Inspirada no livro Quebre os 12 hábitos que ameaçam sua carreira, é que decidi abordar esse assunto, pois tenho percebido incidência cada vez maior de profissional com padrão rebelde de comportamento.
Todo funcionário tido como rebelde ingressa na organização predestinado a desafiar autoridades, incluindo-se aí as regras da empresa, os costumes e sua própria tradição. O interessante é que a rebeldia faz a pessoa agir e se comportar como tal em nome da honestidade e da justiça, que, por sinal, nada têm de rebeldes, defendendo que as verdades devem ser ditas, custe o que custar e, com esse perfil, invariavelmente arruma briga.
Esse estilo de comportamento, em geral, não é bem visto no ambiente corporativo, principalmente se esse profissional rebelde exerce cargo de liderança, porque, nesse caso, vai apresentar enorme dificuldade de ouvir pessoas e de reconhecer valores nos membros da equipe. Em geral detém postura austera, como forma de escamotear sua fragilidade.
Dificilmente aceita sugestões, pois caso isso ocorra, pensa que demonstrará fraqueza de opinião e de personalidade; em contrapartida, sente-se muito à vontade para questionar seus superiores e dizer o que bem pensa, porque de fato o que quer não é contribuir com a organização e, sim, chamar a atenção de todos, como forma de provar a si mesmo que é diferente dos outros, que , segundo ele, sempre são engolidos ou se tornam invisíveis.
Esse profissional desconhece a palavra “conquista” , pois o que prevalece é o impacto que pode causar com sua deseducada e falsa sinceridade só para ver a reação das pessoas. É evidente que existe variação no comportamento desse profissional, já que uns demonstram a rebeldia pela postura, outros por atitudes negativas como chegar atrasado às reuniões, não se vestir adequadamente de acordo com o ambiente, não transmitir recados importantes, falar demais e não dizer nada de relevante ou de inédito, e assim por diante.
Esse é o exemplo do tipo de agressão que se denomina “agressividade passiva”, que incita, inevitavelmente, a clima indesejado. A equipe que convive nesse ambiente, sem que ao menos possa perceber, acaba agindo silenciosamente da mesma maneira.
Tal comportamento é aceitável de vez em quando, afinal ninguém é de “ferro”, porém, se esse se tornar constante ou em momentos errados, com certeza, afetará sua imagem diante de superiores e de colegas e, como conseqüência, atingirá sua própria carreira.
Porém, o mais importante de tudo isso é que por mais problemático que seja o profissional, por mais que ele carregue frustrações advindas da infância ou do ambiente em que vive, ele tem como se recuperar. O primeiro passo é aceitar essa fraqueza. Depois, é possível fazer a si mesmo algumas perguntas, mas só se for possível responder a elas. Se essa análise não atingir as raízes da rebeldia, convém procurar ajuda de conselheiros de carreira ou mesmo de psicoterapeutas, pois ambas são formas positivas de ajuda. Só assim será possível alavancar a carreira, para atingir o potencial que se sabe que tem.
Outra alternativa é pedir ajuda aos familiares ou aos próprios colegas de trabalho. Peça a eles que lhe dêem feedback sobre sua atuação, sobre seu comportamento e suas atitudes. Geralmente somos surdos e cegos quando temos que fazer auto- análise. Geralmente nos consideramos bons – bons ouvintes – bons amigos – bons profissionais – bons líderes, quando na verdade, o que importa é a imagem que as pessoas têm a nosso respeito. Se tiver a sorte de contar com o companheiro de trabalho que possa lhe sinalizar a toda vez que se apresente a crise de rebeldia, seu comportamento tenderá a mudar a cada dia.
Esse cego comportamento faz com que, muitas vezes, sejam ofendidas pessoas que não merecem essa atitude. O passo seguinte seria incluir palavras de cortesia no seu cotidiano como: me desculpe, com licença, bom dia, até logo, obrigada, (o) incluindo ainda elogios como forma de reconhecimento ao trabalho de colegas ou dos colaboradores.
O que mais se destaca em relação a esse padrão, não é a rebeldia em si, porque dependendo do contexto, ela pode ser até energia benéfica; o problema é o “padrão” de comportamento, que significa “modelo”, e quando o modelo é ruim acaba afetando, tanto a vida pessoal, como a profissional do ser rebelde.
Rebeldes inteligentes sabem utilizar excelentes estratégias para combater a rebelião, sem que para isso sejam necessárias armas de fogo.
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