26 de fevereiro de 2010, às 10h25min

O simples e o encantar

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Muitas vezes ficamos atrás de coisas mirabolantes para podermos encantar as pessoas ou clientes. Quando estamos interessados em alguém, muitas vezes nos pegamos pensando em planos estratégicos (sem metodologia, obviamente) para sermos percebidos, ao menos olhados. Na hora da verdade (momento do encontro), nada dá certo. As pernas tremem, a pressão cai (ou sobe muito) e, no fim, se tudo der certo, vai ser de um jeito que a gente nem esperava.

Com as organizações acontece quase a mesma coisa. Ouvimos cada vez mais a regra do “encantar o cliente”. Muitas vezes essas empresas adotam a política Cebolinha (aquela dos planos infalíveis contra a Mônica que nunca dão certo). É prêmio prá lá, vantagens pra cá, mas, como diz o outro, na hora do “vamos ver”, na avaliação final, o resultado é pífio. Por que será?

Na verdade estamos perdendo a essência dos relacionamentos. Estamos padronizando o ser humano. Damos importância aos cargos, à vestimenta, à profissão e esquecemos, muitas vezes, que todos nós não passamos de meros seres humanos (embora alguns ainda tentem não atingir este patamar e, para isso, treinam a vida inteira para se colocar na posição de animal irracional). Quando fiz faculdade de odontologia, tinha um professor de endodontia (tratamento de canal) que dizia que a maior satisfação da vida dele era abrir o canal do dente das pessoas ricas e com posição social de status. Primeiro porque ele “lavava a égua” de ganhar dinheiro com elas. Depois e principalmente, segundo ele, porque o odor fétido saído do canal era o mesmo das pessoas mais humildes.

O fato é que as pessoas colocam máscaras quando estão sob a carcaça de seu cargo ou posição social. No fundo, todos nós tomamos banho, temos necessidades fisiológicas, precisamos nos alimentar, temos que dormir. Nada há de diferente. Fico muito intrigado nos aviões, por exemplo. As(os) comissárias(os) passam servindo as “maravilhas” de lanches, pratos e bebidas, servidas hoje em dia com a maior cerimônia. Falam a mesma coisa por mais de 40 grupos de poltronas (mais de vinte de cada lado). Toda uma formalidade que não se faz mais jus nos tempos atuais. Acho que poderiam economizar a voz, até. Era só gravar a fala e, a cada vez que forem se dirigir a algum passageiro, basta apertar o play para ouvirmos: “o senhor aceita bebida? E o senhor, aceita?”.

Infelizmente isso não encanta mais ninguém. Precisamos parar de nos portamos no atendimento como robôs ou caixas eletrônicos. Aliás, a única diferença entre caixa eletrônico e o atendimento feito por uma pessoa é que aquele não tem vontade própria, de modo que nunca diz não a você por seu bel prazer. O que está programado é feito, o que não está não se faz. Com gente, é diferente. Basta um pouquinho de poder e lá vem “não” pra cima de você.
Decididamente o encantamento não está nas “mirabolâncias”, mas na simplicidade. O ser humano precisa de afago, de uma mão amiga. Você não vai para o seu emprego para passar o dia cumprindo tarefas. As empresas existem porque seres humanos precisam daquilo que ela produz. Se você tem um emprego é porque alguém precisa do resultado do seu trabalho. Assim, o mais importante é ajudar o outro naquilo que ele precisa, dando-lhe atenção humana. O encantamento (ser lembrado sem estar presente) está no simples, no que é a essência, no detalhe que, como diz Roberto e Erasmo, permite que o tempo transforme todo amor em QUASE nada (e se é quase nada é porque ainda, vez ou outra, se é lembrado).

Assim, tire as máscaras, as armaduras, seja você o tempo todo. Seja humano. Encante com o que você tem de bom. Faça o simples, o essencial, estreite os laços. Faça o improvável que, de tão natural e porque ninguém faz, encanta. É mais ou menos o que diz Lula Barbosa na composição de Amauri Falabella, Brincos: “eu só visitei as estrelas pra te encantar, / eu só visitei as estrelas pra te contar / como era lindo o teu olhar / visto de lá”.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do UNIVAG. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri

 

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- Marketing
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Coordenador e professor de cursos da áera de Gestão da Educação tecnológica - UNIVAG
Coordenador do curso MBA Compacto em Adm. de Consultório - ABO/MT
Coordenador do curso de formação de ACD - ABO/MT
Consultor e instrutor do Sebrae/MT
Articulista do jornal A Gazeta
 
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