01 de julho de 2009, às 04h13min

O conhecimento: o novo foco do poder

Por Sibá Machado
 
"O tamanho da inteligência e da riqueza de uma nação, tem exatamente o tamanho de sua população".

Tradicionalmente as sociedades se revesam nas estruturas de poder (qualquer forma de poder) utilizando basicamente três métodos: i) a força (inteligência bélica), ii) a economia (inteligência industrial/comercial/financeira) e iii) o conhecimento (inteligência científica/tecnológica). Trabalhar a geopolítica significa pensar a longo prazo com os pés no presente e acima de tudo com um forte viés nacionalista mesmo em abiente globalizado. A associação de capitais de qualquer natureza no regime capitalista impõe o domínio e poder através da competitividade em suas relações socioeconomicas. Todas as relações por sua vez requerem a liderança de processos obedecendo assim, as leis da dialética que irá determinar a necessidade de aperfeiçoamento dos processos como forma de sobreviver à competitividade e esta acaba se tornando uma "seleção natural" para as pessoas, empresas, povos e nações.

Observando o comportamento da liderança mundial capitalista, desde seu surgimento, tivemos o momento da Inglaterra, Holanda, Espanha, os ensaios da França, as tentativas (bélicas) da Alemanha, Itália e Japão e por fim a supremacia dos EUA pós II guerra mundial. Em todos estes casos os três métodos de ocupação e domínio do poder foram utilizados: a força bélica, a força economica e a força técnica/científica. Depois da II guerra mundial, a corrida tecnológica foi ao apogeu. O Japão toma a decisão de abandonar a luta militar e adota a corrida tecnológica; os norte americanos, pelas boas condições do pós guerra partiram com tudo para a liderança do mundo usando claramente os três métodos e os alemãs, ingleses e franceses criaram a "Comunidade Economica do Carvão e do Aço - CECA, que veio a se tornar a atual "União Européia". Os Russos por sua parte (pelos efeitos da guerra fria) assumem a liderança da corrida aero-espacial (cosmonautas).

Deste cenário e como desdobramentos do acordo de Ialta (EUA/URSS) que dividiram o mundo em duas partes: a capitalista e a comunista, os europeus se sentiram obrigados a se contituirem também num bloco economico forte: a União Européia - UE. Com a UE, surge a febre dos blocos economicos em todos os continentes e uma corrida tecnologica/comercial em busca de competitividade e tentativa de sobrevivência à nova realidade. Além da UE, surgiram a APEC, NAFTA, MERCOSUL e uma série de bloquinhos (muito pobres) em outras partes do mundo além da tentiva dos EUA de criar a ALCA.

Na idade antiga e na idade média, a ciência viveu basicamente em sua natureza pura, momento das grandes construções da filosofia e da matemática, o ensino era personalisado e havia pouca experimentação, com excessão das artes e da arquitetura. Na quimica se tentou a fórmula para transformar ferro em ouro, há quem diga que Leonardo da Vince dissecava cadáveres revelando-se um curioso da medicina. Por outro lado, a igreja católica que dominou por muitos séculos as chaves do conhecimento, impunha um rígido controle sobre quem fazia ciência e se alguém fosse considerado um bruxo deveria ser queimado na fogueira.

Os séculos XVII e XVIII foram marcantes para a libertação da ciência e sua aplicação prática aos processos produtivos e o momento de seu casamento com a técnica que deram a luz a uma filha chamada tecnologia, condição ímpar para alavancar o sistema que esta nascendo: o capitalismo. Mas foi no século XX que a ciência aplicada encontrou terreno fértil. O sistema capitalista precisou de mercados cada vez maiores, precisou acelerar os processos produtivos, reduzir custos, aumentar a produtividade, colocar o trabalhador no ritmo da máquina, acelerar a urbanização e criar o exército de reserva de mão de obra  e por fim, transformar a ciencia num instrumento de trabalho da economia e arma do poder.

A relação de poder é sempre uma relação entre um forte dominador e um fraco dominado. Essa dominação ao longo dos tempos sempre se utilizou dos três métodos e se impõe tanto pela dependência quanto (e principalmente) pelo medo. Em todos os aspectos, quem sabe mais pode mais, ser independente é ser conhecedor. Como observação, a relação entre as nações neste momento é marcada pela tecnologia e uma empresa que se prese, deverá investir nessa área tanto quanto é de sua natureza a sua taxa de lucro. Olhando para o Brasil, temos em nossas veias a competição pacífica. Recusamos disputar espaços através da guerra, mas podemos crescer muito através do conhecimento, porque conhecimento é uma poderosa arma do poder. 

 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-conhecimento-o-novo-foco-do-poder/31509/