13 de dezembro de 2010, às 14h43min

O caso de Maria José

Trata-se do caso de uma funcionária que inicia suas atividades no novo trabalho com a "corda toda", dando o máximo de si, com a demanda do máximo de energia e demonstrando iniciativa e pró-atividade; afinal, temos que mostrar todo o nosso potencial para causar boa impressão, Correto? veremos...

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Numa fábrica sediada no Norte do País, o diretor tinha sob seu comando três operárias que já trabalhavam com ele, havia algum tempo. A produção era sempre a mesma, não necessitando de inovação tecnológica ou de alta produtividade. Com isso, as operárias ficaram acomodadas.

Certo dia, o diretor decidiu incrementar a produção, precisando contratar mais uma pessoa. Entrevistou algumas candidatas e escolheu uma que parecia ser bastante competente e com bom perfil profissional – Maria José.

Ao iniciar suas atividades, Maria José iniciou arrumando o local de trabalho; a fábrica já nem parecia a mesma. Suas colegas não olharam com bons olhos a atitude da nova companheira, pois afinal, aquele lugar basicamente pertencia a elas.

Ao iniciar as atividades na produção propriamente dita, Maria José teve um desempenho fantástico. Quase superou a produtividade das outras três colegas. Os dias foram passando e Maria José foi sofrendo perseguição das colegas que a viram como ameaça.

O dono da fábrica nada percebeu em relação aos conflitos interpessoais, ao contrário, estava satisfeitíssimo com os resultados apresentados pela nova funcionária.

Com o passar dos dias, as colegas foram excluindo a Maria José e deixando-a acuada. Finalmente as funcionárias chamaram o diretor para expor a situação: disseram que Maria José não foi bem aceita pelo grupo e que a decisão estava em suas mãos, ou ele demitia Maria José ou todas estariam colocando seu cargo à disposição.

Esse caso nos remete a uma situação muito recorrente nos dias atuais. Basicamente fomos ensinados de que devemos começar em novo emprego "com a corda toda" dando o máximo de nós, com a demanda do máximo de energia e demonstrando iniciativa e pró-atividade; afinal, temos que mostrar todo o nosso potencial para causar boa impressão, Correto? Não, pois a competitividade, tão apregoada no mundo corporativo, infelizmente acaba gerando agitação entre os colegas, clima de competição e, como consequência, desequilíbrio nas relações interpessoais.

A ansiedade inicial de nossa protagonista Maria José fez com que ela não percebesse o clima e os conflitos que causava no ambiente. Afinal, operários que trabalham mais rápido que os outros, numa linha de produção, são chamados de "estraga-rítmo", ou funcionários que "chegam-chegando", como se diz no linguajar popular, acabam expondo os colegas de trabalho, fazendo-os parecer mais lentos, quando comparados a eles.

Pelo fato de Maria José ter provocado desajuste na rotina, levou o restante da equipe a desfocar-se de suas tarefas, concentrando-se apenas em avaliações pessoais uns dos outros.

No caso em questão, o mais correto seria Maria José ter iniciado suas atividades realizando primeiramente a leitura do ambiente, concedendo-lhe tempo para conhecer as pessoas, a cultura da empresa, o ritmo de trabalho daquele local e ouvir mais do que falar, para depois, sim se moldar à dinâmica da equipe e da empresa, conquistando primeiramente, para construir o relacionamento e especialmente seu espaço.

Não podemos desconsiderar o fato de que cada comunidade impõe seu sistema de identificação –espécie de código interno que, podem aceitar ou não o outro naquele grupo, dependendo do equilíbrio e da empatia entre seus membros.

Ouvir mais do que falar, não significa dizer que se é tímido ou mal humorado e, sim, evitar emitir opiniões ou informações a menos que lhe seja requisitado e, quando pedirem, procure ser objetivo e gentil. Isso o ajudará a aumentar seu conhecimento sobre o funcionamento da empresa. Dessa forma, ganhará tempo para avaliar seus colegas e para traçar estratégias, em como trabalhar com eles da melhor forma possível.

Reunir informações, observar e processar, auxiliará a saber em quem pode confiar e como tratar aqueles que, em sua opinião, são duvidosos. Essa é uma tática sensata de se proteger no trabalho, e muito útil, principalmente quando se inicia novo emprego.

Para auxiliar essa reflexão, sugerimos que não apenas quando você tiver iniciando em novo emprego, mas no seu dia-a-dia, revista-se de boas práticas assim como bom senso, jogo de cintura, respeito, tolerância, cordialidade e trabalho em equipe, além de outros fatores importantes para sobreviver e conquistar seu espaço sustentável nesse competitivo mundo dos negócios.

 

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Autor
*Maria Bernadete Pupo é consultora de RH, Coaching certificada pela ICC - Internacional Coaching Community,  professora universitária do UNIFIEO e autora do livro “Empregabilidade acima dos 40 anos” (ed. Expressão & Arte). Contato: mbpupo@terra.com.br

 
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