19 de maio de 2009, às 12h19min

O que podemos mudar agora?

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O que podemos mudar agora?

Caos eminente. Esta é a mensagem central de Uma Verdade Inconveniente, filme amplamente divulgado e premiado que expõe basicamente uma palestra do ex-candidato à presidência dos Estados Unidos. Al Gore que começa explicando que o aquecimento global ocorre pelo acúmulo de gases na atmosfera, permitindo que os raios solares entrem, mas impedindo a sua saída. Essa permanência dos raios solares por sua vez é o que aquece a Terra.

O planeta está mais quente. Diversas geleiras ao redor do mundo estão sumindo. E foram as próprias geleiras que permitiram um levantamento da concentração de dióxido de carbono de até 650 mil anos atrás, mostrando a relação que existe entre esta e a temperatura do planeta. Mostra que a concentração de CO2 é possivelmente a maior da história do planeta, muito acima do ciclo normal.
Ondas de calor cada vez mais constantes, chegando a 50° na Índia. Recordes de furações e tornados, atingindo até mesmo o Brasil, o que era considerado impossível. Nos Estados Unidos, o desastre que aconteceu em Nova Orleans foi o mais marcante. Enchentes atingiram a Índia e a China, contrastando com grandes secas na Nigéria e em Darfur.

É inegável a relação de causa e efeito que há entre a sociedade moderna, seus padrões de produção e consumo, resultantes principalmente da Revolução Industrial e do modelo capitalista, e as alterações que a natureza vem sofrendo em todo o mundo.
A população mundial aumenta num padrão totalmente diferente de tudo o que a Terra já registrou. Isso gera uma demanda cada vez maior por água, comida e um consumo acelerado dos recursos naturais, uma vez que precisamos de mais recursos para mais gente.
A ciência dominou as demais formas de conhecimento; a tecnologia se desenvolve numa velocidade de superação constante; criamos novos hábitos de consumo e comportamento; dominamos e transformamos a natureza que outrora temíamos. Por quanto tempo ignoraremos as conseqüências destes processos?

Entre todos os seres que habitam este planeta somente nós conseguimos modificar e também destruir o meio em que vivemos, e tornamos esta capacidade global. A acomodação é a atitude mais fácil, mas em virtude de todos os nossos avanços é possível verificar que o poder de mudança também é inerente aos seres humanos.

Os governos devem se unir em acordos que reduzam drasticamente as emissões de CO2, e, como reguladores devem criar regras adequadas as realidades sociais e industriais de seus países. Deve orientar a população, punir as empresas que descumpram as metas, planejar e agir com compromisso e profissionalismo.
No Brasil, as queimadas contribuem com boa parte das emissões de CO2, e somasse a isso os desmatamentos que ampliam o impacto delas. Nas metrópoles além do aumento exponencial da frota de veículos, os carros que circulam são velhos e poluem muito mais do que os novos, o que também poderia ser mudado através de ações governamentais.
A imprensa influencia e dita o comportamento das massas, sendo preciso utilizá-la como canal de comunicação para gerar uma comoção de amplitude global.

Porém de todos os envolvidos as empresas são o setor que tem maior participação no problema e maior capacidade de solucioná-lo. Elas dominam a tecnologia, influenciam as ações do governo, dos consumidores e fornecedores, dispõem em muitos casos de faturamentos que superam o PIB de alguns países, e são responsáveis por grande parte das emissões de CO2.
Está nas mãos dos gestores de todas as organizações, primeiramente se conscientizarem que o único desenvolvimento que é coerente nesta nova realidade é o desenvolvimento sustentável, que é apoiado em três bases: econômica, social e ambiental.
Desconsiderar a sociedade e o meio-ambiente no planejamento da empresa demonstra concentração em resultados de curto prazo e falta de amplitude estratégica, uma vez que as alterações que estão ocorrendo no meio ambiente e os problemas sociais decorrentes destes afetam direta e indiretamente os resultados econômicos e sua continuidade.
Os administradores dos diversos tipos de organização devem decidir como suas instituições se comportarão diante destes desafios. Ou procrastinar até que as conseqüências atinjam diretamente suas atividades; ou tomar a frente nas ações, antecipando e superando qualquer medida que o governo possa impor.
As organizações começam a mudar de atitude e a entender de forma estratégica os retornos que podem obter com estes investimentos, como marketing e também como a única forma de manter o sistema de onde tiram as matérias-primas para produção e a sociedade onde fazem suas operações.
Dentro de uma gestão que compreenda a urgência de ação e mudança diversas ações podem ser tomadas: pressionar a cadeia de produção, inclusive com o uso de clausulas contratuais, para que seja comprometida com a redução do impacto no meio ambiente; alterar sistemas e tecnologias de produção, reaproveitamento de água, captação de fontes alternativas de energia, como a solar; investimento em projetos relacionados ao meio ambiente, encarando estes como qualquer outro projeto da empresa, onde deve haver planejamento e monitoramento das atividades e resultados, entre outros.

O tempo das encenações e discussões que visam apenas o adiamento das ações deve acabar, pois a situação apenas se agrava, e, se hoje não for o tempo de mudar, amanhã provavelmente será o de colher as conseqüências da demora.
Independentemente de a responsabilidade ser de uma nação, das empresas, da mídia, ou de cada ser humano, a pergunta que todos devem fazer é: O que podemos mudar agora?
 

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Tenho 25 anos e formado em Administração de Empresas. Sou apaixonado pelo curso e pela profissão, considero uma excelente área, onde somos levados a constantemente lidar com diversas questões e conhecimentos, permitindo um aprimoramento muito grande, como pessoa e como profissional, por quem se permite envolver.
Trabalho como Fiscal Municipal, mas já atuei no comércio e na indústria, experiências que me permitiram crescer como profissional e aprender um pouco de cada realidade.

 
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