07 de junho de 2009, às 15h01min
O Manual da Excelência Arquitetônica
O Manual da Excelência Arquitetônica
Por Abraão Dahis*
Como criar espaços que produzam somente efeitos benéficos às vidas das pessoas que os utilizarem, sem saber quem são, o que gostam ou não, o que querem e o que esperam da vida estando ali? Como garantir que meu projeto seja um “plano perfeito” e, esteja tão correto que me permita assumir tranquilamente este compromisso, seja perante uma criança, uma senhora idosa, um casal de jovens recém-casados, uma empregada doméstica, um porteiro ou qualquer outro que irá utilizar um espaço por mim projetado - sem eu ter levado em consideração quem realmente será este usuário final?
Como admitir o absurdo de projetar uma residência para um “público-alvo”?
Proponho a criação de um “Manual da Excelência Arquitetônica”, onde seriam listadas as necessidades gerais das pessoas em relação ao local onde pretendem viver, baseadas em levantamentos de dados, métricos e ergonométricos básicos dos moradores da região onde se construirá o imóvel, acrescidas de determinadas normas legais importantes e necessárias.
O Manual contemplaria também e, principalmente, as necessidades personalizadas, individualizadas, “marcadas digitalmente” por cada futuro morador. Seriam então desenvolvidas as soluções que contemplassem tanto os interesses de empreendedores imobiliários, arquitetos e construtores, quanto dos adquirentes das unidades do edifício ou condomínio ainda a ser construído.
É importante ressaltar que o Manual será, por princípio, um organismo vivo, não finito. Ele representará um retrato das necessidades dos moradores no momento em que ele for redigido. Depois, deverá ser atualizado constantemente, com soluções que se adéqüem às novas demandas, bem como a partir do aprendizado com as experiências anteriores.
As salas não poderão mais serem mal dimensionadas nem mal proporcionadas. Não se poderá mais obrigar ninguém a passar diariamente por uma circulação que lhe seja apertada, ou não usufruir de um sistema de ventilação e iluminação naturais eficiente. Não acontecerá de o morador ter que conviver com a ausência de uma solução humanamente adequada para determinados espaços, mesmo que legislativamente permitida, fundamentadamente projetada, criteriosamente executada e maquiadamente vendida (desta forma legal, porém indigna para com aqueles que ali irão viver). As relações se tornarão transparentes, leais e verdadeiras, com foco total no que o usuário, e somente ele, considera como a sua concepção de qualidade de vida.
Você imagina ser consultado pelo arquiteto que projetará o edifício onde você irá morar dentro de uns dois anos? Que perguntas ele lhe faria e o que responderia? “... Eu quero que ela me abrigue da chuva, do vento, do calor e do frio, me proteja e me dê tranqüilidade e calma ao voltar de um dia de trabalho. Contenha os retratos dos momentos da minha vida e da minha família, seja o berço de... etc, etc, etc...”
É preciso que exista uma relação verdadeira entre as pessoas envolvidas e esta seja transportada para o projeto da casa, de forma que ela também inspire essa confiança, essa necessária honestidade para com os moradores. Seu lar tem de ser o que ele é: ter medidas e proporções adequadas a você, sem ornamentações supérfluas, sem detalhes desnecessários nas fachadas, sem aquelas soluções simplesmente estéticas baseadas em gostos relativos. O compromisso com o que é verdadeiro deve se manter, do início do projeto até o fim da sua execução, exemplificando condutas entre as pessoas.
Os materiais seguem a mesma regra, sem modificações que interfiram na sua natureza: pedra, madeira, concreto, vidro, sem revestimentos que imitem outros materiais, como pisos que imitam mármore ou laminados que imitam madeira. Nada de falsidade! Nada de omissões! A comunicação tem que ser direta, sem interferências difusas. A nova arquitetura não deve esconder nada: caixas d’água, lavanderia ou o quarto da empregada. Tudo deve ser o que realmente é, o que se vê porque existe, da melhor forma possível. A beleza de sua casa estará na dignidade e honestidade, desde o momento de sua concepção como idéia. Integridade: o que se faz, deve seguir o que se fala e o que se promete seguido do que realmente será cumprido.
Certa vez, há muitos anos atrás, ao iniciar o desenvolvimento de um projeto de arquitetura de interiores para o apartamento de um jovem casal, minha cliente, perdeu sua mãe falecida inesperadamente. Chocada e muito triste, ela não se interessava obviamente por nada que se relacionasse com o futuro. A dor sempre a trazia para o passado e presente. Como um projeto é o planejamento de um “sonho futuro”, a se realizar em uma determinado prazo, imaginei, então, ajudá-la a superar este momento através das ferramentas que possuía. Desenvolvi uma sala de estar, íntima. Onde ela viesse a querer olhar para cima, para o alto...
Você quer sair de um estado depressivo? Levante a cabeça e olhe para cima em vez de para baixo. Veja o céu e não o chão. Estique o pescoço em vez de comprimi-lo. Mire o infinito e alimente suas vias respiratórias com oxigênio.
“Torneados em mogno com verniz poliuretano alto brilho saíam horizontalmente da parede nobre do ambiente em direção ao seu centro, e iniciavam uma curva de 90º em direção perpendicular ao teto rebaixado em gesso liso, e pintado com tinta esmalte sintético alto brilho na cor branca”.
Em outras palavras, projetei cilindros maciços de madeira de 5cm de diâmetro, que saíam de dentro da parede principal da sala, a uns 50cm do teto rebaixado e, ao se aproximarem do centro do ambiente, iniciavam uma curva subindo retos em direção ao teto. O rebaixo de gesso foi pintado com tinta branca brilhosa, e os refletia como um espelho, dando a sensação de “linhas na direção do céu”. Não lhe falei sobre minha interpretação, porém, ela aprovou a idéia de imediato e acredito que o trabalho ainda esteja lá.
Em inúmeros exemplos pelo mundo afora, os arquitetos têm procurado introduzir em seus projetos, não só estas sensíveis relações humanas com seus clientes, como também as relações destes com a natureza. Nos lugares onde as pessoas vivem, incentiva-se a criação de jardins internos ou vistas externas, aberturas superiores, tanto para que se possa olhar para o céu como para se poder trazer luz natural para o interior. Implantam-se, até mesmo, lâminas d’agua como lagos internos, que refletem o entorno, e ainda, utilizam de forma ampla a transparência dos vidros, e as influências das energias subliminares, como a Chi no Feng Shui tradicional, tentando unificar os seres humanos com suas divindades, sejam quais forem, permitindo-lhes obter o prazer e os benefícios que a energia destas interações proporciona. Provavelmente, acredito, existe algo mais “por trás das paredes”.
Falamos de “boas energias” mas, é necessário falarmos também das “más energias” que, antagonicamente existem, tal qual o branco e o preto ou o claro e o escuro. Alguns edifícios possuem grades de fechamento, alarmes, controles e vidros a prova de balas, ocasionando interiores escuros e mal ventilados. Muitas vezes não há qualquer visão do exterior a não ser pelas telas dos monitores de imagens. É como se todos estivessem ainda vivendo na idade das cavernas, com medo dos animais ferozes, das intempéries, trovões e ocorrências “inexplicáveis”, fazendo com que o medo torne a prisão melhor que a liberdade. Obviamente, não posso propor exposição a perigos, mas tenho a obrigação de pensar a respeito.
*Sobre Abraão Dahis
Graduado em arquitetura pela Universidade Santa Ursula, em 1982; Cursou marketing na Cademp da FGV - Fundação Getúlio Vargas; pós-graduado Master em Gerenciamento de Projetos pela Escola Politécnica da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro; Practitioner em PNL - Programação Neurolinguística pelo INAp - Instituto de Neurolinguística Aplicada; Tem formação em Coaching com certificação pelo InCoaching International Coaching Institute.
É membro do CREA-RJ Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, da SBNeC Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, do PMI Project Management Institute e do ICF International Coach Federation.
É Empresário Sênior com empresa própria desde 1986 e trabalha como Arquiteto e Gerente de Projetos, além de atuar como Coach, Colunista, Trainer e Palestrante especializado em Gestão de Projetos de Mudanças Pessoais e Profissionais. Contatos: www.espacoeexpressao.com.br
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Assuntos
arquitetura, qualidade, excelencia, cliente, arquiteto, construtor, incorporador, imobiliario, cidade, urbano
Autor
Em 1982 foi graduado em arquitetura, paisagismo e urbanismo pela USU-RJ, cursou marketing na Cademp da FGV - Fundação Getulio Vargas e é pós-graduado MPM Master em Gerenciamento de Projetos pela Escola Politécnica da UFRJ - Universidade Federal RJ.
Possui formação em Coaching pelo Instituto InCoaching
Arquiteto, Gerente de Projetos, Coach e Trainer
Editor do Guia Sobresites de Gerencia de Projetos
Membro do PMI - Project Management Institute.
Membro do ICF - International Coaches Federation
Membro do CREA - Conselho Reg. Eng. Arq. do RJ
Membro da SBNeC - Sociedade Brasileira de Neurociencias e Comportamento
Desde 1986 quando fundou sua empresa Espaço e Expressão, atua no planejamento e gerenciamento de projetos pessoais e profissionais.
Atualmente dedica-se também à transmitir por meio de palestras, cursos e workshops, sua experiência e conhecimento adquiridos.
Possui formação em Coaching pelo Instituto InCoaching
Arquiteto, Gerente de Projetos, Coach e Trainer
Editor do Guia Sobresites de Gerencia de Projetos
Membro do PMI - Project Management Institute.
Membro do ICF - International Coaches Federation
Membro do CREA - Conselho Reg. Eng. Arq. do RJ
Membro da SBNeC - Sociedade Brasileira de Neurociencias e Comportamento
Desde 1986 quando fundou sua empresa Espaço e Expressão, atua no planejamento e gerenciamento de projetos pessoais e profissionais.
Atualmente dedica-se também à transmitir por meio de palestras, cursos e workshops, sua experiência e conhecimento adquiridos.
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