10 de fevereiro de 2010, às 10h33min

O mercado de álcool combustível

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No transcorrer do final de 2009 e ao menos neste início de 2010, os aumentos contínuos do álcool combustível vêm surpreendendo de modo negativo os consumidores, arranhando o recente ufanismo nacional que colocava o Brasil como o fornecedor mundial do produto. A realidade tem se mostrado muito diferente: a oferta existente não está sendo suficiente para suprir a demanda nacional, além da onda do carro bi-combustível, neste caso uma tecnologia que evita a situação do final dos anos oitenta e noventa, quando naufragou o PROÀLCOOL deixando os então proprietários de carros movidos exclusivamente a álcool com verdadeiros ‘micos de mercado’. E após a explosão de vendas de carros deste combustível, vimos o retorno à predominância da gasolina, até dias mais recentes, quando o álcool voltou a ter preço mais convidativo frente a ela.

O uso do álcool, entretanto, tem seu consumo atrelado ao da gasolina, associado aos parâmetros de ‘poder calórico’ e ‘preço’, ou seja, como o poder calórico do álcool é inferior ao da gasolina, ele será mais consumido por quilômetro rodado. Assim, para que haja vantagem no uso do álcool o seu preço deve formar, em relação ao da gasolina, o coeficiente de até 70%. Abaixo deste percentual seu consumo é vantajoso; acima, passa a ser mais vantagem ao consumidor optar pela gasolina.

O álcool, dentro das atuais diretrizes de sustentabilidade, mostra-se vantajoso tanto por se tratar de recurso renovável, como por poluir menos do que os combustíveis de origem fóssil. Entretanto, sua produção, por depender de safra agrícola, torna-se mais volátil do que a de petróleo nos dias de hoje, já que as jazidas descobertas representam o estoque a ser explorado que permite, inclusive, a prática de cartel da OPEP em torno de produzir mais ou menos, visando a menores ou maiores preços a partir da oferta artificial dos produtores associados.

Neste início de 2010, a relação entre o preço do álcool e o da gasolina faz com que não seja vantajoso o seu consumo do primeiro, dado o seu aumento excessivo. As razões para redução da oferta são basicamente duas: uma de ordem climática e outra associada ao consumo internacional de açúcar. No primeiro caso, o excesso de chuvas contribuiu para a redução da safra de cana, assim como na qualidade da produção obtida, como, por exemplo, a queda na concentração de sacarose. No segundo caso, temos uma situação em que o preço do açúcar no mercado internacional está mais atrativo do que o do álcool. Neste caso, a cana-de-açúcar se presta aos dois produtos, então se faz a opção por aquele que é mais rentável, decorrente da interação destes fatores.

Assim, segundo dados da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a produção de álcool do centro-sul do Brasil, na temporada 2009/10, até o dia 1º de janeiro de 2010, está 7,69% abaixo do mesmo período da safra anterior. Na contramão, segundo dados da mesma instituição, em seu consumo comparado de dezembro de 2009 com 2008, houve um crescimento de 7,65% nas vendas de álcool hidratado para o mercado doméstico, onde fica clara a redução da oferta de um lado e o aumento de demanda do outro, acionando as leis de mercado em favor da oportunidade de acréscimo de preço.

Há que se destacar, porém, que os aumentos, ao compararmos 2009 e 2008, vinham sendo maiores, ou seja, o que se teve pode ser visto como uma retração do aumento. Assim, no comparativo de junho, o crescimento era de 27,78%; de outubro, 18,36% ; de novembro, de 14,8%, ou seja, uma retração de ascensão bastante acelerada que mostra que parte da frota flex possivelmente passou a optar pelo uso da gasolina.

Outra informação da UNICA, que confirma a opção pela moagem da cana em favor do açúcar, é a que identifica que do total acumulado, desde o início da safra 2009/2010, 43,31% da cana processada no centro-sul foi direcionada para a produção de açúcar, contra 39,75%, portanto, aumento, enquanto que a produção de álcool recebeu 56,69% da cana processada no último período, contra 60,25% do anterior, portanto, redução.

No que tange medidas para tentar atenuar, o governo reduziu a quantidade de álcool anidro na gasolina dos então 25% para 20%. Esta mudança não é uma novidade, afinal desde 1977 a porcentagem de álcool na gasolina já variou 32 vezes, entre limites que foram de 10% até 25%, conforme a necessidade do governo de ajustar a oferta do combustível e de açúcar; portanto, o problema não é novo. O resultado disto, no que se refere ao funcionamento dos veículos exclusivamente a gasolina, segundo os técnicos, será um pequeno aumento no consumo de até 2%. Já nos carros flex, a própria injeção eletrônica acaba por fazer o ajuste ao ‘novo’ combustível, ou seja, neste aspecto não haverá maiores novidades.

Já no plano econômico, o que tem ocorrido é que a medida tem se mostrado insuficiente para ajustar o mercado, onde o álcool hidratado continua com os preços em alta, ou seja, neste caso, quando se buscou diminuir a produção de álcool anidro em favor do hidratado, de fato, isto implicou uma queda 28,6% deste primeiro entre a temporada atual e a anterior. Seja como for, tal medida se mostra insuficiente e com a nova tecnologia do carro flex, se quiser pensar num mercado de álcool mais estável o governo deverá investir na logística de estoques, pois deixar este ao sabor do mercado pode colocar em cheque o uso do álcool.

 Por enquanto, a curto prazo, o que deve ocorrer será a fuga do consumidor do álcool a favor da gasolina, o que acabará, reduzindo a demanda, por gerar a pressão para a queda do preço. Isto, é claro, ponderado pelo consumo internacional do açúcar, que deve atrair outros produtores. Eis que a lei do mercado  atuam, então as usinas voltam a produzir álcool. Eis o mercado, é a realidade do álcool, bem menos fantástica do que parecia ser.

 

Gilberto Brandão Marcon, Professor e Pesquisador da UNIFAE, Ex-Presidente do IPEFAE (2007/2009), Economista graduado pela UNICAMP (1982/1985), pós-graduado ‘lato sensu’ em Economia de Empresas pela FAE (1986/1988), com Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação pela UNIMARCO (2006/2008), Comentarista Econômico TV União, Escritor, e com aperfeiçoamento como aluno especial no Mestrado de Filosofia da UNICAMP na área de Filosofia da Psicanálise (2002/2003).  

 

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Autor
Professor da UNIFAE, centro universitário em São João da Boa Vista-SP.  Ex-Presidente do IPEFAE (2007/2009),  instituto que promove estágios, pesquisas e concursos. Formado Economista pela UNICAMP, pós-graduado em Economia de Empresas UNIFAE, com Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação pela UNIMARCO, e doutorando em Educação pela UNIMEP de Piracicaba, além de ter desenvolvido atividades complementares, por quatro anos, em Comentário Econômico da TV local.
 
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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