Não existe nada mais frustrante para os profissionais de marketing do que ver o quanto, no Brasil, o termo é pouco compreendido, apesar de amplamente utilizado. Para muitas pessoas, marketing ainda está associado a “enrolação” ou enganação.
Isso se deve a uma série de razões. Dentre outras, estão o contexto histórico em que o marketing foi introduzido no Brasil, quando a economia era protegida da concorrência externa; a sua utilização para a venda de produtos com qualidade inferior; e a sua aplicação em campanhas políticas de candidatos com reputação duvidosa. Como resultado, fala-se de marketing em tom pejorativo, expresso em frases como: “Tal produto não presta, é só marketing”, ou “O candidato tal é fruto do marketing”. Isso se deve, também, à confusão que se faz entre Marketing, Publicidade, Propaganda e Vendas. Ou, ainda, por se acreditar que um produto sem qualidade necessita obrigatoriamente da utilização de marketing para ser colocado no mercado, enquanto aqueles que são realmente bons não têm por que utilizá-lo. Quanto equívoco!
Afirmar que marketing “é isto ou aquilo” de nada adianta se não forem aplicados os seus conceitos básicos, o que significa inicialmente conhecer com detalhes o seu mercado de atuação e, a partir daí, tomar ações sobre ele. Por que tentar fazer com que pessoas comprem os seus produtos se a qualidade é inferior à esperada, ou se estes produtos têm estruturalmente algo que não é do desejo dos clientes? Uma vez detectado o problema ou comparado o produto com aquele oferecido pela concorrência, o cliente, fatalmente, deixará de adquiri-lo de sua empresa. Os empresários devem utilizar as várias ferramentas de marketing, como: Pesquisas de Mercado, Planejamento estratégico, Desenvolvimento de Produtos, Estratégias de Lançamento, Logística de Distribuição e Vendas, Promoção, Propaganda, Merchandising, Publicidade e Pós-Venda. Devem, porém, e acima de tudo, guiar-se com a seguinte premissa básica: você não vende o que você tem e gosta de vender, mas o que as pessoas desejam comprar! Mais do que simplesmente aplicar ferramentas, o empresariado precisa empregar os conceitos do marketing e procurar atender o melhor possível seus clientes.
Empreendimentos, produtos e serviços tornam-se verdadeiros fracassos por se descartar um componente essencial nos negócios – o cliente. Milhões de reais são desperdiçados por não se fazerem verdadeiros business plans, considerando os conceitos de marketing na sua concepção. Depois de realizados, ou melhor, mal idealizados, busca-se desesperadamente, nas ferramentas de marketing, sua tábua de salvação. Marketing não constitui um salva-vidas para produtos ou serviços mal concebidos. Ele tem um caráter muito mais filosófico do que operacional, podendo inclusive ser descartado por empresas que não têm nenhum contato com o consumidor final, mas é fundamental para aquelas que têm no chamado mercado do consumidor final seu core business.
Reynaldo Garcia. Professor Universitário e Consultor de Marketing.
Interatta.reynaldo@hotmail.com
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