Crise econômica, sem dúvida, é a palavra que mais se grafou em jornais e o assunto que mais, repetidamente, esteve na boca de apresentadores de noticiários de televisão do mundo, principalmente no ano passado. O temor se transformou em medo e este provocou pânico nos principais mercados mundiais. Porém, no início deste mês o mundo voltou a ficar em alerta devido a crise econômica da Grécia. Depois da quebra do Lehman Brothers, em 2008, nenhum acontecimento semeou tanta preocupação quanto a crise grega. Depois do colapso econômico e dos protestos da população, a União européia aprovou um pacote de 110 bilhões de euros para a Grécia, o maior concedido a um país. Com a medida, espera-se conter a crise e, assim, evitar que outros países como Portugal, Itália, Espanha e Irlanda acabem entrando pelo mesmo caminho. Na verdade, tempos de crises só são nichos de oportunidades para aqueles que tem a capacidade de gerir negócios, empresas, bancos e municípios sob a égide de competentes administradores. O verbo administrar não deve ser valorizado apenas em tempos de crises, mas o tempo todo, até mesmo para que não se chegue a momentos críticos totalmente despreparados. Administrar é um verbo do presente, que deve ser conjugado com o olhar no futuro. No entanto, hoje, é reconfortante olhar pelo retrovisor do passado econômico mundial, relembrar da crise pós quebra da bolsa, em 1929, da penúria, principalmente da Europa, ao final da II Guerra Mundial e, até mais recentemente, do pânico instalado quando da chegada do ano 2000, quando se supunha uma crise e uma desordem sem tamanho com um imaginado bug do milênio. Sim, há mais uma crise econômica que, se não for bem administrada, poderá ganhar proporções mundiais semelhante a crise que vivemos no ano passado. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a crise econômica da Grécia não afetará o Brasil. Talvez, os efeitos serão percebidos em proporções menores. Mas, como em um vôo que atravessa uma tempestade, as turbulências servem para nos chamar a atenção sobre a importância da vida, de se planejar o futuro e de se corrigir os rumos próprios em relação a tudo. Para o Sistema Conselhos Federal e Regionais de Administração (CFA/CRAs), a crise é um momento para trocar angústias e temores por correções de rumos e ações positivas. Acreditamos no futuro melhor, principalmente quando se conjuga o verbo administrar eficazmente. Este é o momento de avançar, corrigir rumos e vencer a tempestade. Isso é possível quando se soma a determinação, coragem e trabalho e se conta com a competência de Administradores no planejamento das ações, no acompanhamento da trajetória selecionada para se chegar ao outro lado, são e salvos. Os ventos que indicam ou noticiam crises podem ser os mesmos que instigam à busca de oportunidades ou que remetem à batalha por tempos de bonança. A arte de administrar se concretiza, e ganha contornos de perfeição, justamente em momentos difíceis. É em mar bravio que se destaca quem melhor navega. Adm. Roberto Carvalho Cardoso Presidente do Conselho Federal de Administração