28 de setembro de 2008, às 05h22min

Não hostilize os seus ex-empregados

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Face à fuga dos seus cérebros, o pior que pode fazer é adoptar uma estratégia de «hard power» - hostilizá-los, armadilhar a saída deles com disposições legais draconianas sobre o período de «nojo», ou mesmo adoptar, na sombra, tácticas persecutórias ou difamatórias.

“A estratégia mais inteligente é cultivar os laços com os que saem e usar o seu capital social”, diz-nos Ian O.Williamson, de 35 anos, um nativo de Chicago que resolveu ir dar aulas de gestão para bem longe, para a terra dos cangurus, para a Melbourne Business School. Williamson veio atraído pela “estratégia que a Austrália está a desenvolver na Ásia-Pacífico, nomeadamente com a China”, onde o investigador tem ensinado nos últimos dois anos.

A sua investigação, com Deepak Somaya, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em torno de como lidar com os ex-quadros mereceu um prémio da área de Recursos Humanos da Academy of Management para o melhor artigo científico em 2007.

Alta mobilidade

A mobilidade do talento é “um facto incontornável da vida”, sublinha, com uma percentagem elevada nos anos mais recentes: 30%, segundo uma avaliação realizada para os anos de 2005 e 2006 pela Society for Human Resource Management. Um terço do seu capital humano, com o conhecimento que leva atrás (desde boas práticas, carteiras de contactos até segredos industriais), vai para outras paragens – para clientes, para fornecedores, para concorrentes, ou mesmo para sectores completamente diferentes, ou para negócios próprios.

Williamson diz que há duas atitudes: ou perder a cabeça, e adoptar a via tradicional de ‘queremos o traidor vivo ou morto’, ou adoptar a postura de “activamente explorar todo o potencial que a ida para outro lado possa criar”.

A segunda opção significa, refere o investigador, “perceber que se perdeu o capital humano que o ex-quadro leva, mas procurar reter o acesso ao capital social que partilha com ele”. Ele encontra na McKinsey um bom exemplo destas práticas: “Esta firma de consultoria entende muito claramente que os ex-empregados são uma fonte de conhecimento e de negócios futuros”.

Saber extrair valor

O investigador não descarta a necessidade de normas relativas à protecção legal da empresa face à saída de quadros que detenham conhecimento relevante, ou mesmo segredos, mas frisa que deve ser desenvolvido um conjunto de tácticas “relacionais” que mantenham a ligação formal (como por exemplo, associações de ex-quadros) ou informal (entre colegas, por exemplo). “Lembre-se que investiu imenso no quadro que agora saiu, por isso procure, pelo menos, continuar a tirar algum valor dele”, comenta com alguma malícia.

Williamson construiu, por isso, uma matriz, em que toma em linha de conta duas variáveis – por um lado, a importância estratégica do conhecimento que detém o quadro que sai e, por outro, o local para onde foi (um espaço que vai do potencial cooperante ao concorrente hostil).

O caso de destinos cooperantes – clientes, fornecedores, parceiros, ou mesmo consultoria, ou criação de empresas em áreas adjacentes - é mais fácil de compreender e de lidar. O caso mais “amigável” é quando o quadro que sai “tem uma importância estratégica mais reduzida e vai para um destino potencialmente cooperante”.

O problema é o resto, sobretudo quando o ex-quadro vai para um concorrente emergente ou hostil. A matriz desenvolve, por isso, quatro cenários distintos e um portefólio de estratégias específicas. Mas Williamson recomenda, em todos os casos, bom senso – análise concreta da situação concreta.

 

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Autor

Jorge Nascimento Rodrigues, português, nascido em 1952, editor na área de management, tecnologia, macroeconomia, geopolítica e história económica. Fundador e editor na Web de www.janelanaweb.com e www.gurusonline.tv. Bloguer em http://geoscopio.tv. Colaborador do semanário português Expresso desde 1983. Coordenador da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão (Indeg, Lisboa, e Fundação Getúlio Vargas,Rio de Janeiro).  Coordenador Executivo da Editora Centro Atlântico. Autor. Pode ser contactado pelos emails: jnr@groupadventus.com e jnr@mail.telepac.pt
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Ilustração: Jorge visto pelo traço de Paulo Buchinho, um dos ilustradores portugueses de renome internacional. Pode ser contactado através do seu portal www.paulobuchinho.com.

 
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sou pne por acidente do trabalho posso, ha vagas para mom.
 
ta bom. mas preciso enderecos de microempresas da grande Para. Como posso conseguir? manda pro meu e...
 
Pertinente. Portugal está na merda mesmo.
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