Texto de Nelson S Lima Ceo do Instituto da Inteligência Nos últimos anos tem aumentado de forma explosiva o número de livros sobre talento, criatividade, inteligência, memória, liderança, etc. Sugerem-se exercícios, estilos de vida, alimentação especial, actividades de estimulação, etc. Enfim, criou-se uma quase histeria sobre “como aumentar o nosso potencial”. Os livros chegam todos os dias…. Infelizmente, muito do que se escreve nesses livros é do senso comum. E muito do que se escreve repete simplesmente o que já se sabe há muito tempo. E, pior ainda, há por aí muitos mitos a circularem sobre as nossas reais capacidades. O nosso “poder” mental é finito, limitado, mesmo muito limitado. Quem acreditar que consegue superar-se para além da sua matriz inicial e tornar-se num superdotado só porque vai “turbinar” o cérebro está a iludir-se. Nunca vi ninguém sair-se muito bem desses esforços para além de uma melhoria sensível num ou noutro aspecto comportamental. Vejam-se alguns mitos:USAMOS APENAS 10% DO CÉREBRO: nada mais errado! Nós usamos todo o cérebro no dia-a-dia. E não usamos apenas 10% das nossas capacidades. Usamos todas. Nem sempre conseguimos é ser bem sucedidos porque isso exige esforço, tenacidade, constância, aprendizagem e muito trabalho e treinamento. TODOS NASCEMOS COM GRANDE POTENCIAL: errado! Os crentes (e são muitos) bem gostariam que todos, à nascença, tivessemos um grande potencial disponível. Infelizmente, as coisas não se passam assim. A realidade é diferente. Para começar, cerca de 10 a 15% das pessoas que nascem no mundo têm problemas, desde o autismo e o atraso mental até outros malefícios e restrições do desenvolvimento. Depois, há factores menores que podem bloquear o nosso desenvolvimento e que pertencem ao domínio da personalidade. Todos nascemos com potencialidades próprias decorrentes de uma série de fatores genéticos e hereditários. O aproveitamente posterior desse potencial vai depender das aprendizagens e dos estímulos ambientais. Superdotados à nascença são apenas 2 a 3%. A MENTE ENVELHECE COM A IDADE: mentira. A mente desenvolve-se com a idade, com a experiência de vida, os novos saberes, a abertura mental, a curiosidade e as novas aprendizagens. Embora esteja demonstrado que nas últimas décadas da vida adulta os genes voltam a ter um papel importante, até mesmo na saúde. O DORMIR SERVE PARA DESCANSARMOS A MENTE: não é bem assim porque a actividade elétrica e metabólica do cérebro durante o sono não é menor. O dormir serve para outras funções que não podem ser realizadas quando estamos acordados. Investigações verificaram que o cérebro trabalha imenso de noite, nomeadamente quando estamos a sonhar. FICAMOS INCONSCIENTES QUANDO DORMIMOS: parece mas não é verdade. Quando dormimos apenas mudamos de estado de consciência. Quando sonhamos, por exemplo, estamos num nível de consciência ativa mas num registo diferente da auto-consciência diurna. PODEMOS APRENDER ENQUANTO DORMIMOS: falso; muitas técnicas que fizeram a sua aparição nos anos 60 e 70 e que apostavam em fazer-nos aprender enquanto dormíamos ouvindo lições gravadas resultaram infrutíferas. O cérebro guarda informação de forma distinta e o processo é complexo. Mesmo 80% do que aprendemos na escola ou ao longo da vida vamos esquecer com o passar do tempo se não fizermos re-aprendizagens. Muito do que julgamos saber são apenas ideias vagas e por vezes erradas. APRENDER LIBERTA O SER HUMANO: discutível; muito do que aprendemos ao longo da vida são apenas crenças e não fatos; por outro lado, muito do que aprendemos não nos liberta mas condiciona nossas escolhas gerando inibições e medos; por outro lado, somos moldados pelos programas académicos, a época, a família e a hiper-especialização. Poucas pessoas têm uma mente aberta capaz de aceitar de ânimo leve novos conhecimentos que ponham em causa os conhecimentos anteriores e que se tornaram crenças para elas. Até breve! PORQUE HÁ MAIS. Fica para uma próxima oportunidade. www.inteligenciaexecutiva.blogspot.com www.academiadofuturo.com ………