07 de janeiro de 2010, às 11h39min

Montanha de dólares

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A crise mundial que empurrou o Brasil para a recessão na primeira metade do ano passado não impediu que o país recebesse uma montanha de dólares. Dados consolidados pelo Banco Central mostram que, em 2009, o saldo cambial ficou positivo em US$ 28,7 bilhões, o terceiro melhor resultado anual da série histórica iniciada em 1982. Com isso, o superavit nos sete anos de governo Lula alcançou US$ 178,4 bilhões contra um deficit de US$ 26,3 bilhões nas duas administrações de Fernando Henrique Cardoso, marcadas pelo programa de privatização que atraiu um volume maciço de capital estrangeiro.

Essa entrada de dinheiro em 2009 explica, em parte, a queda de 25% registrada na cotação do dólar no ano passado, que poderia ter sido maior, não fossem as intervenções do BC no câmbio e as apostas do próprio mercado financeiro em relação à tendência da moeda. Os bancos, que começaram o ano apostando na desvalorização do dólar, terminaram 2009 com uma expectativa de valorização em relação ao real.

Reflexos da crise
As previsões já divulgadas pelo governo e pelo mercado para 2010 mostram que os números do fluxo cambial não devem se repetir neste ano. Os investimentos na Bolsa e no mercado de títulos públicos, que respondem por boa parte do fluxo financeiro, devem cair quase 50%, prevê o BC. Também se projeta aumento no deficit nas transações do Brasil com o exterior, por conta da piora na balança comercial e do aumento das remessas de lucros das multinacionais.

Em 2008, ano em que o mundo enfrentou a crise financeira a partir de meados de setembro, o saldo havia sido negativo em US$ 983 milhões. Nos dois anos antes da crise, a entrada de dólares no Brasil foi maior do que em 2009: US$ 87,454 bilhões em 2007 e US$ 37,270 em 2006.

Investimentos
Em 2009, o fluxo cambial foi puxado pelo segmento financeiro – investimentos em títulos, Bolsa de Valores e investimentos estrangeiros diretos, entre outros – com saldo de US$ 18,808 bilhões.

Somente no mês de dezembro de 2009, o fluxo cambial foi positivo em US$ 1,986 bilhão, contra o resultado negativo de US$ 6,373 bilhões em 2008. O fluxo financeiro de dezembro de 2009 ficou positivo em US$ 3,120 bilhões, enquanto o comercial fechou negativo em US$ 1,135 bilhão.

O crescimento do chamado fluxo cambial também permitiu que o BC reforçasse ainda mais as reservas internacionais do País. Desde maio, quando retomou os leilões diários de compra de moeda estrangeira, o BC adquiriu no mercado US$ 27,4 bilhões - o equivalente a 95,6% do volume de recursos externos que ingressou na economia em todo o ano.

O retorno dos dólares ao Brasil começou a ocorrer apenas sete meses após o agravamento da crise em meados de setembro de 2008. Desde abril, o fluxo cambial é positivo todo mês. Entre abril e dezembro de 2009, o País recebeu US$ 31,7 bilhões. O valor foi mais que suficiente para cobrir o rombo de US$ 21,1 bilhões gerado pelos estrangeiros que deixaram o País entre outubro de 2008 e março de 2009, no auge da crise.

Recuperação
Em 2008, o fluxo cambial havia ficado negativo em US$ 983 milhões. Somente no segmento de investimentos financeiros e produtivos, houve saída líquida de US$ 48,8 bilhões.

Esse cenário, no entanto, se inverteu completamente e o País passou a ser um novo polo de atração de recursos, o que se comprovou em outubro, quando a subsidiária brasileira do Santander vendeu ações em São Paulo e Nova York e captou US$ 7,7 bilhões, dos quais US$ 6 bilhões com estrangeiros. Foi a maior oferta de ações em todo o mundo em 2009. Além disso, muitos investidores se anteciparam à decisão do governo de taxar as operações estrangeiras no mercado financeiro. A cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) começou no final de outubro e ajudou a estabilizar o dólar na faixa entre R$ 1,70 e R$ 1,75.

Além das operações financeiras, o BC registra também o fluxo de dólares no comércio exterior, que teve em 2009 o pior resultado em nove anos (US$ 9,9 bilhões). Com isso, pela primeira vez desde 2000, o Brasil recebeu mais dólares pela área financeira do que pelo comércio internacional, tendência que deve se manter neste ano. A piora nessa área se deu não só pela queda nas exportações brasileiras, mas também pelo fato de muitas empresas terem deixado parte dos dólares dessas operações fora do país -cerca de US$ 7,5 bilhões.

Bibliografia
Jornal do Brasil de 07 de janeiro de 2010
Correio Braziliense de 07 de janeiro de 2010
O Estado de S. Paulo de 07 de janeiro de 2010
Folha de S. Paulo de 07 de janeiro de 2010
 

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Sou economista, especialista em economia e finanças com MBA em gestão empresarial.

Sou sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corporativos.
 
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sou pne por acidente do trabalho posso, ha vagas para mom.
 
ta bom. mas preciso enderecos de microempresas da grande Para. Como posso conseguir? manda pro meu e...
 
Pertinente. Portugal está na merda mesmo.
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