Não hostilize os seus ex-empregados
Normal 0 21 false false false PT X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Table Normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:11.0pt; font-family:"Calibri","sans-serif"; mso-ascii-font-family:Calibri; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-theme-font:minor-fareast; mso-hansi-font-family:Calibri; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}
Face à fuga dos seus cérebros, o pior que pode fazer é adoptar uma estratégia de «hard power» - hostilizá-los, armadilhar a saída deles com disposições legais draconianas sobre o período de «nojo», ou mesmo adoptar, na sombra, tácticas persecutórias ou difamatórias.
“A estratégia mais inteligente é cultivar os laços com os que saem e usar o seu capital social”, diz-nos Ian O.Williamson, de 35 anos, um nativo de Chicago que resolveu ir dar aulas de gestão para bem longe, para a terra dos cangurus, para a Melbourne Business School. Williamson veio atraído pela “estratégia que a Austrália está a desenvolver na Ásia-Pacífico, nomeadamente com a China”, onde o investigador tem ensinado nos últimos dois anos.
A sua investigação, com Deepak Somaya, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em torno de como lidar com os ex-quadros mereceu um prémio da área de Recursos Humanos da Academy of Management para o melhor artigo científico em 2007.
Alta mobilidade
A mobilidade do talento é “um facto incontornável da vida”, sublinha, com uma percentagem elevada nos anos mais recentes: 30%, segundo uma avaliação realizada para os anos de 2005 e 2006 pela Society for Human Resource Management. Um terço do seu capital humano, com o conhecimento que leva atrás (desde boas práticas, carteiras de contactos até segredos industriais), vai para outras paragens – para clientes, para fornecedores, para concorrentes, ou mesmo para sectores completamente diferentes, ou para negócios próprios.
Williamson diz que há duas atitudes: ou perder a cabeça, e adoptar a via tradicional de ‘queremos o traidor vivo ou morto’, ou adoptar a postura de “activamente explorar todo o potencial que a ida para outro lado possa criar”.
A segunda opção significa, refere o investigador, “perceber que se perdeu o capital humano que o ex-quadro leva, mas procurar reter o acesso ao capital social que partilha com ele”. Ele encontra na McKinsey um bom exemplo destas práticas: “Esta firma de consultoria entende muito claramente que os ex-empregados são uma fonte de conhecimento e de negócios futuros”.
Saber extrair valor
O investigador não descarta a necessidade de normas relativas à protecção legal da empresa face à saída de quadros que detenham conhecimento relevante, ou mesmo segredos, mas frisa que deve ser desenvolvido um conjunto de tácticas “relacionais” que mantenham a ligação formal (como por exemplo, associações de ex-quadros) ou informal (entre colegas, por exemplo). “Lembre-se que investiu imenso no quadro que agora saiu, por isso procure, pelo menos, continuar a tirar algum valor dele”, comenta com alguma malícia.
Williamson construiu, por isso, uma matriz, em que toma em linha de conta duas variáveis – por um lado, a importância estratégica do conhecimento que detém o quadro que sai e, por outro, o local para onde foi (um espaço que vai do potencial cooperante ao concorrente hostil).
O caso de destinos cooperantes – clientes, fornecedores, parceiros, ou mesmo consultoria, ou criação de empresas em áreas adjacentes - é mais fácil de compreender e de lidar. O caso mais “amigável” é quando o quadro que sai “tem uma importância estratégica mais reduzida e vai para um destino potencialmente cooperante”.
O problema é o resto, sobretudo quando o ex-quadro vai para um concorrente emergente ou hostil. A matriz desenvolve, por isso, quatro cenários distintos e um portefólio de estratégias específicas. Mas Williamson recomenda, em todos os casos, bom senso – análise concreta da situação concreta.
Curta o Administradores no Facebook e siga os nossos posts no @admnews.
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Jorge Nascimento Rodrigues, português, nascido em 1952, editor na área de management, tecnologia, macroeconomia, geopolítica e história económica. Fundador e editor na Web de www.janelanaweb.com e www.gurusonline.tv. Bloguer em http://geoscopio.tv. Colaborador do semanário português Expresso desde 1983. Coordenador da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão (Indeg, Lisboa, e Fundação Getúlio Vargas,Rio de Janeiro). Coordenador Executivo da Editora Centro Atlântico. Autor. Pode ser contactado pelos emails: jnr@groupadventus.com e jnr@mail.telepac.pt
No Facebook em: J Nascimento Rodrigues.
No twitter em: JotaNR
Último livro-projecto: Portugal, Pioneiro da Globalização
Ilustração: Jorge visto pelo traço de Paulo Buchinho, um dos ilustradores portugueses de renome internacional. Pode ser contactado através do seu portal www.paulobuchinho.com.







