Não é novidade que a mulher ao longo do século XX vem mudando continuamente a sua participação e papel na sociedade, está tendência segue no primeiro decênio do século XXI. Neste sentido um dado marcante é a crescente participação da população feminina no mercado de trabalho, dados que confirmam esta tendência fazem parte da pesquisa PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), tendo amostra a região metropolitana de São Paulo o que se observa é que em 2007, 55,1% estava no mercado de trabalho, enquanto em 2008 já atingiu quase um 1,5% a mais com 56,4%, ou seja, confirma-se assim que mais da metade da população feminina está no mercado de trabalho.
Não foi um aumento pontual, mas geral por todos os setores da economia, isto reflete no que tange ao total da população ocupada, ou seja, utilizando esta informação em 2007 era 44,7% da população total, enquanto em 2008 45,1%
Ainda existe um predomínio da participação masculina, algo em torno de 30% superior, ou seja, 71,4% em 2007 e 72% em 2008, do total somente da população masculina, porém o que se observa nesta mensuração anual é que seu crescimento foi bem inferior, não passou 0,6%.
Um dado bastante interessante por considerar a estrutura familiar, e neste caso a mulher no papel de mãe, é aquele que mostra o percentual de mulheres com filhos que estão atuando no mercado de trabalho, a presença de filhos parece interferir, porém, de modo diferente, assim, daquelas com filhos maiores de 5 anos, 67% delas estão no mercado, para famílias com até um filho, 60,6%, com dois filhos o número é menor, mais próximo, 58,9%, a queda é mais acentuada quando se considera filhos com até um ano de idade, neste caso 54,3%.
O que de maneira geral mostra que o papel de mãe efetivamente interfere na vida profissional da mulher, mas que também por ser lido como uma referência para uma maior dificuldade da mulher com filhos encontrar emprego, neste sentido o papel profissional e de mãe, na expressão da dona de casa, ainda estão mesclados na vida feminina.
Seja lá como for são dados positivos se lidos só o aspecto da igualdade feminina, o problema, entretanto, acabe por existir no termo igualdade, talvez o mais adequado fosse diversidade, ou seja, o primeiro acaba por colocar homem e mulher em papel de concorrência direta, enquanto o segundo talvez permitisse adequar a presença de ambos, porém, reconhecendo a diversidade, não se trata de dizer que este é melhor ou pior, mas adequar, este igual para igual traz outros dados que não são positivos.
O fato é que disto decorre que hoje a mulher tem seu duplo papel cada vez mais reafirmado, neste sentido se for bem sucedida profissionalmente é aceita, mas se isto não ocorrer se existe uma cobrança, ela se dá entre as próprias mulheres que tem a vida profissional como principal objetivo, noutro sentido se a mesma não tem tal sucesso encontra na papel de mãe, dona do lar, a aceitação social.
Mais complicado ficou o papel masculino neste caso, entendido em determinados momentos como beneficiado na vida profissional, mas predominantemente não aceito se for pai e dono do lar, nem mesmo pelas mulheres que atuam profissionalmente, ao homem quando não tem sucesso profissional a rejeição social é maior, é tido como espécie de fracassado, o fato é que existe algo a ser construído que ainda não foi.
Um sinal deste conflito se pode ser sentido nos relacionamentos entre homens e mulheres da nova geração, dados da fundação Fundação Oswaldo Cruz, o FIOCRUZ, identificam que na faixa dos 15 as 19 anos, período da adolescência, identificou que 87% destes já vivenciaram algum tipo de violência no namoro ou no ato de ficar, que vão desde as mais primitivas, como: xingamentos, tapas, empurrões, socos e beliscões, e até um novo tipo, característico do mundo contemporâneo, que poderíamos denominar de desmoralização ONLINE, sinal dos tempos é que já não são mais apenas os garotos que agridem as garotas, mas o contrário agora é bastante comum, usando um termo menos técnico é uma espécie de porrada interativa.
O fato é que não é apenas o papel profissional que vem sendo novidade crescente das mulheres, a agressividade tipicamente masculina vem aumentando no antigo sexo frágil,
e vem acompanhada de hábitos do antigo sexo forte, tais como uma expansão no consumo das drogas legais como tabaco e bebidas alcoólicas, como também das ilícitas em toda sua ampla variedade, o que se confirma em recente pesquisa da feita pela prefeitura de São Pauto que constatou que entre as mulheres que declaravam beber pelo menos três vezes por semana, o percentual de 12,4% de 2003, aumentou para 19,8% em 2008, uma expansão superior a 40%, ou seja, a tal igualdade não se dá apenas em virtudes, mas também caminha pelos vícios.
Longe de aqui propor uma crítica moral, ou uma visão romântica, onde se pensa na figura da dama e do cavalheiro, mas há que se pensar numa melhor adequação dos papeis masculinos e femininos em favor da necessidade de aprender a viver num mundo onde as diferenças são interativamente respeitadas, ao contrário de uma sociedade de múltiplos confrontos, onde a estupidez prevalece a inteligência. .