16 de maio de 2006, às 20h01min

O fim do consumo

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O fácil acesso ao crédito e as exorbitantes taxas de juros criaram um futuro perigoso para a economia brasileira. Há vários indícios de que um estrangulamento da capacidade de compra da população está por vir. O modelo de falência pelos juros que ao qual o Estado submete-se hoje chegou aos núcleos familiares. E isso gera graves problemas. É uma equação simples: se não há consumo, não há venda, sem vendas, não há produção, sem produção, não há emprego e sem emprego, não há renda. Se os agregados macroeconômicos estão saudáveis como dizem os analistas, a economia doméstica de muitas famílias está na UTI. São fortes os argumentos desta tese. O lucro dos bancos continua crescendo. O Valor On Line apontou que Bradesco, Itaú e Unibanco tiveram lucro líquido consolidado de R$ 3,51 bilhões no primeiro trimestre, 27,8% superior ao de igual período em 2005. Uma das principais fontes de receita dos três bancos foi o crédito, que cresceu 25,3% sobre março de 2005, para R$ 188,079 bilhões. Por outro lado, o SERASA informa que houve uma alta expressiva de 35,1% na inadimplência de pessoa física, em março deste ano, na comparação com fevereiro de 2006. É uma gigantesca bola de neve em pleno país tropical. A necessidade de empréstimos, que resultou no aumento do lucro dos bancos, em grande parte, é fruto da necessidade das famílias de colocaram em dia dívidas anteriormente contraídas. Percebe-se claramente que a classe média hoje faz a opção pela troca de juros, pagando, por exemplo, o cartão de crédito com o dinheiro do cheque especial, paga o cheque especial com CDC e paga CDC´s desfazendo-se de patrimônios. Até mesmo entre os aposentados, que possuem renda garantida, verifica-se aumento de inadimplência. Os estudos governamentais apontam para uma taxa de crescimento do PIB por volta de 3,7%, bem superior aos 2,3 % de crescimento em 2005. Esse crescimento, porém, está sendo criado artificialmente por meio do acesso ao crédito, mas os índices de insolvência poderão fazer com que a bolha estoure. Isso certamente não é o que se possa chamar de desenvolvimento sustentado. Claudio Marlus Skora é administrador, economista e mestre em Administração de Empresas. Entre em contato com suas colaborações, críticas e dúvidas: claudio_skora@hotmail.com Esta coluna foi publicada no jornal Hora H de Curitiba na data de 18 de maio.
 

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Autor
Claudio Marlus Skora é Administrador, Economista e Mestre em Administração pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente é professor convidado do IBPEX - Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão e Diretor Pedagógico da Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis -CESUSC. Atua na área de Gestão de Instituições de Ensino e Consultoria Empresarial
 
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