Métodos Quantitativos em Contabilidade : A Contabilometria (9)
Soluções para problemas contábeis, administrativos e econômicos, reais, fora de laboratórios ou proposições científicas, devem ser avaliadas no tempo e no espaço onde os fatos ocorrem.
"De modo geral, a palavra modelo pode ser entendida como uma representação simplificada da realidade, estruturada de forma tal que permita compreender o funcionamento total ou parcial dessa realidade ou fenômeno. [...] Em síntese, a palavra modelo refere-se a um conjunto de hipóteses estabelecidas a priori sobre o comportamento de um fenômeno, com base numa teoria já existente ou a partir de novas proposições teóricas."
Assim exposto, verifica-se que sem a aplicação de modelos simplificadores das realidades ou fenômenos contábeis, econômicos e administrativos; a Contabilometria, por mais dados e informações que forneça aos pesquisadores e profissionais de campo, ou seja, por mais variáveis que possa admitir, não será capaz de introduzir todos os elementos de influência sobre os fatos contábeis, de modo generalista ou universal.
Caixeta-Filho e Gameiro (2001, p.12) definem modelo da seguinte forma:
"Modelo, de maneira geral, é a representação simplificada, idealizada para situações do mundo real, Propiciam a aquisição de novos conhecimentos e facilitam o planejamento e previsões de atividades, sempre tendo como objetivo final a Verdade. Apesar da dificuldade para a validação de modelos, sempre haverá uma indicação do nível de sucesso do processo de modelagem, o que estará intimamente vinculado à eventual reprodução da Verdade em investigação."
O Prof. Iudícibus (1982, p.46) em seu artigo "Existirá a Contabilometria?", listou características fundamentais que uma equação contabilométrica deve possuir, nas propriedades 1 e 2, relevância e simplicidade, respectivamente, ele observa:
"Relevância, uma equação contabilométrica precisa ser relevante para um problema importante e não apenas um brinquedo que proporciona prazer intelectual a alguém e nada mais. Simplicidade, uma equação contabilométrica precisa ser suficientemente simples de forma que seu significado possa ser entendido e que operações lógicas e analíticas possam ser realizadas."
Por essa razão, as soluções para problemas contábeis, administrativos e econômicos, reais, fora de laboratórios ou proposições científicas, devem ser avaliadas no tempo e no espaço onde os fatos ocorrem. Embora se adotem os princípios universais das Teorias e suas diretrizes, as Ciências Contábeis não são exclusivamente físicas para permitir que se estabeleçam ou estimem fatos a partir da simples seleção de variáveis explicativas, mesmo considerando-se que nos estudos científicos sejam feitas as seleções de variáveis para permitir que as conclusões desses estudos sejam exatas e comprovadas.
É necessário que exista perfeita interação entre Teoria, dados coletados e modelo explicativo, nos termos estatísticos e matemáticos. Considerando as teses do Professor Iudícibus (1982), em que utiliza a Econometria como parâmetro de algumas de suas suposições acerca da Contabilometria.
Matos (2000, p. 31) em raciocínio a respeito sobre modelos e teorias, observa:
"A construção de modelos econométricos, sem a existência de uma teoria ou outro raciocínio a priori subjacente, tem as seguintes implicações negativas: a) elevado condicionamento à hipótese ceteris paribus; b) descrição, mas não explicação do fenômeno; c) esterilidade do modelo à medida que não permite atuar sobre o curso do fenômeno estudado. O elevado condicionamento à hipótese ceteris paribus indica que a equação descritiva fica excessivamente dependente das condições ou fatores envolvidos nessa cláusula e não incluídos na equação."
Além disso, diferentemente das Ciências Físicas (ou Naturais), na prática, nas Ciências Sociais, não se pode esperar significância total do modelo explicativo, e que o fato contábil se reproduza exatamente, repetindo os efeitos e conclusões das pesquisas de laboratório, dado que as repetições dos experimentos ou eventos são difíceis de se reproduzirem nas mesmas condições no tempo e espaço, sujeitos a eventos políticos e econômicos diversos e complexos; mesmo porque dependem da ação humana muito diretamente, ou seja, o ser humano pode (em tese) aprender com seus erros, pode estudar a História dos eventos e não repetir comportamentos equivocados.
O importante é identificar tendências, sendo assim, a lógica exposta nas análises produzidas serão perfeitamente coerentes e possíveis de se concretizarem com exatidão (Ceteris Paribus), mesmo que sem rigor. Por exatidão e rigor, considere-se que em Economia (Macroeconomia) diz-se que Poupança é igual a Investimento (S = I), todavia, não é possível esperar rigor matemático dessa igualdade ou identidade, pois, em Economia o contrário não seria aceito (como o seria na Matemática), ou seja: Investimento, ou Investment (I) não é igual à Poupança, ou Saving (S).
Iudícibus (1982, p.45), nesse sentido, expõe:
"[...] Acreditamos que, na prática, estas sofisticações podem ser consideradas não relevantes, à medida que existe um largo espectro de fenômenos e transações econômicas reais que também constituem ou estão dentro do conjunto denominado fatos contábeis. Na verdade, o que talvez melhor caracterize uma ciência ou uma metodologia científica não é tanto se os fatos ou fenômenos observados são exclusivos do próprio campo de observação ou provém, pelo menos em parte, de outras ciências ou disciplinas, mas muito mais, pensamos, se pudermos extrair, da análise e observação dos fenômenos, relações de causa e efeito diferenciadas e que nenhuma outra ciência ou metodologia científica consegue extrair igual (à mesma)."
Nas Ciências exatas ou regidas por leis que ficam incontestes por séculos (Matemática, Física etc.) a produção do conhecimento se dá pelo método a priori, é possível fazer inferências a partir de poucas variáveis e ter algumas certezas dos resultados finais.
Nas Ciências Humanas e Sociais a produção se dá pelo método a posteriori, é difícil isolar as variáveis que podem influir na formulação de hipóteses que sustentarão uma tese ou conclusão.
Utiliza-se normalmente, uma ou duas variáveis que estatisticamente sejam significativas e possam explicar o fenômeno em questão e hipóteses são formuladas. Ao longo do tempo as estatísticas vão corrigindo a hipótese original, daí o método a posteriori. A correta identificação e separação de variáveis, o estabelecimento de relações causais entre elas vão sendo apuradas e refinadas com o correr do tempo, aliás, a variável tempo é de fundamental importância nos modelos preditivos ou de projeção.
A Contabilometria, é, sobretudo, de ordem quantitativa, sendo assim, a noção de modelo matemático precisa ser apreendida pelos profissionais e pesquisadores. CRAMER faz as seguintes observações:
"Quando num grupo de fenômenos observáveis é confirmada a evidência de uma regularidade tenta-se estabelecer a correspondente teoria matemática. Essa teoria pode ser considerada como o modelo matemático do conjunto de fatos empíricos que constituem os dados. (1956, p.56, apud Barbancho, 1970, p.29)"
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Carlos Cesar D'Arienzo
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cesar-darienzo@uol.com.br
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Áreas de interesse : Análise econômica conjuntural e estrutural de cenários..







