanda específica. Com isto, a empresa torna-se mais ágil para se ajustar ao que o mercado ou pequenos segmentos pedem. O nome do jogo mudou. Flexibilidade é a palavra mágica hoje no ambiente corporativo.
Emparedadas por pressões de custos,é compreensível que muitas empresas ainda gastem muita energia na busca de fórmulas para cortar gastos, eliminar tudo que não é estratégico e não gera valor, adotar as melhores práticas e estabelecer a governança de processos e tecnologia. Mas não é o suficiente. Muitos dos sistemas de gestão que suportam as atividades críticas não fornecem o principal, a flexibilidade para que os executivos e demais forças produtivas sejam mais criativas. Para crescer e se diferenciar da concorrência é cada vez mais necessário ter um modelo tecnológico que permita a empresa atuar de forma mais intensa na parte inovadora das pessoas. Para isso os sistemas que organizam a vida empresarial devem ser menos rígidos e mais flexíveis.
Problemas novos – como a necessidade de se ajustar rapidamente ao que o mercado pede - exigem soluções novas. Antes tínhamos um modelo monolítico de tecnologia. Indiferente dos fornecedores, os gestores permaneciam dependentes em relação ao sistema como um todo. Agora os papéis se inverteram. Ou seja, os executivos já podem dizer para a tecnologia o que deseja, com uma simples entrada de pedido no sistema, para receber o serviço como usuário e não o contrário. O principal objetivo é a independência. A ruptura do modelo atual iniciou-se com a introdução dos conceitos de BPMS – Business Process Management Systems e SOA – Service Oriented Architecture. A arquitetura orientada a serviços consegue extrair o máximo de ambientes, aplicações heterogêneas e infra-estrutura existentes e pode ser implementado através dos sistemas já existentes ao invés de exigir um novo, o que reduz gastos com hardware, desenvolvimento e arquitetura. Também facilita o ciclo de melhoria contínua, ao fornecer dados sobre processos executados em um determinado sistema ou componente, bem como cria um ambiente ideal para a monitoração das operações de negócio.
Essa novidade no campo da gestão de processos começa a revolucionar o mercado, pois é como se quebrasse a tecnologia em pedacinhos para obter diversas opções de serviços, uma para comprar, outra para vender, executar, recrutar, controlar, etc. A predominância deixa de ser a linguagem tecnológica. Com a liberdade adquirida sobra mais tempo para estimular o lado criativo das pessoas para os negócios. Tornou-se, assim, vital desenvolver sistema de gestão menos rígido, mais flexível, capaz de permitir que aflua, com maior intensidade, a parte inovadora das pessoas.
Hoje existem dois grupos de empresas, aquelas que fazem gestão com base em regras, políticas e procedimentos rígidos e, de outro lado, as que não tem absolutamente nada e a gestão se dá em um ambiente caótico. Entre os opostos está o mercado a exigir flexibilidade. A burocracia interna represou a energia criativa e acabou engessando as organizações. O que não combina com os tempos atuais de cobrar maior agilidade. Hoje não podemos mais seguir regras predeterminadas para resolver novos problemas. E soluções novas não podem ser adotadas sem conhecimento. Não basta querer ser criativo e inovador sem conhecimento. Neste aspecto, é possível traçar um paralelo com a música clássica. A orquestra toca nota a nota o que foi escrito pelo compositor séculos atrás, enquanto na música atual é grande o espaço para improvisação e inovação. Transposto para o ambiente empresarial, fazer tudo da mesma forma, como na musica clássica, não é mais adequado, não responde às novas necessidades.
O executivo não precisa conhecer ou dominar a linguagem tecnológica para movimentar sua empresa. Hoje ele já pode falar para um fluxograma completo após registrar seu pedido de serviço. Quais tecnologias serão empregadas, sistemas, pessoas e onde o pedido será executado ele não precisa mais saber. A empresa trabalha por processos. Esta é a nova tendência gerada pela combinação do BPM e SOA: a tecnologia vai, a partir de agora, oferecer serviços em uma linguagem de processo. O pedido passa por toda parafernália tecnológica e para o executivo basta saber que os sistemas existentes se encarregam de pegar o seu desejo e executar. É uma mudança cultural importante, traz maior liberdade para o gestor, que vai poder combinar os serviços ou idéias de negócios de uma forma diferente. Vai liberar energia criativa, pois ele não precisa mais ficar preso na execução do pedido. Fica com a cabeça livre para pensar no negócio.Recentes pesquisas mostram que 85% do tempo gasto pelos executivos são para tarefas voltadas para manutenção de seu setor. Ao trabalhar com este novo conceito e livrar-se da burocracia ele estará mais livre para utilizar o estoque de serviços e combinar as opções da forma que quiser. Vai aumentar a complexidade da área de TI com a possibilidade de o gestor conectar todos os processos.
A vantagem de ouro é a flexibilidade para os executivos e usuários de negócio planejarem produtos e serviços de forma inovadora, personalizada, para se ajustarem a públicos específicos, uma tendência de mercado. Pode fazer tudo sozinho, sem ajuda de ninguém, se preferir. Além do ganho econômico, outra vantagem é a capacidade de redirecionamento rápido das decisões de negócio, que hoje tem um peso muito grande no mundo corporativo. Um leque maior de funcionalidades é oferecido como se fosse um cardápio de serviços. Fica mais simples escolher as funções e combiná-las de formas diferentes para obter resultados diversos. Pode-se colocar novos produtos e serviços no mercado, mudar o mix de produção e também ter um controle maior, pois a visibilidade aumenta. O melhor de tudo é que as empresas brasileiras também já podem contar com esse novo conceito de tecnologia.
(*) Luis Alberto Piemonte –é presidente da IDS Scheer, uma das maiores consultorias empresarial do mundo. Com mais de 20 anos de experiência na área de Gestão de Processos de grandes corporações da América do Brasil, Argentina e Alemanha, Piemonte é autor de diversos ensaios e integra o corpo de docentes da Fundação Getúlio Vargas (EAESP), paralelamente à função de consultor do BIRD, presidente do INSADI e principal executivo da IDS Scheer South America.
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